A famosa atração circense foi inspirada em uma história real. Uma mexicana descendente de índios chamada Júlia Pastrana (1834-1960) sofria de hipertricose, doença que faz nascer pelos grossos e escuros por todo o corpo. Ela tinha ainda a mandíbula projetada para a frente, lembrando mesmo um macaco. Seu 1,37 metro lhe dava ainda um ar mais assustador.

A mãe de Júlia a vendeu para um homem que fazia shows com aberrações. Outro empresário do ramo, Theodore Lent, enxergou em Júlia uma grande atração e a cortejou até que se casaram em 1854.

Lent ensinou a mulher a cantar e a dançar, números que Júlia passou a apresentar.

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Em 1860, o casal teve um filho que nasceu com o mesmo problema de hipertricose. Só que o bebê resistiu por apenas 35 horas. Alguns dias depois, Júlia também não suportou as complicações do parto e morreu. Lent vendeu os dois corpos para um professor da Universidade de Moscou. Quando percebeu que os corpos embalsamados viraram atração, Lent os pediu de volta. Passou a exibir as múmias de Júlia e do filho em cabines de vidro.

Algum tempo depois, Lent descobriu outra mulher-gorila e a apresentava como uma “irmã escondida de Júlia”. Ele morreu louco e na miséria (jogou quase todo o seu dinheiro no rio) em 1880.

No século XIX, a história de Júlia virou uma atração de ilusionismo. Com um jogo de espelhos, conhecido como “pepper’s ghost” (homenagem a seu criador, o cientista britânico John Henry Pepper), uma linda mulher se transformava na mulher-gorila, que fugia da jaula e perseguia os espectadores, que saíam correndo em desabalada correria.

No Brasil, na década de 1950, a figura da mulher-gorila já era vista no Parque Shangai, no bairro da Penha, Rio de Janeiro.

Entre 1977 e 1988, Monga foi uma das principais atrações do parque de diversões Playcenter, em São Paulo.

O nome “Monga”, que virou sinônimo para mulher-gorila no Brasil, foi criado por um artista circense chamado Romeu del Duque, que explorava a atração em circos e rodeios.