A tribo dos Panarás era conhecida como “índios gigantes”. Viviam na floresta que fica no norte do Mato Grosso desde 1920. Duzentos anos antes, tinham sido empurrados para fora de Goiás, que iniciava uma corrida do ouro. Eram misteriosos e sua ferocidade virou uma lenda entre as outras tribos. Segundo relatos, tinham mais de 2 metros. Alguns chegariam a 2,10 metros. Em 1967 e 1968, duas expedições tentaram encontrá-los em vão. Até que, em 1970, o governo mandou construir a rodovia Cuiabá-Santarém na Bacia do Rio Peixoto de Azevedo, onde eles viviam. Uma expedição dos irmãos Villasboas partiu para localizá-los. Em 1972, um trabalhador da rodovia foi flechado por um panará. O contato só seria feito em fevereiro de 1973. Alguns índios já estavam doentes por vírus trazidos pelo homem branco. O que mais impressionou é que a maioria tinha baixa estatura (por volta de 1,68 metro). Poucos eram altos.

Quando a estrada foi aberta, em 1974, as doenças se tornaram mais implacáveis. Dos 400 panarás distribuídos em nove aldeias, sobreviveram apenas 79. A Funai imediatamente tomou providências. Em janeiro de 1975, levou todos, em duas viagens, para o Parque do Xingu. Até 1989, eles mudaram-se sete vezes dentro do parque. Chegaram até a morar com os txucarramães, seus antigos inimigos. Em 1994, no entanto, eles retornaram ao Mato Grosso, numa área próxima ao Rio Iriri. Ali construíram a aldeia de Nacypotire, reconhecida pela Funai como área indígena.