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Hoje tem palhaçada? Os palhaços pioneiros da televisão

21 de junho de 2021

O palhaço tem uma importância fundamental na sedimentação da TV brasileira. Nos anos 1950, quando a televisão nasce no país, o circo era uma das mais importantes formas de expressão cultural que havia. A chegada de um circo numa cidade era sempre um acontecimento.

Em 1951, a TV Tupi colocou no ar o programa “TV no Circo”, comandado por Walter Stuart, que pertencia a uma famosa família circense de sobrenome Canales. Em 1952, ele passaria a se chamar “Pantomimas Circenses”. No mesmo ano, ganharia o nome que o consagrou: “Circo Bom-Bril”. Ficou no ar até metade dos anos 1960, sempre com Walter Stuart no comando, trazendo para o vídeo tudo aquilo que o circo tem de melhor: equilibristas, malabaristas, trapezistas, contorcionistas, acrobatas, ilusionistas e… palhaços!

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Os primeiros palhaços a aparecerem na TV vieram antes disso. A dupla Fuzarca e Torresmo fez a primeira aparição na TV em 20 de Outubro de 1950, no programa “Dois Malucos na TV”. Fuzarca e Torresmo, ambos de famílias donas de circos, se conheceram na emissora. Fuzarca (Albano Pereira, gaúcho de Santana do Livramento) era o mais esperto, Torresmo (Brasil José Carlos Queirolo, paulista do Espírito Santo do Pinhal), o mais atrapalhado. Os dois eram músicos e trabalharam juntos durante 14 anos até a morte de Fuzarca. Torresmo trouxe então seu filho, Torresmo, e atuaram juntos por 20 anos.


Além de ser dono de circo, o pai do Torresmo, José Carlos Queirolo, também era palhaço e se apresentava como “Chicharrão”. Costumava se apresentar sozinho (ou seja, sem a presença de outro palhaço) em programas de circo na televisão.  No início dos anos 1960, ele teve um programa na TV Excelsior chamado “Cirquinho do Chicharrão”. O nome Chicharrão veio do espanhol “chicharrón”, que significa torresmo.

Outro palhaço que se apresentou por vários anos na TV foi Abelardo Pinto, que adotou o nome de Piolin. Ele nasceu num circo em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Garoto de família circense, começou a trabalhar cedo como ginasta e equilibrista. Passou a palhaço por mero acaso. O palhaço precisou se afastar do circo por problemas particulares. Na pressa, o dono escalou o rapaz magro (piolin, em espanhol, é um tipo de barbante), de pernas compridas, para substituí-lo. O sucesso foi tão grande que Piolin nunca mais abandonou o personagem.


Piolin conquistou o reconhecimento dos intelectuais da Semana da Arte Moderna, movimento artístico e literário realizado no Brasil em fevereiro de 1922, como exemplo de artista genuinamente brasileiro e popular. Sua importância para o circo é tão grande que a data de seu nascimento – 27 de março – foi escolhida como o Dia do Circo no Brasil.

Carequinha (George Savalla Gomes) e Fred (Fred Villar), os dois cariocas, formaram uma das mais famosas duplas de palhaços, sobretudo nas emissoras de TV do Rio de Janeiro. Fred era um excelente escada para que a graça de Carequinha ficasse evidenciada. Carequinha tinha um bordão que era infalível: “Tá certo ou não tá?” E, a cada disco que lançava, Carequinha produzia um novo sucesso, casos de  “O Bom Menino”, “O Rock do Ratinho”, e “Marcha do Carrapato”.

Arrelia e Pimentinha foi uma dupla formada por tio e sobrinho. Eles pertenciam à família circense Seyssel.  Arrelia era Waldemar Seyssel, natural de Jaguariaiva, no Paraná. Pimentinha chamava-se Walter Seyssel, mineiro de Juiz de Fora. Arrelia tinha cinco irmãos, todos de circo. Ele começou com saltos em barra, em cama elástica; passando depois para o trapézio. Seu pai, que era palhaço, encontrou nele o substituto que vinha procurando.  Em 1954, Arrelia estreou na televisão. Ele criou vários bordões. “Como vai?, Como vai?, Como vai?/ eu vou bem, muito bem, bem, bem” foi o mais conhecido de todos.

Com o passar do tempo, sobretudo a partir dos anos 1970, o circo foi perdendo seu espaço na TV. Mesmo assim, ainda que espaçado, ainda surgiram alguns palhaços que fizeram sucesso. Na virada dos anos 1970 para os anos 1980, a TV Cultura teve um programa chamado “Bambalalão”, que ainda evidenciava o circo. Ali tivemos os palhaços: Tic-Tac, Pampam e Perereca. No final dos anos 80 e virando para os anos 90, a dupla Atchim e Espirro marcou seu tempo na TV Gazeta. Também não se pode esquecer do Bozo, com a Vovó Mafalda, Papai Papudo e outros. Mais recentemente, tivemos uma trupe de palhaços, o “Comando Maluco”, com participações em “A Praça é Nossa”, e a dupla Patati e Patatá, que foi o último sucesso de duplas de palhaços.

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