Pouco antes da Copa do Mundo do ano passado, durante a construção da Arena Corinthians, a diretoria alvinegra fez uma série de estudos para encontrar grama na cor preta para o campo. Tudo isso para evitar que o estádio tivesse qualquer coisa em verde, cor que remete ao seu principal rival, o Palmeiras. O Comitê Organizador da Copa vetou de cara essa ideia mirabolante, permitindo apenas um tom mais escuro de verde. No dia 1º de abril passado, o time de futebol do Orlando City, dos Estados Unidos, publicou no site oficial que um inovador gramado roxo seria colocado no estádio do time, o Citrus Bowl. O atacante brasileiro Pedro Ribeiro declarou que estava animado com a novidade: “Será interessante, será inédito. Eu não sei como será, mas será estranho no início. Será empolgante”. Só que, no dia seguinte, a equipe que disputa a Major League Soccer revelou a verdade. Era tudo uma brincadeira de Dia da Mentira.

gramado roxo divulgada no site oficial do Orlando CityGrama de outra cor pode aparecer loucura, mas o Blog do Curioso encontrou uma história real sobre essa maluquice no futebol americano. O gramado do Albertsons Stadium, do time universitário Boise State Broncos, foi pintado de azul em 1986, numa referência ao apelido “The Blues” (Os Azuis). Em 2011, preocupada com o fato, a NFL (Liga Nacional de Futebol Americano) criou a “Boise Rule”, proibindo que os times profissionais tivessem o gramado de outra cor que não fosse verde. Neste ano, a Mountain West Conference, da qual o Boise faz parte, proibiu que os jogadores do time usassem uniformes azuis, pois isso atrapalharia os adversários. Dois anos depois, a proibição foi revogada. “Pintar o gramado de azul foi uma inovação no futebol americano”, comenta o jornalista Paulo Mancha, especialista no assunto. “Por mais que alguns adversários reclamassem, não houve um pedido para a mudança de cor, uma vez que o azul já tinha virado uma tradição”.

gramado azul do Boise State BroncosEm outubro de 2014, o Albertsons Stadium entrou para a lista dos 10 melhores gramados de futebol americano universitário. Foi também quem criou a moda seguida por outros cinco estádios do futebol americano universitário. Em 2009, o Ralph F. DellaCamera Stadium (University of New Haven) pintou de azul o seu gramado; em 2010, o Ross Field (Eastern Washington University) usou a cor vermelha e ganhou o apelido de “The Inferno”; em 2012, foi a vez do Lindenwood Stadium (Lindenwood University – Belleville Athletics), alternando entre vermelho e cinza; em 2014, o Rynearson Stadium (Eastern Michigan University Eagles), com a cor cinza; e finalizando, este ano, com o Brooks Stadium (Coastal Carolina University Chanticleers) e seu gramado azul esverdeado. “Além de incomodar os jogadores, a mudança de cores atrapalha alguns árbitros, que não estão acostumados com a diferença”, acredita Paulo Mancha. “Mas a questão da cor acaba sendo muito subjetiva, pois cada um enxerga uma tonalidade diferente. Isso ficou bem claro com aquela polêmica de que cor era o vestido. Então, enquanto alguns se incomodam com a cor, outros se adaptam rapidamente”.

Roos Field ganhou o apelido de "The Inferno"A grama é verde por causa da clorofila. Para fazer a fotossíntese, processo realizado pelas próprias plantas para a produção de energia e de seu próprio alimento, a clorofila absorve a luz solar na faixa do vermelho e violeta, e acaba refletindo para nossos olhos a cor verde. “Existem plantas que têm a coloração rosa, azul, e até preta”, conta a bióloga Rachel Domenichelli. “Mas não se tratam de gramíneas, e sim de outras espécies de plantas, que são principalmente ornamentais. Só que elas possuem características diferentes das gramas de estádios de futebol, não resistem ao pisoteio e ao sol forte, por exemplo”. Existem algumas técnicas para tingimento de gramados. Um corante alimentício é misturado à água e injetado nas plantas, mas ele acaba alterando a coloração das flores, e não das folhas. Portanto, as gramas coloridas vistas em quadras ou são sintéticas ou pintadas com rolos de tinta. “É importante que seja utilizada uma tinta à base de água para não impermeabilizar as folhas e nem intoxicá-las”, explica Rachel. “Vale ressaltar que, depois de seca, a pintura fica somente na parte externa das folhas, podendo sair com a água da chuva ou com a poda”.