O Memorial Rainha Marta foi inaugurado com toda pompa e circunstância na manhã do dia 23 de dezembro de 2014. A solenidade contou com a presença da presidente Dilma Rouseff, com o então ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, e com o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho. A estrutura em forma de bola fica no pátio do Estádio Rei Pelé,  no bairro Trapiche, em Maceió. Durante a cerimônia, convidados, jornalistas,  autoridades e a homenageada – alagoana de Dois Riachos – estavam presentes. O espaço ficou pequeno para tanta gente. O local foi construído para exibir medalhas, troféus, camisas e outros objetos de Marta Vieira Silva, eleita cinco vezes consecutivas a melhor jogadora de futebol feminino do mundo. Só que a festa durou apenas um dia. Já na manhã seguinte, véspera de Natal,  as portas estavam fechadas e todos os itens haviam sido retirados. Um ano e três meses depois, o Memorial Rainha Marta continua vazio e esquecido. Uma placa de execução da obra, que ainda pode ser vista numa das paredes do estádio, mostra que o orçamento inicial foi de R$ 483.138,00. A pedra fundamental foi lançada em 2011.

MARTA

Segundo o superintendente do Estádio Rei Pelé, Thiago Bonfim, o memorial foi inaugurado ainda inacabado. “Parece que o antigo governo quis inaugurar depressa, mas, enquanto as obras não terminarem, não podemos fazer nada”, lava as mãos.  E aí começa o jogo de empurra. O projeto é de responsabilidade da Seinfra (Secretaria de Infraestrutura e Obras). O secretário executivo de Infraestrutura, Humberto Carvalho Junior, rebate: “As obras estão prontas, sim. A única coisa que falta é enviar o termo de entrega à Secretaria de Esporte”. O documento serveria para oficializar o término das obras. Desse modo, Thiago e equipe poderiam assumir a reabertura e a manutenção do memorial.

Mas aí começa outro problema, que envolve diretamente a jogadora Marta. “Ela não quis deixar os objetos ali com medo de que eles fossem roubados”, afirma o jornalista alagoano Denison Roma.   Fabiano Farah, assessor de imprensa de Marta, confirma a história e diz que expor os troféus, medalhas, chuteiras e demais itens originais da jogadora, atualmente no Rosengard, da Suécia, está fora de cogitação. “Sabemos que deixar o memorial vazio não é bom nem para o nome da Marta e nem para o nome do estádio, mas infelizmente não temos o que fazer. Os objetos originais jamais seriam expostos sem a devida segurança”. Farah explica que a promessa feita a ela, antes da inauguração oficial, era que réplicas substituiriam os itens originais. “Enquanto não tivermos as obras concluídas não faz sentido movimentar homens para fazer a segurança”, defende Thiago Bonfim. Quem deveria ter feito as réplicas é a Secretária de Esporte, que manda avisar que as réplicas só serão feitas assim que a reforma for concluída. Deu para entender? Custava combinar tudo isso antes de gastar meio milhão de reais?

Num primeiro contato feito pelo Blog do Curioso, Humberto disse que os termos seriam entregues à Secretária de Esporte até a primeira semana de fevereiro.  Não foram. “Eles vão nos ligar, dizer mais uma vez que está tudo pronto. Mas, na verdade, nada sai do lugar”, reclama, descrente, Fabiano Farah.