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Memorial em homenagem à jogadora Marta só funcionou no dia da inauguração

29 de março de 2016

O Memorial Rainha Marta foi inaugurado com toda pompa e circunstância na manhã do dia 23 de dezembro de 2014. A solenidade contou com a presença da presidente Dilma Rouseff, com o então ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, e com o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho. A estrutura em forma de bola fica no pátio do Estádio Rei Pelé,  no bairro Trapiche, em Maceió. Durante a cerimônia, convidados, jornalistas,  autoridades e a homenageada – alagoana de Dois Riachos – estavam presentes. O espaço ficou pequeno para tanta gente. O local foi construído para exibir medalhas, troféus, camisas e outros objetos de Marta Vieira Silva, eleita cinco vezes consecutivas a melhor jogadora de futebol feminino do mundo. Só que a festa durou apenas um dia. Já na manhã seguinte, véspera de Natal,  as portas estavam fechadas e todos os itens haviam sido retirados. Um ano e três meses depois, o Memorial Rainha Marta continua vazio e esquecido. Uma placa de execução da obra, que ainda pode ser vista numa das paredes do estádio, mostra que o orçamento inicial foi de R$ 483.138,00. A pedra fundamental foi lançada em 2011.

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Quinze meses depois da inauguração, o Memorial Rainha Marta permanece fechado, vazio e sem previsão de abertura

Segundo o superintendente do Estádio Rei Pelé, Thiago Bonfim, o memorial foi inaugurado ainda inacabado. “Parece que o antigo governo quis inaugurar depressa, mas, enquanto as obras não terminarem, não podemos fazer nada”, lava as mãos.  E aí começa o jogo de empurra. O projeto é de responsabilidade da Seinfra (Secretaria de Infraestrutura e Obras). O secretário executivo de Infraestrutura, Humberto Carvalho Junior, rebate: “As obras estão prontas, sim. A única coisa que falta é enviar o termo de entrega à Secretaria de Esporte”. O documento serveria para oficializar o término das obras. Desse modo, Thiago e equipe poderiam assumir a reabertura e a manutenção do memorial.

ESTÁDIO REI PELÉ A placa de inauguração: autoridades inauguraram a obra que jamais funcionou de verdade

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O valor inicial do contrato foi de quase meio milhão de reais. Agora dizem que a obra não foi concluída

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Mas aí começa outro problema, que envolve diretamente a jogadora Marta. “Ela não quis deixar os objetos ali com medo de que eles fossem roubados”, afirma o jornalista alagoano Denison Roma.   Fabiano Farah, assessor de imprensa de Marta, confirma a história e diz que expor os troféus, medalhas, chuteiras e demais itens originais da jogadora, atualmente no Rosengard, da Suécia, está fora de cogitação. “Sabemos que deixar o memorial vazio não é bom nem para o nome da Marta e nem para o nome do estádio, mas infelizmente não temos o que fazer. Os objetos originais jamais seriam expostos sem a devida segurança”. Farah explica que a promessa feita a ela, antes da inauguração oficial, era que réplicas substituiriam os itens originais. “Enquanto não tivermos as obras concluídas não faz sentido movimentar homens para fazer a segurança”, defende Thiago Bonfim. Quem deveria ter feito as réplicas é a Secretária de Esporte, que manda avisar que as réplicas só serão feitas assim que a reforma for concluída. Deu para entender? Custava combinar tudo isso antes de gastar meio milhão de reais?

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O interior do memorial está sem as prometidas réplicas de medalhas, troféus, camisas e outros objetos da maior jogadora de futebol feminino da história (Foto: Denison Roma)

Num primeiro contato feito pelo Blog do Curioso, Humberto disse que os termos seriam entregues à Secretária de Esporte até a primeira semana de fevereiro.  Não foram. “Eles vão nos ligar, dizer mais uma vez que está tudo pronto. Mas, na verdade, nada sai do lugar”, reclama, descrente, Fabiano Farah.

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