Novo Livro O Guia dos Curiosos - Edição Fora de Série

Estatísticas no palanque

24 de abril de 2019

 

O presidente Fernando Henrique Cardoso foi o segundo candidato presidencial mais votado em termos proporcionais da história política do país. Em 1994, com seus 34.377.198 votos, ele alcançou a marca de 54,3% dos válidos (todos, exceto nulos e em branco); só perde para o general Eurico Gaspar Dutra, que em dezembro de 1945 se elegeu com 55,3% dos votos válidos. Na reeleição, em 1998, FHC teve 53,06% dos votos válidos.

Em 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca, que acabou com a Monarquia, deu o primeiro dos 8 golpes de Estado que fizeram a história do país. Getúlio Vargas deu golpes em 1930 e em 1937 e foi deposto em 1945 – por um golpe. Em 1964, com a posse do general Castello Branco, veio o golpe que deixou o país 29 anos sem eleições diretas para a Presidência.

Em 109 anos de República (1889-1998), os brasileiros elegeram 18 presidentes pelo voto direto. O primeiro foi Prudente de Moraes, em 1894, que recebeu 276.583 votos, numa época em que perto de 1% da população podia votar. Depois da Segunda Guerra, somente 2 presidentes eleitos diretamente terminaram seus mandatos: Eurico Gaspar Dutra e Juscelino Kubitschek. FHC é o terceiro.

Os presidentes tomaram posse, em média, aos 56 anos de idade. O mais jovem foi Fernando Collor, que assumiu o posto com 40 anos (antes dele, o mais novo tinha sido Nilo Peçanha, aos 41). Entre os mais velhos há empate: Nereu Ramos, Getúlio Vargas (no mandato de 1951 a 1954) e Ernesto Geisel chegaram ao poder com 67 anos. Com a reeleição, Fernando Henrique Cardoso, que nasceu em 1931, juntou-se a eles.

A profissão que mais se repete entre os presidentes é a de advogado. Vinte se formaram em Direito. Em segundo lugar aparecem os militares, com 9 presidentes.

Nenhum outro presidente ficou tanto tempo no poder quanto Getúlio Vargas. Foram 18 anos e 7 meses. Ao longo da história, a Constituição já previu mandatos de 6, 5 e 4 anos. Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva estão em segundo lugar, com 8 anos cada. Sem contar os interinos, o menor tempo de permanência foram os 7 meses de Jânio Quadros.

Dez presidentes não completaram seus mandatos. O marechal Deodoro da Fonseca e Jânio Quadros renunciaram. Affonso Penna, Getúlio Vargas e Costa e Silva morreram. Quatro outros foram depostos por golpes e Fernando Collor sofreu impeachment. Alguns foram eleitos, mas não assumiram, como Tancredo Neves.

O primeiro vice-presidente a assumir o cargo foi Floriano Peixoto, chamado em 1891 para completar o mandato do Marechal Deodoro da Fonseca, que renunciou. José Sarney foi o único vice a cumprir integralmente o mandato, de 5 anos, por causa da morte de Tancredo Neves.

Seis presidentes abandonaram o cargo ou nem chegaram a assumi-lo por problemas de saúde ou morte. Rodrigues Alves, eleito em 1918, morreu antes da posse e foi substituído pelo vice, Delfim Moreira, até a convocação de novas eleições. Já em 1969, depois da morte do general Costa e Silva, uma junta militar impediu a posse do vice, Pedro Aleixo. A junta ficou no poder até a eleição indireta de Emílio Médici.

Minas Gerais foi o estado que mais elegeu presidentes. Foram 8, excluindo Itamar Franco, que nasceu num navio na costa da Bahia. Depois vêm o Rio Grande do Sul (6 presidentes) e o Rio de Janeiro (5). Minas teve também o maior número de vice-presidentes, totalizando 9.

Durante a vigência da política do café-com-leite, na República Velha, em que se alternavam no poder paulistas e mineiros, 5 dos 10 presidentes eleitos não disputaram com ninguém. Eles eram candidatos únicos. Prudente de Moraes, o primeiro civil a chegar à Presidência da República, concorreu sem adversários e obteve mais de 80% dos votos. O recordista de popularidade foi Rodrigues Alves, monarquista convertido a republicano, que conseguiu fazer 92% dos votos em 1902 e 99% em 1918. Washington Luís e Afonso Pena empataram com a marca de 98% das preferências.

Nos primeiros anos da República, a violência durante as eleições era tão grande que o eleitor, em alguns estados, recebia 2 cédulas: uma com o número do candidato em que deveria votar e outra com o número de seu caixão se decidisse não votar no nome indicado.

FHC foi o primeiro presidente a ser reeleito em mandatos sucessivos. Antes dele, Rodrigues Alves ganhou uma segunda eleição, em 1918, só que morreu antes de tomar posse. Getúlio Vargas, que chegou à Presidência em 1930 num golpe de Estado, voltou ao posto em 1951.

O interino mais importante do país foi o paulista Ranieri Mazzili, presidente da Câmara numa época turbulenta. Ele foi presidente 2 vezes por 13 dias: assumiu a presidência quando Jânio Quadros renunciou, em 1961, e após o golpe de 1964, que derrubou João Goulart. Catorze dias depois entregou o cargo ao marechal Castello Branco.

A eleição de 1989 para a presidência da República teve 28 candidatos. O mais curioso de todos eles era Júlio Nascimento, do Partido de Renovação Moral, dono de uma banca de jornais no Rio de Janeiro.

O candidato do baú: 15 dias antes da eleição de 1989, o empresário e apresentador de TV Sílvio Santos lançou sua candidatura para a presidência e virou a sucessão de cabeça para baixo. Ele saiu pelo PMB (Partido Municipalista Brasileiro). Antes disso, a vaga era do dono do partido, o pastor evangélico Armando Corrêa, que se auto-intitulava “candidato dos explorados”. Uma semana depois, o TSE descobriu uma série de irregularidades nos registros do PMB e impugnou a candidatura de Sílvio Santos. O partido tinha realizado convenções em apenas 5 estados, enquanto a lei eleitoral exige que sejam em 9.

 

Esta página contém links de afiliados. Ao fazer uma compra por um desses links, o Guia dos Curiosos recebe uma comissão e você não paga nada a mais por isso.

Artigos Relacionados

Arremesso de ovos na Dama de Ferro

Arremesso de ovos na Dama de Ferro

Um grupo de Facebook reuniu cerca de 15 mil interessados em participar de uma competição de arremessos de ovos na nova estátua da ex-primeira-ministra britânica Margareth Thatcher. Foi a forma que encontraram para protestar contra a estátua de bronze de 6 metros de...

Ausências em debates

Ausências em debates

  Em 1985, Jânio Quadros, não quis comparecer a um debate entre os candidatos à prefeitura de São Paulo. Mesmo assim, ele venceu a corrida eleitoral daquele ano. Em 1996, uma trapalhada de agenda estragou os debates entre os candidatos do segundo turno à...

0 Comentários

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Share This