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A minha Copa de 2010 de A a Z

11 de julho de 2010

A – Axe
Os patrocinadores oficiais da Copa investiram milhões para estampar suas marcas nos estádios. Já o desodorante preferiu apostar num dos pontos mais fotografados de todo o Mundial: o decote da torcedora paraguaia Larissa Riquelme (leia também a letra L). Na partida contra a Espanha, ela apareceu com o nome do anunciante no alto do seio esquerdo. Gol de criatividade!
B – Bafana Bafana
Os sul-africanos gostam de dar apelidos às suas seleções. “Springbooks” é a seleção de rúgbi. “Bafana-Bafana” (ou Garotos Garotos) era como chamavam aqui a seleção de futebol. O time foi comandado pelo técnico brasileiro Carlos Alberto Parreira, que conseguiu três marcas históricas na Copa de 2010. É o técnico que dirigiu mais seleções em Copas do Mundo. A África do Sul foi a sexta. Já tinha dirigido Brasil (94 e 06), Kuwait (82), Emirados Arábes (90) e Arábia Saudita (98). Também venceu sua primeira partida como treinador de uma Seleção que não fosse o Brasil (África do Sul 2 x França 1) numa Copa. Em compensação, nunca o anfitrião de uma Copa havia se desclassificado logo na primeira fase.
C – Coreia do Norte
O país mais fechado do mundo fez o mesmo com sua seleção na África do Sul. Os treinos eram sempre fechados, secretos, protegidos por dezenas de policiais. A Coreia do Norte levou uma torcida fake, formada por chineses. A seleção escondeu  tanto o jogo que não conseguiu encontrá-lo depois. A Coreia do Norte perdeu seus três jogos. Levou a maior goleada da Copa (7 X 0 para Portugal) e só marcou um único gol. Justo contra o Brasil. Terminou em último lugar.
D – Desculpas
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, pediu desculpas às delegações de Inglaterra e México pelos erros cometidos pela arbitragem nos jogos contra Alemanha e Argentina. Na entrevista coletiva, depois de Espanha 1 x Paraguai 0, nas quartas-de-final, o técnico Gerardo Martinon “agradeceu antecipadamente ao pedido de desculpas que a Fifa irá fazer ao Paraguai amanhã”. Ele reclamava de um gol anulado por causa de um impedimento mal marcado. A ironia não surtiu efeito. A Fifa nem se manifestou.
E – Espanha
O oitavo país a conquistar um título mundial. A equipe que eu mais acompanhei na Copa. Foram três jogos e dois treinos oficiais.
F – Frango
O goleiro da Inglaterra Green entrou para a história do Mundial da pior maneira possível. Engoliu um frangaço na partida de estreia, contra os Estados Unidos, aos 40 minutos do primeiro tempo. A partida terminou empatada em 1 x 1. Green virou motivo de piada. Uma delas: “Um novo vírus se espalhou pelos computadores da África do Sul. É o Vírus Green. Agora os computadores não conseguem mais salvar nada”.
G – Gana e Gyan
Gana foi a única seleção africana a passar para as quartas-de-final. Por causa disso, ganhou uma torcida imensa. Um continente inteiro passou a torcer pelos “Estrelas Negras”. Foi por pouco. No último minuto do segundo tempo da prorrogação, o atacante uruguaio Suárez defendeu uma bola com a mão na linha de gol. Acabou expulso e Gana tinha um pênalti para garantir sua participação na semifinal. Mas Gyan mandou no travessão. A partida foi para a decisão por pênaltis e o Uruguai venceu por 4 x 2. Gana terminou em sexto lugar, sua melhor colocação em Copas – e repetiu as performances de Camarões (1990) e Senegal (2002), seleções africanas que também chegaram às quartas-de-finais.
H – Holanda
Pela terceira vez, vice-campeã.
I – Inglaterra
Repetiu, nas oitavas-de-final, a final da Copa de 1966, contra a Alemanha. Como naquele jogo, houve um gol polêmico. A bola bateu no travessão e depois quicou dentro do gol. Em 1966, o gol foi validado para a Inglaterra. Na África do Sul, embora tenha batido bem mais dentro do gol, não valeu.
J – Jabulani
A bola da Adidas tinha o nome de uma região do Soweto. A palavra significa “celebrar”. Mas deveria ser “polemizar”. A Jabulani recebeu uma saraivada de críticas – a maioria delas de craques patrocinados pela concorrente. Na final, a bola ganhou detalhes dourados e virou “Jobulani”, em homenagem a Johanesburgo. ´?É mentira que a Adidas já recebeu sugestões para o nome da bola de 2014: “Jabaculê” e “Maracutaia”.
K – Kaká
O bom moço virou “bad boy”. Sem a concorrência de Ronaldinho Gaúcho, Kaká foi a grande estrela da Seleção Brasileira. Na partida contra Costa do Marfim, ele foi se defender de um choque e acabou sendo injustamente expulso de campo. Segundo a comissão técnica brasileira, Kaká jogou apenas com 85% de suas condições físicas ideais. Parecia menos.
L – Larissa Riquelme
A modelo paraguaia virou a “musa do Mundial”. Tudo começou na partida Paraguai x Itália, na primeira fase. Ela foi assistir ao jogo numa praça em Assunção, capital do Paraguai. Guardou o celular no meio do farto decote. A foto se espalhou pelo mundo e Larissa virou uma celebridade instantânea. Muita gente não se recorda do ataque da Sérvia, mas decorou as medidas da moça: 90 cm de busto, 60 de cintura e 94 de quadril. Prometeu tirar a roupa se o Paraguai vencesse a Copa. O time perdeu para a Espanha por 1 x 0 nas quartas-de-final. A modelo e atriz resolveu premiar a garra dos jogadores assim mesmo. Fez um ensaio sensual para o jornal paraguaio “Diário Popular”, com direito até a pôster.
M – Maradona
Era para ser a Copa do argentino Messi, mas quem roubou a cena foi o técnico Maradona. Fumou charuto nos treinamentos, criou polêmicas nas entrevistas coletivas, entrou em campo para fazer o aquecimento com os atletas. Vestiu terno cinza em todos os jogos. Foi derrotado nas quartas-de-finais para a Alemanha por 4 x 0. O lado bom da derrota é que não precisou cumprir a promessa de desfilar nu em Buenos Aires se conquistasse o título. Dessa nos livramos.
N – Nova Zelândia
De saco de pancada na Copa de 1982 (terminou na penúltima colocação, levou 12 gols e marcou apenas dois),  a Nova Zelândia se transformou na boa surpresa do Mundial. Empatou suas três partidas – Eslováquia, Itália e Paraguai. Com a derrota da Holanda na final, foi a única seleção a terminar a Copa invicta.
O – Orânia
Uma cidadezinha a 700 quilômetros de Johanesburgo não permite a entrada de negros. Uma triste lembrança do apartheid na África do Sul.
P – Polvo Paul
O molusco de 2 anos e meio de idade que vive no Aquário de Oberhausen, na Alemanha, foi o oráculo da Copa. Seus tratadores colocavam em frente dele duas caixas de acrílico, cada um com a bandeira de um país. Paul acertou as vitórias da Alemanha contra Austrália, Gana, Inglaterra e Argentina. Também acertou as derrotas para a Sérvia e para a Espanha. A escolha do campeão foi transmitida ao vivo por 600 emissoras de rádio e TV. Paul não decepcionou. Cravou Espanha e acertou!
Q – Qu’est-ce qui se passe?
A França ficou em 29º lugar – conseguiu ser pior ainda que em 2002, sua pior campanha até então. Ficou na frente apenas de Honduras, Camarões e Coreia do Norte. Durante o torneio, houve um levante do time contra o técnico Raymond Domenech. Henry foi cortado por ter xingado o treinador no intervalo do jogo contra o México. Evra chegou a declarar que havia um traidor no grupo. Zidane, ex-ídolo francês, foi acusado de ser o cabeça (sem trocadilhos) do movimento.
R – Rolling Stone pé-frio
Mick Jagger foi o maior pé-frio da Copa. Em quatro jogos, conseguiu eliminar Estados Unidos, Inglaterra, Brasil e Argentina. Na partida Brasil x Holanda, ele foi acompanhado de Lucas, filho que teve com a apresentadora de TV Luciana Gimenez. Sua “única vitória” foi o 3 x 0 do Brasil contra o Chile.
S – Soweto
É a sigla para South-West Township. Gostei muito de ter conhecido, de ter ido lá várias vezes durante essa cobertura. Nasceu em 1963 como o “bairro dos negros”, ao lado de Johanesburgo. Vinte anos depois ganhou autonomia como cidade. A reportagem que mais me emocionou foi feita no dia 16 de junho com as meninas que estravam treinando para ser jornalistas. Uma reportagem inesquecível.
T – Tanzânia
Foi o adversário mais fraco do Brasil nesta Copa do Mundo. Levou uma goleada de 5 x 1. Ah, não era a Copa? Tem razão… Era só um amistoso preparatório, né? Será que levar um gol da Tanzânia foi um sinal?
U – Um Dia de Fúria do Dunga
Foi uma das melhores sacadas da Copa. O publicitário mineiro Pablo Peixoto, 32 anos, fez uma brincadeira e transformou Michael Douglas em  Dunga em uma cena de “Um Dia de Fúria”.  Ele satirizou o ataque furioso que o técnico brasileiro teve com o jornalista Alex Escobar, da TV Globo. O episódio ganhou ainda três continuações, sempre depois de cada jogo do Brasil.
V – Vuvuzela
A cornetinha de plástico foi um dos assuntos mais comentados da Copa. Ela dividiu opiniões: deveria ou não ser banida dos estádios? Os sul-africanos defenderam a tradição, dizendo que seria o mesmo que proibir o consumo de cerveja na Copa da Alemanha. A Fifa liberou – pudera: a lojinha da entidade estava vendendo vuvuzelas nos estádios.
X – Xingue o Dunga
O site foi criado logo depois da convocação da Seleção Brasileira. Mas teve seu dia de glória em 2 de julho, dia da desclassificação brasileira, contra a Holanda. Mas nada supera a saraivada de piadas que Felipe Melo recebeu na primeira Copa da era Twitter. Virou uma febre assistir aos jogos postando comentários pelo computador. Alguns dos “Felipe Melo Facts”:
Por causa do Felipe Melo, os melhores momentos da copa vão ser editados pelo Tarantino.

As namoradas de Felipe Melo têm medo de pedir carinho a ele. Ele pode entender carrinho.
Milhares de pessoas no mundo deram entrada no hospital após assistir o Felipe Melo em transmissão 3D.
Felipe Melo não é bom de matemática mas gosta de dividir sem deixar restos.
O cartão de visitas do Felipe Melo é o vermelho.
Jogo de xadrez: Cristiano Ronaldo é a Dama; Kaká é o Bispo; Julio Batista é a Torre; Felipe Melo, o Cavalo.
O Michael Jackson morto faz muita falta. O Felipe Melo vivo faz mais ainda.
Após os treinos, alguns jogadores treinam cobranças de faltas, já Felipe Melo treina como cometê-las.
A lenda da mula sem cabeça começou depois de um pé alto de Felipe Melo.
Felipe Melo é o único jogador que você encontra no FIFA 2010, no Winning Eleven e no Mortal Kombat.

W- Write The Future
O caríssimo comercial da Nike foi uma roubada só. Ronaldinho Gaúcho nem foi convocado. Ribéry, Cannavaro e Drogba não passaram da primeira fase. Rooney e Cristiano Ronaldo ficaram nas oitavas-de-final sem emocionar ninguém. Cristiano Ronaldo, que foi flagrado diversas vezes olhando seu penteado no telão do estádio, ainda deu uma cusparada em direção a um cinegrafista depois da derrota para a Espanha. Ah, a música do comercial se chama “Hocus Pocus”, da banda Focus… que é holandesa.

Y – Youtube
O Youtube vai guardar para sempre um dos momentos mais nojentos do mundial. O técnico alemão Joachim Low coloca o dedo no nariz, tira uma jabulanizinha lá de dentro e manda para o gol.

Z – ZA News
Por ser uma Copa na África, o mais óbvio seria colocar Z de Zebra (a maior delas aconteceu no jogo Suíça 1 x Espanha O, na primeira rodada do grupo H. Também poderia ser Z de Zakumi, mascote do Mundial. Mas escolhi o Z de ZA News, um programa de internet que não deixou de criticar os desmandos da Fifa na organização do tornio na África do Sul. É bom ficarmos de olho: o Brasil não faturou a Copa em 2010 e não pode superfaturar a de 2014!
Para conhecer as minhas outras Copas de A a Z, clique aqui ou vá ao Museu do Futebol, em São Paulo.

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2 Comentários

2 Comentários

  1. Antonio Mier

    …ainda não consegui sair da letra “A”…

    Responder

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