O apagão ontem no Estádio Centenário, na cidade argentina de Resistência, a 940 km de Buenos Aires, impediu que tivéssemos um campeão para a versão 2012 do Superclássico das Américas. A Conmebol promete marcar uma nova data para a realização do jogo. Bem, eu dividiria o troféu ao meio e ponto. Metade para o Brasil e metade para a Argentina. Está achando essa ideia estranha? Pois isso aconteceu com o São Paulo do Rio Grande do Sul, que completou hoje 104 anos. O time tem a quinta maior torcida do Estado, participou três vezes da Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro e ganhou um título estadual, em 1933. Mas a passagem mais curiosa da história da equipe foi justamente a divisão de uma taça com um adversário.

A história aconteceu  em 1940. São Paulo e Rio Grande se uniram contra o Riograndense, que liderava o campeonato estadual, e deixaram a competição. Esse boicote durou dois meses e deixou os estádios da cidade vazios.  A Federação Riograndense de Futebol propôs, então, que os times disputassem a Taça Confraternização, como uma forma de amenizar o clima hostil. Reza a lenda que quem disputou a final foram São Paulo e Rio Grande e que, depois de uma série de empates e disputa de pênaltis, as equipes teriam decidido serrar o troféu ao meio e dividir o prêmio.

No entanto, uma pesquisa do jornalista Willy César, autor do livro “Sport Club São Paulo – Um Século de Futebol Popular”, desmente a história. O que ele defende é que, na verdade, não tenha havido essa série de empates. O São Paulo ganhou o campeonato, com uma vitória e um empate no triangular. Em segundo lugar, ficou o Riograndense e, por último, o Rio Grande. O São Paulo, em solidariedade ao parceiro Rio Grande (e, certamente, como um ato de provocação ao Riograndense), resolveu, por livre e espontânea vontade, repartir a taça e ceder metade dela ao aliado.
O jornalista esportivo José Cruz, que mantém um blog no UOL Esporte, também foi atrás da taça, depois de ficar sabendo da história contada pelo campeão mundial Nilton Santos, que havia sido técnico do São Paulo. Ele pegou a estrada rumo a Rio Grande, que fica quase na fronteira com o Uruguai, e encontrou metade da taça no Museu da Cidade de Rio Grande, como uma peça de destaque. Ao ouvir dizer que a outra metade estava na sede do São Paulo, não hesitou em ir até lá. “Quando vi o ‘monumento’, me emocionei: estava diante de um belo capítulo de nosso futebol”, lembra José Cruz. Hoje, a relíquia do Sport Club Rio Grande – o time brasileiro mais antigo em atividade –  fica no Memorial  localizado na sede do clube.

A HISTÓRIA DA TAÇA CORTADA AO MEIO

Mesmo depois de uma pesquisa detalhada, José Cruz não conseguiu deixar Rio Grande com 100% de certeza. “Por se tratar de um torneio de confraternização, é provável que tenha havido esse gesto, mas não está confirmado”. Na cidade, ninguém consegue provar essa hipótese com documentos. O que é certo é que o São Paulo saiu ganhando. Repare nas fotos – o bonequinho escapou da serra e ficou com o time campeão.

A origem do Dia Nacional do Futebol

O Dia Nacional do Futebol é comemorado em 19 de julho. A data foi escolhida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no ano de 1976. É uma homenagem ao Sport Club Rio Grande, do Rio Grande do Sul, fundado em 19 de julho de 1900 – o time de futebol mais antigo em atividade no Brasil.