“Não vou torcer contra, até porque o que tinha que ser gasto, roubado, já foi.” Com essa declaração, postada hoje em sua conta no Instagram, Joana Havelange, diretora do Comitê Organizador Local (COL) da Copa 2014, filha de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, e neta de João Havelange, ex-presidente da FIFA, acaba de justificar oficialmente a avalanche de livros que, a 15 dias da abertura do Mundial, entopem as prateleiras das livrarias com um propósito comum: revelar os podres dos bastidores do futebol.
O responsável por essa avalanche de lançamentos é Andrew Jennings, que acaba de lançar Um Jogo Cada Vez Mais Sujo, pela Editora Panda Books. O jornalista escocês investiga os bastidores da entidade há vinte anos, tendo sido um dos principais responsáveis pelas revelações que resultaram nas saídas de João Havelange e de Ricardo Teixeira do poder, denunciados por corrupção. A versão digital da nova obra de Jennings foi lançada também em outros cinco países.

Em 2011, Andrew Jennings já havia lançado no Brasil o livro Jogo Sujo, também pela Panda Books, que escancara esquemas de compra de votos e outras sujeiras praticadas pela FIFA. Tudo milimetricamente documentado. Em Um Jogo Cada Vez Mais Sujo, Jennings vai além: denuncia com detalhes o esquema fraudulento de venda de ingressos na Copa, responsável pela dificuldade dos brasileiros em conseguir comprar os ingressos. Por essas e outras, a Fifa jamais o processou. Tudo o que conseguiu fazer foi bani-lo de todos os seus eventos – ele é o único jornalista do mundo a conseguir tal feito! – e o tachou como seu “inimigo número 1”.

Na onda aberta por Jogo SujoUm Jogo Cada Vez Mais Sujo, vieram Jogada Ilegal, de Luís Aguilar (Editora A Esfera dos Livros); O Lado Sujo do Futebol, da Editora Planeta, escrito pelos jornalistas Amaury Ribeiro Jr., Leandro Cipoloni, Luiz Carlos Azenha (os três da TV Record) e Tony Chastinet (da TV Bandeirantes); e FIFA Máfia, ainda não publicado no Brasil, escrito pelo jornalista alemão Thomas Kistner (na foto abaixo, a edição portuguesa).

FIFA Máfia

Luís Aguilar, jornalista português, passeia pelos bastidores da FIFA em Jogada Ilegal, e mostra como todos os seus setores estão impregnados pela corrupção, desde a escolha do país-sede do Mundial até a votação do prêmio Bola de Ouro. Já os brasileiros de O Lado Sujo do Futebol discorrem sobre o modelo de negócios da FIFA e da CBF, baseado em um esquema de cartas marcadas que só serve para enriquecer – de forma suja, é claro – os envolvidos. O livro foi baseado numa série de reportagens que a TV Record fez para atacar a CBF e a FIFA – numa briga que envolveu também a guerra de audiência com a Globo pelos direitos de transmissão de campeonatos de futebol.  E Thomas Kistner, seguindo também a cartilha de Jennings, mostra em FIFA Mafia o resultado dos vinte anos que passou investigando os crimes cometidos pela instituição.
Além dos títulos em livrarias, há também e-books sobre o tema. Copa Para Quem e Para Quê, que pode ser requisitado à Fundação Henrich Böll via e-mail, é uma compilação de artigos reflexivos sobre o famigerado “legado da Copa”, assinados por jornalistas especializados na cobertura de eventos esportivos e por pesquisadores ativistas de causas sociais. As análises abordam os mundiais da Alemanha (2006), da África do Sul (2010) e do Brasil (2014). Já o e-book A Copa Como Ela É (Companhia das Letras) detalha as investigações do jornalista Jamil Chade, que ao longo de dez anos acompanhou os trâmites que orquestraram a preparação do Brasil para se tornar um país apto a receber uma Copa do Mundo. A editora promete uma edição em papel depois do término da Copa.