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O “mendigo da praça”: um personagem, dois atores

21 de setembro de 2021

Zé Bonitinho, que era o perigote das mulheres, surgiu na TV brasileira no finalzinho dos anos 1950. Foi criado pelo próprio Loredo para a TV Rio e inicialmente escrito pelo Chico Anysio. Pouca gente se lembra (ou sabe) que Jorge Loredo interpretou vários outros personagens, entre eles um mendigo, que tem uma história bastante curiosa. Esse mesmo mendigo era feito em São Paulo, na mesma época, por outro comediante. Ou seja: o mesmo personagem interpretado por dois artistas.

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Em 1957, na TV Paulista Canal 5, Manoel de Nóbrega estreou o programa “Praça da Alegria”. Um dos personagens criados por ele era um mendigo, interpretado por Borges de Barros. O personagem não tinha nome. Era muito culto, falava bem e fazia referências a grandes personalidades, como se as conhecesse pessoalmente. Era chamado de “Caro Colega”, que era a forma como cumprimentava Manoel de Nóbrega. Dois anos depois, em 1959, Manoel de Nóbrega e todo o seu elenco foram contratados para apresentar a “Praça da Alegria” na TV Rio. O único comediante que não pôde atender a esse convite foi justamente Borges de Barros. Só que seu personagem já era marcante àquela altura do programa. Foi, então, indicado a Nóbrega um ator que começava a despontar: Jorge Loredo. Ele acabou compondo um personagem totalmente diferente, mas mantendo a ideia original. O mendigo de Loredo tinha detalhes de um lorde inglês, usando monóculo e bengala.
Mas essa não foi a primeira vez que “um personagem, dois atores” aconteceu na televisão brasileira. Em 1954, a TV Tupi de São Paulo passou a apresentar o programa “Alô Doçura”, com Eva Wilma e Mário Sérgio. Embora Eva e Mário Sérgio não tivessem personagens fixos, os dois eram sempre os principais personagens de cada episódio. Naquele mesmo ano, Mário Sérgio recebeu um convite para atuar no exterior e acabou sendo substituído por Johnny Herbert. “Alô, Doçura” era levado ao ar às terças e quintas, ao vivo. A partir de 1955, “Alô Doçura” passaria a ser exibida também na TV Tupi do Rio. Não havia videotape e nem transmissão simultânea entre Estados. Assim. o mesmo texto era interpretado com uma dupla de protagonistas diferentes de São Paulo. No Rio, o casal “Alô Doçura” era formado por Haydée Miranda e Paulo Maurício.

Primeiro herói da TV brasileira, o Falcão Negro, criado e escrito por Péricles Leal e interpretado por José Parisi, enfrentou a mesma situação. Em 1957, a TV Tupi do Rio também passou a exibir o “Falcão Negro”, só que com Gilberto Martinho no papel principal.

Em 1972 a TV Globo apresentava com grande sucesso a novela “O Primeiro Amor”. O personagem principal, o professor Luciano, era interpretado por Sérgio Cardoso. Faltando 28 capítulos para o final da novela, Sérgio Cardoso faleceu repentinamente de um ataque cardíaco. Foi um choque para o público, para o elenco e para toda a direção. Em meio a tanto sofrimento havia a dúvida: encerrar ali a novela ou continuar? A decisão tomada pela emissora foi continuar a novela, substituindo o ator e mantendo o personagem. O escolhido foi o ator Leonardo Villar, que – entre outros trabalhos – havia ganho a Palma de Ouro com o filme “O Pagador de Promessas”.

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