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Quem são as personalidades que dão nome aos principais presídios brasileiros

31 de janeiro de 2017

O empresário Eike Batista chegou ontem ao Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro. É lá que fica a Cadeia Pública Bandeira Stampa, apelidada de “Bangu 9”. O ex-bilionário está preso preventivamente pela acusação de pagamento de propina ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Boa parte desses pagamentos teriam sido feitos ao então governador Sérgio Cabral, que desde novembro de 2016 está recluso na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, a ala masculina de “Bangu 8”, destinada aos presos com curso superior.
Batizar um presídio pode não ser a mais bela das homenagens que uma pessoa espera receber, mas ainda assim é uma prática bastante comum.  Brasil afora são vários os complexos prisionais que prestam reverências a algumas personalidades. Em geral, são pessoas que atuaram na área criminal como juristas, advogados e desembargadores. Carlos Luiz Bandeira Stampa, por exemplo, nasceu em 28 de junho de 1917 no Rio de Janeiro. Tornou-se juiz federal em 1947 e desembargador do Estado da Guanabara em 1969. Participou da corte que fundou o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e lecionou na Universidade do Estado da Guanabara até 1982, quando se aposentou (morreu no ano seguinte, em 1983). Já Pedrolino Werling de Oliveira foi um guarda de presídio, falecido em 1975.
Conheça outros casos de presídios batizados com nomes de pessoas:

O Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)

Complexo Penitenciário de Gericinó (Rio de Janeiro)
Além dos locais onde estão Sérgio Cabral e Eike Batista, o complexo tem outras 23 unidades. Apenas uma delas, chamada “Sanatório Penal”, não presta homenagem a ninguém. Fundado em 1987, o presídio de “Bangu 1” foi por muito tempo o mais temido do complexo. Ele é oficialmente chamado de Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, uma homenagem ao criminalista e escritor que ganhou notoriedade por atuar no julgamento do assassinato da jovem Cláudia Lessin, de 21 anos, em julho de 1977. Batizada como Penitenciária Alfredo Tranjan, a unidade de “Bangu 2” presta reverência a um dos mais renomados advogados brasileiros das décadas de 1930 e 1940 (defendeu Nelson Rodrigues, Jorge Amado e outros intelectuais). Concentrando os presos mais perigosos do Rio de Janeiro, “Bangu 3A” tem como nome oficial Penitenciária Doutor Serrano Neves. Francisco de Assis Serrano Neves foi outro dos mais respeitados juízes do país, tendo feito parte do Conselho Nacional de Política Penitenciária.
Penitenciária Doutor José Augusto César Salgado (Tremembé/SP)
Uma das penitenciárias mais famosas do Brasil, a cadeia de Tremembé abrigou ou ainda abriga presos de grande notoriedade, como Alexandre Nardoni, Pimenta Neves, Nicolau dos Santos Neto, Roger Abdelmassih, os “Irmãos Cravinhos” e Mateus da Costa Meira, o “Atirador do MorumbiShopping”. Foi fundada em 1945 como Fazenda Modelo da Penitenciária do Estado.  José Augusto César Salgado nasceu em Pindamonhangaba (SP) em 21 de dezembro de 1894. Filho do Comendador Augusto Marcondes Salgado, ele formou-se em Direito na Faculdade de São Paulo. Foi promotor em cidades do interior paulista, chefe de polícia e chefiou a Bandeira de propaganda cívica durante a Revolução Constitucional de 1932. Em 1934, foi eleito para uma cadeira na Assembleia Legislativa do estado de São Paulo. Morreu em 8 de abril de 1979.

Penitenciária de Tremembé recebe presos de repercussão nacional

Centro de Detenção Provisória de Pinheiros (São Paulo)
O CDP está dividido em quatro unidades e duas delas foram batizadas com nomes de agentes penitenciários mortos em uma rebelião no local em 2005: Vicente Luzan da Silva deu nome ao CDP I e Willians Nogueira Benjamin, ao CDP II.
Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Manaus)
Inaugurada em 1982 como Colônia Agrícola para presos em regime semiaberto, a cadeia se transformou num Complexo Penitenciário em 1999, alcançando projeção nacional no início deste ano por causa da rebelião que matou 56 presos e permitiu a fuga de outros 200. Manoel Anísio Jobim, alagoano da cidade de Anadia, nasceu em 27 de maio de 1877. Formado em Direito pela Faculdade do Recife, chegou ao Amazonas em 1910. Foi Juiz, Procurador Geral, advogado, professor e escritor. Em 1951, assumiu o cargo de senador como suplente do governador do Amazonas Alvaro Maia. Chegou, inclusive, a ser governador interino do Estado. Morreu em 13 de junho de 1971, em Manaus, aos 94 anos.

Manoel Anísio Jobim batiza a penitenciária de Manaus

Penitenciária Antonio Dutra Ladeira (Ribeirão das Neves/MG)
Outra das unidades prisionais afetadas por rebeliões no início deste ano, a Penitenciária de Belo Horizonte homenageia o seu primeiro diretor. O delegado Antonio Dutra Ladeira assumiu o presídio na década de 1960 e foi também diretor do DOPS, o Departamento de Ordem Pública e Social da ditadura militar. Ele é citado no livro “Hilda Furacão”, de Roberto Drummond, na passagem em que o Padre Cyr aponta para a existência de “documentos fidedignos” fornecidos por Dutra Ladeira que denunciam um “interesse comunista” em denegrir a Cidade das Camélias – um projeto para acabar com a Zona Boêmia de Belo Horizonte.
Presídio José Antônio Garrote (Itumbiara/GO)
José Antônio Garrote é um dos poucos homenageados com nomes de presídios que não construíram uma relação com a esfera criminal ao longo da vida. Ele nasceu na zona rural de Itumbiara e se tornou um dos maiores agropecuaristas da região. Chamado de Zé Garrote, criou gado de corte e se dedicou ao desenvolvimento do distrito de Sarandí, onde hoje está o presídio. A cadeia foi inaugurada em 2009.
Algumas penitenciárias famosas não foram batizadas com nome de ninguém – casos de Pedrinhas (São Luís), Alcaçuz (Natal) e Papuda (Brasília) . O extinto Carandiru, famoso pela rebelião que vitimou 111 presos em 1992, tinha como nome oficial apenas “Casa de Detenção de São Paulo”. Durante a década de 1950 ela até passou a se chamar Professor Flamino Fávero, em homenagem a um professor legista da Universidade de São Paulo, mas o nome caiu em desuso com o tempo.

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3 Comentários

3 Comentários

  1. Elisete Henriques

    Embora possa não parecer, toda informação relevante é instrutiva e agregadora no sentido de que homens e mulheres que atuam para melhorar o mundo que vivemos e desempenham suas funções com dignidade e empenho devem ser sempre lembrados e reverenciados. Nosso presente é o resultado de nossas construções para a humanidade. Quem ignora o passado despreza o legado deixado por todos aqueles que construíram a nossa história. Obrigada Marcelo Duarte.

    Responder
  2. Elisete Henriques

    Embora possa não parecer, toda informação relevante é instrutiva e agregadora no sentido de que homens e mulheres que atuam para melhorar o mundo que vivemos e desempenham suas funções com dignidade e empenho devem ser sempre lembrados e reverenciados. Nosso presente é o resultado de nossas construções para a humanidade. Quem ignora o passado despreza o legado deixado por todos aqueles que construíram a nossa história. Obrigada Marcelo Duarte.

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  3. Edson Barbosa Nunes

    Quis ler a biografia do Dr. Antônio Dutra Ladeira, não a encontrei, mas ele foi Diretor da Academia de Polícia Raphael Magalhães, da Polícia Civil de Minas Gerais, onde teve também grandes nomes junto dele, como Dr. Aluízio Machado Gomes, Dr. Wilson Vieira de Gouveia, Dr. Zaluar de Campos Henriques, conseguindo sempre reunir um corpo docente dotado de rara dedicação ao aprimoramento dos alunos policiais civis. Lembro-me ainda do Professor Dr.Ediber Pereira, João Bosco Barreto, Dr. Augusto Brina Vidal, Dr. Ladialau Procop, também dos médicos Dr.Jzezar Leite e Dr. José Elias Murad. Por aqui suficiente para aferirmos o tamanho do ensino, já nesse início de informação que aqui é possível registrarmos. Obrigado pela oportunidade.Ressaltamos que em Minas Gerais, há uma penitenciária com o nome dele, mas não tenho notícia dele atualmente.Obrigado pela oportuniade desse registro.

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