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Curiosidades dos hinos dos times de futebol

3 de julho de 2020

Você conhece o hino oficial de seu clube? Muitos clubes brasileiros têm dois hinos: o oficial e aquele realmente cantado pelas torcidas. Os oficiais, bem mais antigos, são cheios de versos rebuscados e praticamente caíram no esquecimento.

O hino oficial do Flamengo, criado pelo ex-goleiro do clube Paulo Magalhães, começa assim: “Flamengo, Flamengo/Tua glória é lutar/Flamengo, Flamengo/Campeão de terra e mar”. Mas foi o hino composto por Lamartine Babo na década de 1940 que pegou.  Ou você nunca ouviu o “Uma vez Flamengo/Sempre Flamengo”?

Hino de clube era coisa tão séria que poetas eram escalados para escreve-los. O poeta Coelho Neto apresentou em 1915 o primeiro hino do Fluminense. A música era de um sucesso inglês, It´s a Long, Long Way to Tipperary, de H. Williams. A primeira estrofe dizia assim: “O Fluminense é um crisol/onde apuramos a energia/ao pleno ar/ao pleno sol”. Coelho Neto era pai de Preguinho, um dos maiores ídolos da história do Fluminense e autor do primeiro gol da Seleção Brasileira em Copas do Mundo, em 1930. O Tricolor das Laranjeiras teria ainda outro hino, com letra e música de Antônio Cardoso de Menezes Filho: “Companheiros de luta e de glória/na peleja incruenta e de paz/disputamos no campo a vitória/do mais forte, mais destro e sagaz”. E por aí vai.

Mais difícil ainda é o hino oficial do Vasco, composto pelo poeta Joaquim Barros Ferreira da Silva. Só mesmo levando o dicionário para a arquibancada. “Clangoroso, apregoa, altaneiro/O clarim estridente da fama/Que dos clubes do Rio de Janeiro/O invencível é o Vasco da Gama”.

Entre os paulistas, quem trocou de hino foi o Santos. “Sou alvinegro da Vila Belmiro/O Santos vive no meu coração/É o motivo de todo o meu riso/De minhas lágrimas e emoção”: começava assim a música de Carlos Henrique Roma, criada em 1912. Ele durou até 1955, quando Mangeri Neto e Mangeri Sobrinho criaram o “Agora quem dá bola é o Santos” para festejar o título paulista de 1955.

No ano de sua fundação, em 1921, o Cruzeiro (ainda chamado de Palestra Itália) ganhou seu hino, com letra do poeta Tolentino Miraglia e música do maestro Arrigo Buzzachi. Os primeiros versos eram: “No campo da luta/Entramos contentes/Sentindo, freqüentes/As almas vibrar/E deste entusiasmo/Nos nasce a pujança/Na firme esperança/De sempre ganhar”. O hino atual (“Cruzeiro, Cruzeiro querido/Tão combatido, jamais vencido) é de autoria de Jadir Ambrósio.

Em 1942, Lamartine Babo (torcedor do América) apresentava o programa Trem de Alegria, ao lado de Héber de Bôscoli (torcedor do Flamengo) e Iara Sales (Fluminense). Ele ia ao ar às segundas-feiras e os três faziam comentários bem-humorados sobre a rodada do final de semana. Para ilustrar o programa, Lamartine criou marchinhas para cada clube. Só que estes hinos foram adotados pelos torcedores e destronaram os antigos.

A música do hino palmeirense foi feito em 1949 por Antônio Sergi, maestro da Orquestra Colúmbia e diretor musical da Rádio Cruzeiro do Sul, a mais importante da época. A letra — “Quando surge o alviverde imponente” – é de autoria do jornalista Gennaro Rodrigues, que trabalhava no jornal A Gazeta Esportiva.

O conjunto musical La Media Noche deixou o Rio de Janeiro para fazer uma excursão a Porto Alegre. Um de seus integrantes, Nélson Silva, acabou ficando por lá e ganhou o concurso que o Internacional fez para a escolha de seu hino na década de 1960.

Um nome ilustre assina o hino da Portuguesa. É o cantor e compositor português Roberto Leal, ao lado de Márcia Lúcia. O hino diz: “Vamos à luta, ó campeões/Hão de vibrar os nossos corações/Da tua glória, toda a certeza”.

Letras cheias de mistério 

Conheça o significado de alguns trechos bem enigmáticos dos hinos:

Hino do Atlético Mineiro

(…) “nós somos campeões do gelo”

O autor Vicente Mota se inspirou nos hinos cariocas de Lamartine Babo para criar a música do “Galo mineiro”. De onde veio esse gelo? Numa excursão à Europa, em 1950, o Atlético Mineiro jogou debaixo da neve. O hino também fala de “Nós somos campeões dos campeões”. É que, em 1936, o clube disputou um campeonato interestadual de clubes, promovido pela Federação Brasileira de Futebol. O Atlético venceu a Portuguesa na final por 3 x 2, em São Paulo.

Hino do Botafogo

“Botafogo, Botafogo/campeão desde 1910”

Botafogo e Fluminense ficaram brigando na Justiça durante 89 anos por causa do título do Campeonato Carioca de 1907. Apenas em 1996, a Federação local decidiu proclamar os dois times campeões. Desse modo, o primeiro título do clube deixou de ser o carioca de 1910. A torcida botafoguense mudou a letra original do seu hino e agora canta “campeão desde 1907”.

Hino do Corinthians

(…) “campeão dos campeões”

Em 1930, o Corinthians venceu o Vasco por 4 x 2, no Rio. Como eles eram os campeões dos dois principais torneios do país, o clube paulista se autoproclamou “campeão dos campeões” do Brasil. O hino foi composto pelo radialista Lauro d’Ávila entre 1951 e 1952, substituindo outro que nunca pegou.

Hino do Grêmio

(…) “até a pé nós iremos”

Uma greve dos transportes em Porto Alegre, no ano de 1953, inspirou a frase inicial do hino, criado por Lupicínio Rodrigues, um dos mais famosos compositores brasileiros. O Grêmio é o único clube que fala sobre um jogador em seu hino: (…) “Lara, o craque imortal/soube o teu nome elevar”. O goleiro Eurico Lara defendeu o clube de 1920 a 1935.

Hino do São Paulo

(…) “Do Paulistano imortal/Da Floresta também trazes/Um brilho tradicional”

É uma referência ao Clube Atlético Paulistano e à Associação Atlética Palmeiras, que deram origem ao novo clube. O hino foi criado pelo general Porfírio da Paz no dia em que ele não perdeu sua casa por falta de pagamento. Saiu pelas ruas para refrescar a cabeça e acabou criando uma letra em homenagem ao clube que ajudou a fundar.

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7 Comentários

7 Comentários

  1. NÚBIA RIBEIRO SÃO LUÍS - MA

    gostei muito de saber sobre mais sobre os hinos porque faço parte da produção de um programa na radio baganca fm, e estamos querendo falar mais sobre esse assunto.

    Responder
  2. NÚBIA RIBEIRO SÃO LUÍS - MA

    gostei muito de saber sobre mais sobre os hinos porque faço parte da produção de um programa na radio baganca fm, e estamos querendo falar mais sobre esse assunto.

    Responder
  3. Everton Faustino

    Muito bom! Estou abordando com os meus alunos (as) aqui na ONG sobre a história dos Hinos dos maiores clubes brasileiros e encontrei um material rico.

    Responder
  4. Everton Faustino

    Muito bom! Estou abordando com os meus alunos (as) aqui na ONG sobre a história dos Hinos dos maiores clubes brasileiros e encontrei um material rico.

    Responder
  5. Luiz

    O Santos FC pode ter trocado de hino sim, mas não da forma como foi mencionada. Nos primeiros anos o clube usava um hino inspirado numa marcha militar inglesa da I Guerra Mundial, talvez a mesma música usada pelo Fluminense, mas que começava com “Nosso time sempre foi muito forte, desde o tempo do União, e duvido que alguém suporte nosso valor de campeão etc… e depois foi trocada pelo “Alvinegro da Vila Beilmiro”. A marchinha “Leão do Mar” se tornou predominante por força do hábito da mídia na época em que o Santos ganhava tudo, mas nunca foi oficialmente declarado como hino do clube.

    Responder
  6. Luiz

    O Santos FC pode ter trocado de hino sim, mas não da forma como foi mencionada. Nos primeiros anos o clube usava um hino inspirado numa marcha militar inglesa da I Guerra Mundial, talvez a mesma música usada pelo Fluminense, mas que começava com “Nosso time sempre foi muito forte, desde o tempo do União, e duvido que alguém suporte nosso valor de campeão etc… e depois foi trocada pelo “Alvinegro da Vila Beilmiro”. A marchinha “Leão do Mar” se tornou predominante por força do hábito da mídia na época em que o Santos ganhava tudo, mas nunca foi oficialmente declarado como hino do clube.

    Responder
  7. Angel

    Muito obrigada, tenho um trabalho de pauta na minha faculdade e me escalaram pra falar de hinos de time de futebol, essa matéria será uma ótima fonte, além de ser a única que achei sobre os hinos.

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