Novo Livro O Guia dos Curiosos - Edição Fora de Série

Quatro pioneiros da TV brasileira que foram esquecidos

16 de novembro de 2021

Magalhães Júnior continua homenageando pioneiros da TV pouco lembrados atualmente. No programa de hoje, ele relembra da carreira de Lúcia Lambertini, Lea Camargo, Murilo de Amorim Correa e Amândio Silva Filho.

Prev 1 of 1 Next
Prev 1 of 1 Next

Lea Camargo

“Ela tinha, tem e sempre terá o sorriso mais fotogênico da TV brasileira”, afirma Magalhães. Lea Camargo Sant’anna nasceu em São Paulo em 1933. Formada em Teatro pela Escola de Arte Dramática, Lea Camargo também foi atleta do Clube Paulistano, participando de provas de corrida de 75 metros, corrida com barreiras e salto em altura. Casada com o também ator Xandó Batista, Lea começou nos palcos antes de ir para TV, rádio e cinema. Em televisão, ela iniciou a carreira Tupi de SP, em 1952, participando do “Grande Teatro das Segundas-feiras”. Também atuava como “anunciadora”, como eram chamadas as garotas-propaganda. Participou como atriz de inúmeros teleteatros, programas de entrevista, de humor e de variedades. Atuou em trinta novelas, passando pelas principais emissoras do país.

Apesar de todo esse currículo, a personagem que marcou o talento da Lea Camargo foi Televina, criada em 1956 pelo autor e diretor Syllas Roberg. Televina era uma personagem cômica, de estilo atrapalhado, que fazia parte da programação diurna da TV Record. Era inicialmente um quadro dentro de um programa “Teverama”. Em “Televina – Isso está errado”, a personagem passava ideias de comportamento e cidadania (numa época em que pouco se falava do tema). A interpretação e carisma de Lea Camargo logo conquistaram o público, tendo tornado a personagem maior que o próprio programa. Assim, em 1957, Televina ganhou seu próprio programa em horário noturno: “Televina Pintando o 7 (num trocadilho envolvendo o Canal 7, sintonia da TV Record). “Televina” ficou no ar em 1957 e 1958. Pela empatia da personagem, Lea foi premiada com o Troféu Roquette Pinto. Desse modo, em 1957, ela foi a primeira atriz a ser premiada como humorista.

Amândio Silva Filho

Antônio Amândio Alves da Silva Filho nasceu em 1926, na cidade de Belém do Pará, e faleceu no Rio de Janeiro em 1993. Algumas fontes apontam que ele é gaúcho de Pelotas, mas seus pais só se mudaram para lá quando ele tinha 1 ano. Muito magro e bastante míope, Amândio começou como locutor e teleator na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, na mesma época em que escrevia uma coluna sobre artes no jornal “Diário de Notícias”. Sua paixão pelo palco o levou ao Teatro do Estudante do Rio Grande do Sul. Foi essa mesma paixão que o fez tentar a sorte em São Paulo no início dos anos 1950. Foi apresentado a Júlio Gouveia, diretor do TESP (Teatro Escola de São Paulo), que logo lhe deu a primeira chance na TV.

Em 1958, Amândio começou a fazer brilhar seu lado cômico no programa “Maestro Hi-Fi-El”, programa escrito e dirigido por Lúcia Lambertini e sonorizado por Salatiel Coelho. O sucesso deste personagem o colocou como revelação na TV o que o levou a ganhar o Troféu Roquette Pinto de 1957 como Revelação Masculina.

Amândio sempre se destacou como excelente comediante, embora tenha atuado como atore dramático em algumas novelas, como, por exemplo, em Clarissa pela Tv Cultura, ao lado de Verinha Darcy (irmã de Sílvio Luiz). Amândio participou de inúmeros programas de humor, tais como: “Vivaldino Mulherengo” (TV Excelsior, 1960), “Que Rei sou eu?” (TV Paulista, 1961), “Coitado do Ventura” (TV Tupi, 1964), “Bairro Feliz” (TV Globo, 1965). Mas o programa que lhe deu a maior visibilidade foi “Sandarino Bourbon”, criado por Walter George Durst.

Murilo de Amorim Correa

Murilo nasceu em Campinas (SP) em 1925 e faleceu em São Paulo no ano de 1997. Começou a carreira como radioator, mas logo as suas imitações de políticos, como Jânio Quadros e Adhemar de Barros, o fizeram ser premiado. Pelo menos na primeira década de vida da TV brasileira, Murilo participava da maioria dos programas de humor com imitação. Ficou famoso o programa, no início dos anos 1960, em que ele fez três imitações contracenando entre si: Jânio, Adhemar e o jornalista Silveira Sampaio.

Mas outros três personagens consagrariam a carreira de Murilo Um no rádio, um na dublagem e outro na TV. No rádio, Jacinto, o Donzelo era um caipira inocente, que vivia querendo arrumar uma namorada. Na dublagem, Murilo deu voz ao elefante Jotalhão, personagem criado por Mauricio de Souza, nos comerciais do extrato de tomate Elefante.

O grande personagem de Murilo na TV foi o Comendador Vitório, uma criação de Irvando Luiz para o programa “Grande Show União”, de 1960, na TV Record. Comendador Vitório era um italiano casado com Marieta (Maria Tereza), ambos extremamente ingênuos. Vários discos, gravados ao vivo em shows e lançados nos anos 1960, sempre venderam muito.

Lúcia Lambertini

Lúcia Vitória Lambertini nasceu em 1926 na cidade de São Paulo, mesmo local onde viria a falecer em 1976. A história da Lúcia Lambertini na TV começa em 1952 quando ela se apresenta com o TESP, escola de teatro fundada por Júlio Gouveia. Lúcia Lambertini foi multitarefa em termos de televisão: atriz cômica e dramática, apresentadora de programa infantil e adulto, autora de várias novelas infanto-juvenis, diretora de elenco, diretora de dublagem, diretora de imagens e diretora geral. Assim como os outros nomes aqui apresentados, Lúcia Lambertini também teve aquele personagem com o qual ela ficou marcada, conhecida e famosa. Ela foi a primeira boneca Emília do “Sítio do Picapau Amarelo”.

Esta página contém links de afiliados. Ao fazer uma compra por um desses links, o Guia dos Curiosos recebe uma comissão e você não paga nada a mais por isso.

Artigos Relacionados

O garimpador de histórias da TV

O garimpador de histórias da TV

Apesar de ser uma ferramenta maravilhosa, a internet ainda é muito defasada com relação à história da TV brasileira e seus personagens. Pesquisar sobre nossa televisão é, antes de mais nada, um trabalho de garimpagem. As pesquisas que Magalhães Júnior faz há quase 20...

Uma viagem curiosa no “Túnel do Tempo”

Uma viagem curiosa no “Túnel do Tempo”

"O Túnel do Tempo" estreou no Brasil em 14 de setembro de 1967 pela TV Tupi de São Paulo, sendo exibida em horário nobre, às quintas-feiras. "O Túnel do Tempo" foi uma criação do americano Irwin Allen, que já havia produzido as séries "Viagem Ao Fundo do Mar" e...

Quem foram as pioneiras da literatura fantástica no Brasil

Quem foram as pioneiras da literatura fantástica no Brasil

Pouco se fala sobre as primeiras brasileiras que escreveram literatura fantástica (a ficção científica, a fantasia e o horror). Desde o final do século XIX, o país sempre tivemos narrativas utópicas, fantasias moralizantes e romances de ciência. Mas a discussão e o...

0 Comentários

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Share This