Magalhães Júnior conta histórias e curiosidades de quatro grandes mulheres que ajudaram a construir e pavimentar a história da teledramaturgia brasileira: Cacilda Lanuza, Líria Marçal, Maximira Figueiredo e Rita Cléos. São atrizes importantes que uma parte do público já esqueceu e que uma outra parte sequer sabia que existiram.

Cacilda Lanuza

Cacilda Lanuza de Godoy Silveira, natural de Campina Grande (PB), foi locutora, radioatriz, apresentadora, entrevistadora, atriz de cinema, teatro e TV. Ela começou em 1950 como locutora e radioatriz na Rádio Jornal do Commercio, de Pernambuco. Em 1953, ela estreou no cinema com o filme “O Canto do Mar”, de Alberto Cavalcanti. Dois anos depois, Cacilda seria contratada pela Rádio Nacional, de São Paulo, como radioatriz, e pela TV Paulista Canal 5, como apresentadora. Seu primeiro trabalho na televisão foi a apresentação do programa “Vitrine Feminina”. Não demora muito e ela protagoniza teledramas da emissora e suas atuações a levam a ganhar, logo no seu primeiro ano, o troféu Roquette Pinto como revelação feminina de 1955.

Cacilda Lanuza

A partir dali, Cacilda passou a mostrar toda a sua versatilidade. Como atriz cômica, contracenou com Manoel de Nóbrega no humorístico “Clímax para Milhões”. Na série “Intimidade”, ele fazia par com Daniel Guimarães. Cacilda Lanuza também apresentou o telejornal “Mappin-Movietone” e foi apresentadora do “Teledrama 3 Leões”. Depois que se afastou dos palcos e da televisão, ela fundou a ONG Grupo Seiva da Ecologia, voltada para a preservação do meio ambiente. Ela defendeu essa causa até 2018, ano de sua morte.

 

Líria Marçal

Líria Marçal chamava-se, na verdade, Dayse Pulice. Paulista de Lins, ela foi radioatriz, atriz de cinema, teatro e TV, além de apresentadora e dubladora. Líria começou a carreira televisiva em 1956 como garota-propaganda na TV Record, Canal 7. No ano seguinte, ela foi contratada pela TV Paulista como atriz dramática, passando a participar de teleteatros, como “Conto Policial”, do “Grande Teatro OVC”, ou “Salomé, do “Teledrama”. Participou da série juvenil “Colégio de Brotos” ao lado de Walter Foster. Dos teleteatros, Líria passou às telenovelas, sempre na TV Paulista. Destaques para: “Valsa da despedida”, “Eu amo esse homem” e “Torturas d’alma”. Ela teve o privilégio de ser convidada a participar da primeira telenovela da TV Globo em São Paulo no ano de 1965 –  “O Ébrio”, com Ricardo Nóvoa e o cantor Vicente Celestino.
Líria Marçal

 

Na dublagem, Líria Marçal emprestou sua linda voz para atrizes como Rita Hayworth, Rosalind Russel, Sophia Loren, Gina Lollobrigida e Kim Novak. Também dublou séries famosas, como “Chaparral” e “Big Valley”. Mas seu trabalho de maior destaque foi a voz de Barbara Eden na série “Jeannie é um gênio”.

 

Maximira Figueiredo

A atriz, apresentadora, cantora e dubladora Maximira Figueiredo nasceu em São Paulo em 1939  A carreira artística de Maximira Figueiredo começa com uma curiosidade: ela ingressa no meio artístico, já como protagonista de novela, por causa de um…. concurso. Em 1956, a TV Paulista lançou a promoção “À procura de Neli”. Foi uma jogada de marketing das Lojas Assunção, patrocinadora da nova novela: “Neli”, de Waldir Wey. Maximira, que não tinha experiência alguma, se candidatou mais por farra. Participou dos testes e acabou ganhando  um contrato exclusivo com o patrocinador. Muita gente pensava que aquela seria sua primeira e única novela na televisão. Mas Maximira foi contratada pela direção da OVC (Organizações Victor Costa), dona da Rádio Nacional de São Paulo e da TV Paulista.

Maximira Figueiredo

 

Também foi apresentadora infantil, fazendo o papel da Fadinha da “Sessão Zaz-Traz”. Isso sem falar na sua desenvoltura como entrevistadora. Como dubladora, Maximira participou de séries japonesas famosas, como “Jaspion”, “Changeman” e “Jiraya”, e um desenho muito bacana da TV Cultura chamado “Os animais do bosque dos vinténs” (ela dava voz à coruja).Participou nos anos 1970, 1980 e 1990 de novelas nas TVs Bandeirantes, Record e SBT. Nesta última, ela fez a grande vilã Rosália em “Pérola Negra”, de 1998. Faleceu na Praia Grande, no litoral paulista, em 2018.

 

Rita Cléos

Seu nome de batismo era Rita Schadrack. Nasceu Blumenau (SC) no ano de 1931. Quando fazia teatro, ainda antes de entrar para a TV, ela interpretou Cleópatra em uma peça. Saiu-se tão bem que os colegas sugeriram que ela adotasse Cleós para substituir o Schadrack. Para facilitar a pronúncia, Cleós virou Cléos. A sua carreira artística começa em 1953 fazendo cinema e teatro. Ela começou na TV Tupi de São Paulo em 1958. Uma de suas primeiras participações foi em “A morte civil”, do Grande Teatro Tupi. Passa também pela comédia no programa “Ah…legria Kolynos”, comandado pelo jornalista Goulart de Andrade. Em 1965, ela protagoniza “O cara suja”, ao lado de Sérgio Cardoso. A novela conta a história do feirante calabrês Ciccilo, que enriquece ao ganhar na Loteria Federal e se torna alvo da elite paulista. “O cara suja” torna-se rapidamente um sucesso e Rita Cléos passa a ser chamada por todos carinhosamente de “Biondina” (loirinha), que era como Ciccilo a chamava.

RITA CLEOS

 

Em 1967, Rita Cléos vai para a TV Excelsior e participa da novela “Redenção”. No ano seguinte, ela estreia na TV Globo em “Sangue do meu sangue”. Também foi dubladora o. Na série “Cidade Nua”, Rita deu voz à detetive Libby Kingston (Nancy Malone). Em  “A Feiticeira”, ela fez a própria linda bruxinha Samantha Stephens a partir da segunda temporada (a atriz Nícia Soares fez a voz na primeira). Rita Cléos faleceu em Curitiba em 1988.