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Bandeira da família Scarpa tremula sempre que Chiquinho está em casa

10 de outubro de 2014

Uma bandeira com três faixas verticais – azul, branca e verde – e um brasão no centro tremula na altura do número 1000 da Rua Estados Unidos, no luxuoso bairro Jardim América, em São Paulo (SP). Hasteada em um mastro verde, a bandeira está circundada por dez árvores altas e à frente de um casarão com doze janelas, onde vive um dos mais famosos playboys da cidade. “Você nunca tinha visto a bandeira?”, indaga Chiquinho Scarpa. “Ela sempre esteve aqui, pelo menos desde quando eu nasci, há 63 anos. Quando eu saio, ela fica guardada. Representa que eu não estou na casa”.

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Hasteada, a bandeira criada em 663 indica que o dono está em casa: “Mas não sei o que significa o brasão”, afirma Chiquinho

Criada no ano 663, a bandeira representa a história da família Scarpa, que chegou ao Brasil em 1888. Naquela época, o país era considerado uma terra promissora e o porto da cidade de Santos tornou-se destino de muitos italianos. Em um desses navios, desembarcou Francesco Antonio e o filho Nicolau Scarpa, avô de Chiquinho, homenageado com um busto na praça em frente à casa da celebridade. Apesar de conhecer as raízes de sua família, o conde tem dúvidas sobre o desenho do brasão. “Sinceramente, eu não sei o significado”, revela. O Blog do Curioso procurou o maior especialista em brasões do Brasil, Lauro Ribeiro Escobar. De acordo com as regras da heráldica, ciência que descreve os brasões de armas e escudos, Lauro diz que o símbolo de uma das famílias mais conhecidas do Brasil foi mal produzido. “A primeira regra diz que não se pode colocar cor sobre cor; portanto, o azul-claro não poderia sobrepor o azul-escuro da parede de alvenaria. Também não há cores metais [ouro e prata] no brasão, um grande erro”, Escobar, procurador do Estado aposentado e criador de 300 brasões de cidades em todo país. “A falta do timbre demonstra a ausência da família nos torneios, as grandes festas organizadas pelos reis. Isto quer dizer que a família Scarpa não era socialmente elevada.”
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A bandeira exposta na frente da mansão de 14.000 metros quadrados não é peça única. De acordo com Chiquinho, ela é trocada “quando estraga”. Há outros exemplares nas casas da família no Uruguai e na França, e em todos barcos que o clã Scarpa possui. “Não sei o número de bandeiras que tenho”, diz o esquecido Chiquinho sobre seus bens. “Mas não são muitas.”

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Emplacamento personalizado: o Bentley, de Chiquinho Scarpa, anda pelas ruas com o brasão da família no lugar da placa da frente

Não é só no mastro que o clã Scarpa – que, em português significa “sapato” – está representado. O carro Bentley Continental Flying Spur, de Chiquinho, que foi usado para uma campanha de marketing sobre doação de órgãos, não possui uma placa da frente habitual, com três letras e quatro números, mas a bandeira da família. “Nunca me multaram ou falaram qualquer coisa”, gaba-se Chiquinho sobre o carro avaliado em 1,5 milhão de reais. O veículo, por enquanto, não tem herdeiros. Depois de tantas separações matrimoniais, Chiquinho não teve filhos, sendo o último homem a levar o nome dos Scarpa. “Quando eu morrer, vou levar a bandeira da minha família comigo no caixão”.

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2 Comentários

2 Comentários

  1. Washington Luz

    Olá Marcelo Duarte,
    Muito interessante o seu blog, parabéns.
    Apenas uma constatação, o senhor Lauro Escobar não deve ter prestado atenção nas cores do brasão, ele disse estar errado pelo fato das cores estar uma sobre a outra e por não conter um dos metais, mas, o brasão contém as cores verde e azul, e também o prata, portanto este erro não contém.
    O que eu observei foi a coroa de barão, já que ele diz ter vindo de uma linhagem de conde.
    Meus sinceros cumprimentos.
    Washington Luz – heraldista

    Responder

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