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As imitações de “Meu Nome é Enéas” na TV

8 de outubro de 2010

O horário eleitoral gratuito voltou a ser exibido hoje na  TV – e ficará nos torturando até o próximo dia 29. Como as propagandas agora só vão ter candidatos que chegaram ao segundo turno, vamos perder aqueles momentos de humor involuntário. Não vamos ter mais, por exemplo, imitações de um dos políticos mais caricatos da política brasileira: o doutor Enéas Carneiro. Quando se candidatou pela primeira vez, ele tinha apenas 17 segundos para dar seu recado. O jeito foi apelar para o grotesco, com sua imagem inusitada, discursos eloquentes e o bordão “Meu nome é Enéas!”. A música de fundo era a Sinfonia n.º 5 de Beethoven. O jeito esquisitão e o bordão renderam a ele o título de deputado federal mais votado do país em 2002, com 1.563.112 votos. O doutor Enéas gerou então uma porção de filhotes. Gente que copiou o jeito “raivoso” inventado por Enéas.

Um deles foi Enéas Filho, candidato a vereador em 2008. Não, ele não era filho de Enéas Carneiro, embora a intenção fosse que as pessoas pensassem o contrário. O nome de seu pai é Osvaldo Enéas – uma ótima deixa para inventar o nome de campanha “Enéas Filho”. A Justiça percebeu logo a manobra do candidato. O juiz Claudio Luiz Bueno de Godoy, da 1ª zona eleitoral de São Paulo, julgou que ele tinha o “objetivo de infundir no eleitor a crença em um elo que não existe”. Nas eleições seguintes, em 2010, o candidato a deputado federal mudou o de nome de campanha para Luciano Enéas, mas manteve a estratégia de imitar o Enéas original.

Mas se Luciano Enéas tentou aproveitar a fama de Enéias Carneiro indevidamente, outros candidatos foram, de fato, discípulos do original. O caso mais famoso é o da Dra. Havanir, que foi aluna de Enéas. Ela ficou conhecida depois de concorrer à prefeitura de São Paulo, em 1996. Não foi eleita, mas em 2000 obteve a segunda maior votação para a Câmara Municipal de São Paulo – 87.358 votos. Em 2002, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa  de São Paulo e somou a espantosa marca de 681.991 votos.

Em 2006, Patrícia Lima foi a candidata de Enéas a uma cadeira na Assembleia paulista. Ganhou a vaga com 77.351 votos. Em 2010, foi candidata a deputada estadual em São Paulo, mas deixou a braveza e os gritos de lado na propaganda da TV. Resultado: 18.247 votos, que não foram suficientes para elegê-la.

Também nesse ano, a candidata Luciana Costa fez uma propaganda inspirada no estilo de Enéas. Foi ela quem assumiu a vaga deixada pelo original em 2007, ano em que ele faleceu. Em 2010, Luciana recebeu 36.873 votos nas eleições para deputado federal, não conseguindo se eleger.

Outro político que deixou de lado o estilo de Enéias foi Robson Malek. Ele foi candidato a deputado estadual por São Paulo em 1998, a governador de São Paulo em 2002, e a vereador em 2004, e novamente a vereador em 2008. Este ano, para disputar uma vaga de deputado estadual em São Paulo, ele mudou seu estilo de fazer propaganda. Nada mais de gritos e cara fechada. O motivo? A influência de Malek passou a ser Paulo Maluf. Recebeu 3.987, e não foi eleito. Veja a diferença nas propagandas:

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1 Comentários

1 Comentário

  1. Antonio Mier

    Há coisas que não se consegue imitar e nem se tentar fazer igual.
    A eloquência do Dr. Enéas é uma delas. As ‘imitações’ passam longe…

    Responder

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