A crise política enfrentada pelo Brasil ganhou um toque de gastronomia. No meio da guerra entre os defensores da presidente deposta, Dilma Rousseff, e os apoiadores de seu processo de impeachment, entraram em cena a coxinha e a mortadela como “símbolos” de tucanos e petistas, respectivamente. E nas eleições municipais deste ano a expectativa é que as iguarias continuem fazendo parte da política brasileira. Afinal, entre Coxinhas e Mortadelas (e até mesmo Mortandelas), o Blog do Curioso contou 53 candidatos a vereador espalhados pelo Brasil.

Nos registros oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, a coxinha vai ganhando de lavada. São, ironicamente, 45 candidatos que trazem no nome de urna o salgado que virou apelido daqueles que protestaram contra a presidente Dilma. Desses 45, nove não precisam de complemento nenhum e se apresentam apenas como “Coxinha”. No caso dos outros 36, encontramos nomes como Zé Coxinha (Bela Vista de Goiás-GO, pelo PSL) , Negão da Coxinha (Ibipeba-BA, pelo PRP), Irmão Isaías da Coxinha (Olinda-PE, pelo PRP), Coxinha da Pedrinha (Inhumas-GO, pelo PSC) e Prof. Coxinha Valdinei (Santa Gertrudes-SP, pelo PP). Eles estão espalhados por 45 cidades de 13 Estados brasileiros, especialmente em Minas Gerais (10 candidatos) e São Paulo (oito).

Dos 35 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, 22 possuem “Coxinhas” entre seus candidatos. O campeão é o PDT, com quatro. Já PRP, PSL, PSB, PMDB, PHS, PEN e PSD possuem três candidatos “Coxinha” cada. Curiosamente, os protagonistas da divisão política do país ficaram praticamente de fora. O PT não tem nenhum candidato com nome de “Coxinha”, enquanto o PSDB tem apenas um: Alberto Coxinha, candidato em Buritizal-SP

Já os mortadelas, presentes em menor número, estão concentrados em São Paulo: três dos seis “Mortadelas” estão no Estado. Os demais estão no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Curiosamente, entre as seis legendas que possuem um “Mortadela”, não consta o PT, cujos militantes ficaram estigmatizados pelo embutido. Já o PSDB tem um. É Mortadela Gás, candidato em Sertãozinho-SP.

Já os dois “Mortandelas” atropelaram a Língua Portuguesa para postular cargos nas Câmaras de Bela Vista-MS e Santa Tereza do Oeste-PR. Candidato em Bela Vista, Rubens Mortandela explica que o apelido nada tem a ver com o atual embate político: “Há mais de 40 anos, um amigo estava lendo um gibi e lá tinha um personagem chamado Mortadela que se parecia comigo. Ele começou a me chamar de ‘Mortandela’ e o apelido pegou. Hoje ninguém me conhece pelo nome”, conta o vendedor de salgados que, pela primeira vez, se lança como candidato.
Na verdade, a maioria dos candidatos carrega os apelidos muito antes do atual contexto de provocações do Brasil. Tanto é assim que os nomes já apareciam com frequência nas últimas eleições. Em 2012, foram 36 “Coxinhas” e seis “Mortadelas”. Apenas três “Coxinhas” foram eleitos, enquanto que os “Mortadelas” naufragaram todos.