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Quantos ginastas tiraram nota 10 nas Olimpíadas depois de Nadia Comaneci?

16 de agosto de 2016

Com apenas 14 anos, a ginasta romena Nadia Comaneci conseguiu, em 18 de julho de 1976, a primeira nota 10 da história da ginástica artística nas Olimpíadas. O feito na prova das barras assimétricas foi tão impressionante que o placar oficial sequer estava preparado para exibir quatro dígitos (10,00) e acabou exibindo, primeiramente, a nota 1,00. A Federação Internacional de Ginástica considerava, à época, impossível um atleta alcançar a perfeição e, por isso, não havia programado espaço para duas casas decimais na nota. Comaneci não apenas conseguiu o 10 como repetiu a dose em outras seis oportunidades naquela mesma Olimpíada, entrando de vez para a história do esporte mundial.

Nadia Comaneci

Não se tratava, no entanto, de um feito inédito. Antes daquela Olimpíada, a nota 10 já havia sido concedida três vezes. Uma delas com a própria Nadia, na prova de solo da American Cup do ano anterior. Antes dela, em 1967, a tcheca Vera Caslavska havia tirado duas notas 10 no Campeonato Europeu (uma no solo e outra nas barras de equilíbrio). Nadia, no entanto, entrou para a história por ter conseguido a nota 10 nos Jogos Olímpicos, esse sim um feito inédito à época.

Vera Caslavska

Dali em diante as notas 10 começaram a surgir com maior frequência nas Olimpíadas. Naquela mesma edição, em Montreal, a soviética Nelie Kim alcançou a perfeição em três oportunidades. Os homens só alcançaram a marca em Moscou, quatro anos depois: o primeiro foi o soviético Alexander Diyattin, nos saltos, seguido pelo húngaro Zoltan Magyar (duas vezes), o búlgaro Stoyan Datchev, o alemão Michael Nikolay e o também soviético Alexander Tkachev. Também em Moscou, a ginástica feminina teve outras cinco notas 10 para quatro ginastas diferentes – a única a conseguir duas foi justamente Nadia Comaneci.

Michael Nikolay

As notas 10 aumentaram em Los Angeles, 1984: foram 28 para os homens (divididas entre 11 atletas) e 16 para as mulheres (divididas entre cinco atletas). Em Seul, 1988, já ficaram mais raras: 12 notas 10 para os homens (divididas entre oito atletas) e 16 para as mulheres. A romena Daniela Silivas e a soviética Yelena Shushunova igualaram o feito de Comaneci e conseguiram sete apresentações perfeitas em uma mesma edição dos Jogos (Dagmer Kersten, da Alemanha Oriental, ficou com as outras duas).

Daniela Silivas

No Campeonato Mundial, ao longo dos anos, saíram 18 notas 10 divididas entre sete atletas – a primeira deles com a mesma Daniela Silivas, em 1985; Daniela repetiu o feito em 1987 ao lado de Aurelia Dobre, também romena, que levou para casa cinco notas 10. Por fim, em 1989, seis ginastas (dentre elas, Silivas) dividiram 12 notas máximas. Também em 1989, outras duas notas 10 foram concedidas no Campeonato Europeu. As últimas apresentações consideradas perfeitas pelos juízes aconteceram nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992: uma para a chinesa Lu Li nas barras assimétricas e outra para a romena Lavinia Milosovici.

Aurelia Dobre

A nota 10 foi abolida da ginástica após uma confusão nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. À época, uma corrente no mundo da ginástica artística já acreditava que a escala de notas até 10 não era suficiente para diferenciar as apresentações, o que deixava as análises muito subjetivas. A gota d’água foi a confusão com a nota do russo Alexei Nemov nas barras fixas. Os juízes foram alvos de vaias e protestos de praticamente todo o ginásio após concederem uma nota 9,725 e corrigiram a nota para 9,762, o que demonstrou a fragilidade do sistema vigente.

Com isso, a FIG decidiu antecipar a reformulação do código de notas, antes programada para 2009. A partir de 2006 ele passou a ganhar os moldes atuais, considerados mais justos e claros. A nota máxima passou a ser de 20 pontos: são 10 pontos para o nível de dificuldade da exibição (marca impossível de alcançar, visto que não existem 10 movimentos de 1,0 ponto) e mais 10 que são descontados a partir dos erros.

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