Muitos jovens nem sabem direito quem foi o cantor e humorista Mussum, mas exibem camisetas com sua imagem. O nome verdadeiro dele era Antônio Carlos Bernardes Gomes. O apelido foi dado pelo colega Grande Otelo, que dizia que o comediante era escorregadio como o peixe muçum. Único negro dos quatro Trapalhões, ele tinha o costume de terminar as palavras com “is”, como em “cacildes!”. Também foi cantor do grupo Originais do Samba. Depois de sua morte, em 1994, o ator tornou-se um ícone da cultura pop brasileira. Existe um perfil do Twitter, o @MussumAlive, em sua homenagem e mais uma centena de variações de camisetas. A minha curiosidade era saber se a família de Mussum está recebendo royalties pelo uso de imagem.

MUSSUM

Antônio Carlos de Santana Bernardes Gomes Júnior, filho do comediante com Maira Santana, vive no Rio de Janeiro e é conhecido na televisão como “Mussunzinho”. Ele não recebe nada de quem faz artigos com o rosto de Mussum, mas não se importa com isso. “Quem faz isso gosta do meu pai de verdade e está ajudando a manter a memória dele viva”, afirma. O próprio ator-mirim tem uma camiseta “Mussum Forévis” e um ímã de geladeira “Obamis”.
A mãe discorda e pensa que Mussunzinho deveria receber alguma compensação pelo uso da imagem do pai. “Ele ainda é muito novo para entender, mas eu acho que, se as pessoas estão ganhando dinheiro com os direitos do Mussum, deveriam pagar a seus familiares”, diz.

Outro filho de Mussum, Augusto César Bernardes Gomes, considera a fabricação desses produtos uma violação dos direitos de imagem do ator, mas diz que é difícil perseguir os pequenos fabricantes: “Já pesquisamos e é quase impossível controlar. Qualquer estamparia faz, as camisetas são encontradas em camelôs”. Frente à situação, Augusto prefere encarar os artigos como homenagens e coleciona as camisetas do pai. “Tenho três ou quatro modelos, só não comprei ainda a ‘Obamis’”, afirma.