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O caso “Boimate” e outras pegadinhas épicas de 1º de abril

1 de abril de 2014

Em 1o de abril de 1983, a revista inglesa “New Scientist”, conhecida por noticiar semanalmente os avanços da comunidade científica, publicou uma matéria fictícia exaltando um ousado experimento da biologia molecular. Dois biólogos de Hamburgo, na Alemanha, haviam fundido pela primeira vez células animais com células vegetais. O resultado da cruza de um tomateiro com um boi foi batizado de “Boimate”. Algumas dicas ao longo do texto entregavam a piada. Os nomes dos biólogos, por exemplo, eram Barry McDonald e William Wimpey, referências diretas às maiores redes de fast food na época (Mc Donald’s e Wimpy’s). E a cidade de Hamburgo foi escolhida para sediar o mentiroso invento devido a sua relação com o hambúrguer.

A revista “Veja” caiu na brincadeira. Publicou a curiosa descoberta em uma reportagem na edição de 27 de abril de 1983, afirmando que  “a experiência dos pesquisadores alemães permite sonhar com um tomate do qual já se colha algo parecido com um filé ao molho vermelho”. Tinha até um diagrama ilustrado explicando o processo de fusão das células. A gafe só foi revelada em 26 de junho de 1983, pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.  “Veja” admitiu formalmente o erro em nota na edição de 6 de julho de 1983 (“Tratou-se de lastimável equívoco.”).

Relembre outras pegadinhas épicas contadas pela mídia em 1º de abril:

São Paulo x Milan

A principal manchete dos jornais de esporte na manhã de 1º de abril de 1951 era o anúncio do jogo que aconteceria aquela tarde. São Paulo jogaria contra o Milan, diretamente de Milão (Itália), e a partida seria transmitida pela Rádio Panamericana (hoje, Rádio Jovem Pan). A equipe tricolor estava na Europa, depois da derrota para o Palmeiras na final do Campeonato Paulista daquele ano. Às 12h30 em ponto, iniciou-se a narração da partida, por Geraldo José de Almeida. A equipe italiana derrotou os tricolores por 4 a 0, depois de uma série de erros de arbitragem, o que deixou os torcedores são-paulinos desesperados. Poucos desconfiavam de que tudo não se passava de uma grande encenação. O jogo fictício foi gravado na garagem de Paulo Machado de Carvalho (dono da rádio), em São Paulo, antes mesmo de o time embarcar para a Europa.

Pé de espaguete


Em 1957, o programa de notícias da rede britânica de televisão BBC convenceu centenas de telespectadores de que macarrão poderia nascer em árvores. A equipe foi até a Suíça gravar um falso documentário sobre uma plantação de espaguete que tinha dado frutos graças à extinção de uma terrível praga que até então impedia a germinação da massa. A equipe de produção pendurou porções de macarrão cozido nos galhos de árvores, e contratou atrizes para encenar a colheita. Foi só exibir o material que a emissora recebeu uma série de telefonemas perguntando detalhes sobre o plantio de massas. Antes do fim do programa, os âncoras do noticiário confessaram o trote.

Leia também: Tradição de notícias falsas começou com plantação de espaguete

TV em cores


Em 1º de abril de 1962, a STV (Estação Televisiva da Suécia) lançou um curioso – e bastante elaborado – tutorial ensinando o telespectador a transformar sua televisão preta e branca em uma TV em cores. Bastava colocar uma malha fina por cima da tela que o jogo de luzes se alteraria, resultando em uma imagem colorida. No vídeo, dois especialistas sugeriram, com um discurso cheio de termos técnicos, o uso de uma meia calça para chegar ao mesmo efeito. Praticamente todos os suecos que tinham televisão tentaram grudar uma meia calça à tela. A primeira transmissão em cores da STV só aconteceu quatro anos depois, em 1966, tornando-se finalmente regular em – acredite, se quiser – 1º de abril de 1970.

Monstro do Lago Ness


John Schields, funcionário do zoológico Flamingo Park, em North Yorkshire, no Reino Unido, decidiu pregar uma peça em uma equipe de zootecnistas que em 31 de março de 1972 vasculhavam o Lago Ness, na Escócia, em busca do lendário monstro que habitaria suas águas. Sem que ninguém visse, ele conseguiu plantar uma carcaça de um elefante – previamente depilada e com a cabeça desfigurada – no fundo do lago, perto de onde o grupo pararia para almoçar. Tanto o grupo de cientistas como a mídia local e internacional caíram na brincadeira de Schields. No dia seguinte – 1º de abril de 1972 – a principal manchete do jornal “Los Angeles Times” era: “Monstro é erguido das águas do Lago Ness”.

Sidd Finch


A revista esportiva norte-americana Sports Illustrated dedicou uma matéria da edição de 1º de abril de 1985 ao perfil do jogador Sidd Finch, nova promessa do beisebol que jogaria pelo Mets. Finch nunca havia jogado beisebol antes, mas era imbatível: conseguia arremessar a bola à velocidade de 265 km/h, valor 60% mais alto do que o recorde anterior. Ele adquirira a habilidade durante uma temporada em um mosteiro no Tibete. Os fãs do Mets lotaram a caixa de correio da Sports Illustrated em busca de mais informações sobre o extraordinário jogador. Mas, na verdade, tudo não passava de invenção do repórter George Plimpton, que assinava a matéria. Ele deu uma dica aos leitores, mas poucos desvendaram: somadas, as primeiras letras de todas as palavras da última frase do texto formavam, juntas, “Feliz Dia da Mentira”.

Leia também:
10 curiosidades sobre o Dia da Mentira

De onde vem o Dia da Mentira?
BBC: tradição de notícias falsas em 1º de abril começou com plantação de espaguete
Manchetes mentirosas de 1º de abril

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