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Shows de variedades da TV brasileira buscaram inspiração no Teatro de Revista

21 de setembro de 2021
Os shows de variedades são uma herança trazida do Teatro de Revista, uma das principais referências dos primórdios da televisão brasileira. O Teatro de Revista possuía algumas características básicas: espetáculos que alternavam humor com música e dança. A TV acabou por incorporar a entrevista – ou outro tipo de evento jornalístico – a esses elementos.

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O primeiro show realmente de variedades foi ao ar em 1957 pela TV Record Canal 7 de São Paulo e se chamava “Espetáculos Mullard”. Mullard, além de ser nome de loja, era também uma marca de aparelho de rádio e televisão. Trazia em seu elenco nomes como Mazzaropi, Grande Otelo, Oscarito, Renata Fronzi e Mara Rúbia. No Rio de Janeiro, pela TV Rio, também em 1957, o primeiro grande show de variedades foi “Noite de Gala”, programa criado por Geraldo Casé, pai de Regina Casé. Era apresentado por Flávio Cavalcanti e tinha duas horas de duração, ou até mais, e trazia esquetes humorísticos, entrevistas, música e dança. No programa de estreia, um dos convidados foi o duas vezes medalhista de ouro olímpico Adhemar Ferreira da Silva, que deu seu salto triplo em pleno palco.
Magalhães Júnior, especialista em TV, apresenta seus favoritos:

“Bibi Sempre aos Domingos”

Bibi Ferreira esteve à frente desse espetáculo na TV Excelsior de São Paulo. O programa começou com o nome “Brasil 60”, por ter sido lançado em 1960. Depois foi mudando de nome de acordo com o ano: “Brasil 61”, “62”, “63”, “64”… Bibi Ferreira – atriz, cantora, dançarina, diretora e apresentadora – era um show à parte. Contracenava com grandes comediantes, fazia duetos com cantoras e cantores, e sabia comandar um entrevista. Ela tinha o apoio nos bastidores de Túlio de Lemos e Walter George Durst. Em 1965, o programa passa a se chamar “Bibi Sempre aos Domingos”, com três horas de duração.

“Moacyr Franco Show”

Começou em 1963 na TV Excelsior de São Paulo. Mesmo com os poucos recursos da época, Moacyr mostrava no palco, ao vivo, sua versatilidade. Ele fazia o show: a dança, a música, a entrevista, o humor… tudo,  Tanto é que ele levou o programa para a TV Record e ali também fez o show acontecer. O programa  ainda passaria por Globo, SBT e Band. Sempre reconhecido, aplaudido e premiado.

“Corte Rayol Show”

Estreou na TV Record em dezembro de 1965 e era exibido nas noites de sextas-feiras. O programa era apresentado pelo cantor Agnaldo Rayol e pelo comediante Renato Corte Real. O programa foi sucesso desde a sua estreia e figurou entre as principais atrações da emissora durante os três anos em que ficou no ar. Diferente de Bibi Ferreira e Moacyr Franco, que tinham sets de cenário no palco, o “Corte Rayol Show” tinha apenas a orquestra no palco. Mas a parceria entre Agnaldo e Renato era tão perfeita que eles faziam o público imaginar outros cenários.

“Grande Show União”



O “Grande Show União”, da TV Record, ficou no ar entre 1959 e 1963, com essa pegada de humor mesclado com música. O palco era dividido em sets giratórios, que permitiam uma pequena mudança de cenário bem ao estilo teatro de revista. A parte musical era um show dentro do show, pois ficava a cargo da dupla Alvarenga e Ranchinho, mestres na arte da sátira política e de costumes. Durante um tempão, o ponto alto do “Grande Show União” ficou a cargo das cenas do casal Santinha e Epitáfio, interpretados por Nair Bello e Renato Corte Real, uma criação do próprio Renato.

“Viva o Vovô Deville”

“Viva o Vovô Deville”, exibido pela TV Excelsior em 1963, uma criação do grande Sérgio Porto. O título era uma brincadeira com a expressão “vaudeville”, gênero de variedade teatral do final do século 19, que envolvia números de música, comédia, dança, mágica, imitações. “Viva o Vovô Deville” trazia para a TV as grandes revistas com suas vedetes, números musicais e vários esquetes de humor. Um dos momentos mais esperados do programam era a participação do Coral dos Bigodudos. Era interpretado por ator e atrizes, todos com uma espécie de toga e usando longos bigodes cantando paródias satirizando a política e os costumes.

“Times Square”

“Times Square” considerado por muitos como o maior musical-humorístico já realizado pela TV brasileira, estreou pela TV Excelsior do Rio em 1963. Tinha como base quatro casais, que faziam a maior parte dos números de dança, música e humor. Mais havia também um quinto casal, mais emblemático, formado por Grande Otelo e a mulata Aizita Nascimento. Infelizmente o que existe são apenas alguns segundos de imagem deste show, que foi considerado uma aula de Teatro de Revista televisionado. Tudo era coreografado e apresentado ao melhor estilo Broadway.

“Show do Dia 7”

O “Show do Dia 7”, exibido pela TV Record entre os anos de 1966 e 1969. foi criado para ser apenas um especial de final de ano. A TV Record possuía o maior elenco musical-humorístico da TV. Em 7 de dezembro de 1965, a emissora resolveu finalizar o ano com um grande show. O sucesso foi tão grande que a emissora instituiu que, a partir dali, todo dia 7 de cada mês, independente do dia da semana, a programação teria um grande show de música, humor e dança. Alguns shows chegaram a ser temáticos. Por exemplo, em 1967, aproveitando-se da popularidade de “A Família Trapo”, um “Show do Dia 7” foi realizado no cenário da família como se fosse o aniversário do Bronco, personagem de Ronald Golias. Num outro programa, em 1969, foram encenadas famosas histórias infantis. A história dos Três Porquinhos e do Lobo Mau teve a participação de três rotundos comediantes – Jô Soares, Pagano Sobrinho e Manoel de Nóbrega. O Lobo Mau foi interpretado pelo rei… Roberto Carlos.

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