Final do século XIX
De acordo com registros do Escritório de Patentes da Alemanha,  William Sykes, fabricante de artigos para futebol, registrou a primeira patente de luvas para goleiros. Segundo o projeto, elas seriam feitas de couro, com camadas de borracha indiana, para proteger as mãos do goleiro. A ideia nunca saiu do papel.

1934
O primeiro modelo de luvas para esportes foi desenvolvido pelo alemão Karl Reusch para a marca que leva seu sobrenome. O par de luvas – cuja intensão era proteger as mãos das baixas temperaturas – foi costurado à  mão em sua casa, na cidade de Reutlingen. Reusch tinha grande amor pelos detalhes e  muita preocupação em desenvolver um produto inovador.

Década de 1960
Em 1966, as luvas Reusch estrearam num jogo oficial nas mãos do goleiro Wolfgang Fahrian, do 1860 Munique. Fahrian, que defendeu a Alemanha Ocidental na Copa de 1962, participou do projeto. Foi ele quem começou a cortar pedaços das borrachas das raquetes de tênis de mesa para colar  nas luvas. Fahrian foi o primeiro a testar a aderência da borracha. A palma de borracha era granulada, exatamente como uma raquete de tênis de mesa. Até o início da década de 1990 ainda era possível encontrar esse modelo no mercado.

A Uhlsport, outra marca alemã de artigos esportivos, começou a produzir luvas específicas para goleiros em 1968. A indústria brasileira lançou seus primeiros modelos no final da década de 1960, mas ainda sofria resistência por parte dos goleiros.

Década de 1970
Na Copa do México, em 1970, o goleiro brasileiro Félix resolveu que não iria usar luvas. Os pares que levou estavam desgastados, as luvas vendidas no México tinham pouca flexibilidade e ele não estava tão adaptado assim ao novo acessório. Félix jogou as cinco primeiras partidas assim. “Na final, os jogadores queriam que ele mantivesse a tradição que vinha dando certo, mas Félix resolveu provar para o mundo que sabia jogar de luvas também”, narra o jornalista Paulo Guilherme.  As luvas eram de couro com tiras de látex ou borracha. Onde encontrar luvas para Félix? A resposta veio de Buenos Aires. Amadeo Carrizzo tinha uma fábrica de luvas na capital argentina. Um funcionário da embaixada brasileira comprou quatro pares e as enviou por avião ao México a tempo de Félix vesti-las na final.

Sepp Maier brilhou na Copa de 1974, jogando em casa, com uma luva de couro com tiras de látex nas palmas. “O material é mais resistente e dá mais estabilidade ao desempenho do goleiro”, aplaude Vander Bastitella, criador da Escola de Goleiros, em Americana (SP). Mesmo não sendo favorita, a Alemanha de Maier venceu a Holanda e ficou com o título.

Nas décadas seguintes, o mercado se especializou nas luvas de alto rendimento. “Ela se tornou um instrumento importantíssimo para que os goleiros consigam melhorar seu desempenho dentro das partidas”, afirma Paulo Guilherme. As principais tecnologias desenvolvidas foram a APG, Adesive Power Grip – que permite a sensação de cola na palma da mão, aumentando a aderência da luva com a bola – e a Fingersave – criada pela Adidas para proteger os dedos de machucados.