Até o dia 5 de agosto, quando entrar no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, para a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, a chama olímpica terá percorrido 20 mil quilômetros e terá passado por 329 cidades brasileiras. O percurso terá sido feito pelas mãos de 12 000 condutores da tocha.  A chama foi acesa em 21 de abril, em Olímpia, a 300 km de Atenas, capital grega. Ela passou pela sede do Comitê Olímpico Internacional (COI), na Suíça, antes de desembarcar em Brasília no dia 3 de maio. Fabiana Claudino, capitã da seleção brasileira de vôlei, foi a primeira atleta a conduzir a tocha de 1,4 quilo, feita com alumínio reciclado, resina e aço inox. No Brasil, ela passeou de rapel, skate, carro de boi, canoa, barco a vela, parapente, avião fretado, lancha e até carrinho de rolimã.

Toda branca, a tocha expande-se quando o gás é acionado, mostrando suas cores e curvas. O dourado da parte de cima simboliza o sol e também a medalha de ouro. A  faixa verde representa a topografia das montanhas do Rio de Janeiro, enquanto as ondas do mar surgem num tom azul. Por fim, a calçada de Copacabana é representada na sinuosa linha preta que finaliza o design, criado pela agência paulistana Chelles & Hayashi. Sua tecnologia possui três camadas que protegem o fogo do vento. O cartucho de gás é capaz de manter a tocha acesa por 18 minutos.

Relembre 10 momentos do Tour da tocha olímpica no Brasil:
1. A música “Vida de viajante” (1953), de Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil, virou tema do revezamento da tocha. A releitura que está na trilha dos Jogos foi gravada por um batalhão de cantores: Marcelo Jeneci, Bruno Cardoso, Luan Forró Estilizado, Alexandre de Faria, César Menotti e Fabiano, Roberta Sá, MC Koringa e Malta. Foi oficializada como hino do revezamento em 6 de junho, quando o tenente-coronel Francisco Cantarelli cantou a canção junto com seus colegas da Força Nacional. A ideia de colocar vários artistas cantando e ampla diversidade de ritmos foi feita para representar a quantidade de pessoas que participam do evento.

2. Seis dias depois de chegar no Brasil, a tocha teve uma de suas experiências mais radicais. Em Governador Valadares (MG), ela foi levada de helicóptero até o Pico da Ibituruna (a 1 123 metros do nível do mar) para saltar de parapente. O tricampeão Moisés “Móka” Sodré carregou a tocha, enquanto o instrutor de voo Rodrigo Fazzolo os conduzia pela cidade. O vento fortíssimo não foi o suficiente para apagar a chama.

3. Por falar em “apagar a tocha”, não faltaram tentativas ao longo do percurso. A primeira aconteceu em Maracajú (MS). No dia 26 de junho, um eletricista de 27 anos jogou um balde d’água na direção do condutor, mas errou o alvo. Acabou detido e pagou fiança de 1 000 reais para ser liberado. Em Cascavel (PR), três dias depois, um homem tentou apagar a chama da tocha com um extintor de incêndio. Foi preso pela Guarda Nacional. No mesmo dia, a tocha chegou à vizinha Maringá. Uma mulher que participava de uma manifestação contra o governo em exercício se aproximou do condutor e tentou apagar a tocha com um cartaz, onde estava escrito “Fora,Temer”. A cidade de Joinville (SC) também foi alvo de boicote. Em 13 de julho, um desempregado de 33 anos invadiu a área isolada por um cordão, driblou cerca de 20 agentes da Força Nacional e usou um extintor de carro para apagar a chama. Não conseguiu. A condutora sofreu com a inalação de gases, mas logo se recuperou. No dia 23 de julho, em Guarulhos, na Grande São Paulo, um homem foi preso ao tentar apagar a tocha com uma bexiga cheia de água. Aconteceram tentativas semelhantes em Curitiba e Porto Alegre. A tocha só foi apagada mesmo numa manifestação em Angra dos Reis (RJ) no dia 27 de julho.

4. Uma onça pintada – de mesma espécie de uma das mascotes das Olimpíadas Rio 2016 – foi morta depois de participar da cerimônia da tocha olímpica em Manaus, dia 20 de junho. A presença da onça Juma foi questionada por grupos de proteção aos animais. A ação foi considera um erro pelo próprio Comitê Rio-2016 e acabou sendo alvo de críticas internacionais. O exército explicou que a onça teria se soltado das correntes e, mesmo depois de sedada, ameaçado atacar um militar.

5. A empresária Luiza Trajano, dona da rede de lojas Magazine Luiza, conduziu a tocha olímpica em Franca (SP), cidade natal, no dia 19 de julho. A integrante do Conselho Público Olímpico (CPO) acabou caindo durante o percurso de 200 metros. Agentes da Força Nacional ajudaram a empresária a se levantar. A loja aproveitou o acontecimento para fazer uma promoção pelas redes sociais:  “A Dona Luiza caiu, mas está bem. Vocês pediram, e os preços caíram também!”. Em seu Instagram, Luiza Trajano comentou: “Receber a tocha na minha cidade, ter a minha acesa pela minha filha querida, Ana Luiza Trajano, foi uma emoção tão grande, que até cai! Mas, como sempre faço em todos os meus tombos, levantei rápido e continuei a cumprir a minha missão”. Em Anapólis (GO), dia 4 de maio, um cadeirante caiu de sua cadeira de rodas ao passar a chama olímpica para outro condutor.

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6. O jornalista Felipe Andreoli e sua a mulher, a também repórter Rafa Brites, carregaram a chama olímpica em Barretos (SP), em 20 de julho, causando uma “saia justa” para a apresentadora Fátima Bernardes.  Naquele dia, no “Encontro com Fátima Bernardes”, um dos convidados, o ator Henri Castelli, questionou a ausência de Andreoli e perguntou  qual seria sua relação com a cidade de Barretos, deixando Fátima Bernardes sem graça e sem resposta. Andreoli foi escolhido por um integrante do Conselho Público Olímpico como condutor da tocha na cidade. No programa “Extra Ordinários”, do Sport TV, Andreoli esclareceu que “até o momento da tocha,  não tinha nenhum vínculo com Barretos, mas que, depois de ter participado do evento, passou a ter”.

7. A selfie mais famosa do Tour da Tocha foi feita em Osasco, na Grande São Paulo, em 21 de julho. Um policial com moto e outro de bicicleta se chocaram e os dois foram para o chão.  José Carlos Almeida Cruz, 47 anos, aproveitou o momento dos dois esborrachados no chão para fazer a foto. “Na hora, eu só pensei na foto, em poder guardar uma lembrança. Era um momento único”, disse ao portal G1. O “tiozinho da selfie”, como ficou conhecido nas redes, levou um caminhão de críticas.

8. Em Santos (SP), a passagem da tocha olímpica teve um cenário romântico. Durante a condução de Larissa Fuentes, o namorado dela, Leonardo Gobetti ajoelhou-se em meio à multidão e fez o pedido de casamento. Larissa ganhou o direito de desfilar com a tocha num sorteio feito entre os funcionários da empresa onde trabalha. Leonardo aproveitou a falta de um condutor e também entrou no revezamento do dia 22 de julho. Ainda em Santos, Pelé apareceu na varanda do Museu Pelé com a tocha nas mãos. Mas ele não participou do revezamento.

9. No dia 24 de julho, a tocha passou por São Paulo e teve a ex-ginasta Laís Souza como uma das condutoras. Em 2014, Laís sofreu um acidente de esqui, durante a preparação para as Olimpíadas de Inverno, e ficou tetraplégica. Com uma cadeira de 182,8 quilos, a atleta andou pelo Parque Ibirapuera com a ajuda do  pai, Antônio Souza, e do cuidador, William Campi.

10. Gustavo Endres, ex-jogador de vôlei e campeão olímpico, foi quem acendeu a pira em Passo Fundo (RS). Mas acabou bravo por ter que pagar quase 2 mil reais para ficar com a tocha. A mulher do atleta, Raquel Endres, enumerou os motivos da sua indignação pelo Facebook: “1- Meu marido não é qualquer um e o currículo dele prova isso dentro do esporte!;  2- O desdém e a grosseria da organizadora com um atleta olímpico; 3- O valor da tocha é de R$ 1.985,00 e só pode ser pago ainda no cartão Visa e em no máximo 3 vezes”. Ela comprou a tocha para o marido contra a vontade dele.

 

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O Guia dos Curiosos – Jogos Olímpicos
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