Novo Livro O Guia dos Curiosos - Edição Fora de Série

A história não contada do jogo Banco Imobiliário no Brasil

16 de fevereiro de 2021
Lançado em 1935 nos Estados Unidos, o jogo de tabuleiro Monopoly chegou ao Brasil apenas em 1944. É a versão que conta a Brinquedos Estrela, amplamente divulgada na internet.  Mas por que o jogo demorou quase 10 anos para ser comercializado aqui? Aí tem história!

 

Bolsa de Immoveis e Banco de Imóveis

O que a Estrela lançou em 1944 foi a “versão oficial” do jogo, embora tenha adotado outro nome, Banco Imobiliário. Antes dela, porém, já existia por aqui uma versão da criação do americano Charles B. Darrow com o nome de “Bolsa de Immoveis”, colocada nas lojas muito provavelmente no início dos anos 1940.

 

“Minha mãe e suas duas irmãs mais velhas ganharam o jogo por volta de 1940, presente de um português, muito amigo do meu avô, comerciante e dono das Lojas da China, no centro de São Paulo”, conta o professor e pesquisador Sérgio Miranda Paz. “Os valores das cartas estão todos em réis e o cruzeiro só foi criado em 1942”.

 

 

Depois disso, quando a Estrela já estava comercializando o jogo, apareceu um concorrente similar no mercado. Era o “Banco de Imóveis”, da A.L. Mueller Manufatura de Brinquedos, do Rio de Janeiro. O jogo também era chamado de “Monopólio”, como atesta propaganda veiculada no jornal “A Noite Ilustrada”, de 1947.

 

Jogo de tabuleiro devorado pelos cupins

A família de Sérgio manteve uma dessas raridades por 75 anos. “Foi o primeiro jogo de tabuleiro da minha vida e de meus sobrinhos”, conta. “A rua mais valiosa era a XV de Novembro, em São Paulo, uma das minhas preferidas na cidade”. Há 5 anos, porém, o armário em que a caixa estava guardada foi atacado e o Bolsa de Immoveis virou pó. Foi inteiramente devorada por cupins. Comoção geral na família.

 

Sérgio não se deu por vencido. Descobriu que um amigo tinha um exemplar de Bolsa de Immoveis bastante detonado.  Sérgio pegou emprestado e pediu que uma designer “apagasse todos os rabiscos do tabuleiro”. O trabalho ficou perfeito. Ele mandou escanear também as cartas. Produziu os prédios e as casinhas em madeira e comprou as notas de dinheiro na 25 de Março. Fez cinco cópias e deu de presente de Natal para as irmãs e para uma prima.
Como sabia que Darrow desenhou a primeira versão de Monopoly em uma toalha de mesa, Sérgio também fez um exemplar do tabuleiro e das cartas desenhadas por ele para presentear o amigo secreto do Natal. “Tinha sorteado a namorada do meu sobrinho”, relembra Sérgio. “Só que, na semana do Natal, eles terminaram! Dei sorte: a versão feita a mão acabou ficando comigo! O tabuleiro está hoje numa parede da sala de escritório que tenho em casa”.

 

 

 

Leia também:
Maior colecionador de Monopoly do mundo não gosta do jogo
Curiosidades sobre 10 brinquedos
Meu primeiro Banco Imobiliário
A briga entre Monopoly e Banco Imobiliário

 

Esta página contém links de afiliados. Ao fazer uma compra por um desses links, o Guia dos Curiosos recebe uma comissão e você não paga nada a mais por isso.

Artigos Relacionados

O garimpador de histórias da TV

O garimpador de histórias da TV

Apesar de ser uma ferramenta maravilhosa, a internet ainda é muito defasada com relação à história da TV brasileira e seus personagens. Pesquisar sobre nossa televisão é, antes de mais nada, um trabalho de garimpagem. As pesquisas que Magalhães Júnior faz há quase 20...

Uma viagem curiosa no “Túnel do Tempo”

Uma viagem curiosa no “Túnel do Tempo”

"O Túnel do Tempo" estreou no Brasil em 14 de setembro de 1967 pela TV Tupi de São Paulo, sendo exibida em horário nobre, às quintas-feiras. "O Túnel do Tempo" foi uma criação do americano Irwin Allen, que já havia produzido as séries "Viagem Ao Fundo do Mar" e...

Quem foram as pioneiras da literatura fantástica no Brasil

Quem foram as pioneiras da literatura fantástica no Brasil

Pouco se fala sobre as primeiras brasileiras que escreveram literatura fantástica (a ficção científica, a fantasia e o horror). Desde o final do século XIX, o país sempre tivemos narrativas utópicas, fantasias moralizantes e romances de ciência. Mas a discussão e o...

1 Comentários

1 Comentário

  1. Ana Paz

    Marcelo Duarte, que bacana sua narrativa sobre essa história da família…?‍?‍?‍?

    Confesso que reviver os destroços do jogo no cupim não é lá uma boa experiência.

    Mas a lembrança de passear pela Rua Augusta no tabuleiro me remete o sabor da infância, e isso é delicioso! Valeu??

    Responder

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Share This