A italiana Marietta Baderna era uma das maiores bailarinas da Europa. Fazia muito sucesso no corpo de baile do Teatro alla Scalla de Milão. Em agosto de 1949, aos 21 anos, ela teve que deixar o país por razões políticas e veio para o Rio de Janeiro. Um mês depois, em 29 de setembro, Marietta fez sua estreia em palcos brasileiros e foi celebradíssima. Acontece que Marietta tinha um comportamento considerado liberal demais para o Brasil. Sua dança era muito sensual. Aprendeu aqui também danças afro-brasileiras e chegou a participar de demonstrações ao ar livre ao lado de escravos, o que escandalizou a sociedade escravista brasileira do século XIX. Por causa disso, Marietta começou a sofrer represálias.

Que tipo de represálias e como reagiu a elas?
Passou a receber papéis secundários, ficava escondida no fundo do palco, coisas assim. Em muitas apresentações, ela nem sequer era escalada. Logo ficou evidente que a estrela italiana estava sendo deixada de lado. O “Jornal do Commercio” chegou a fazer uma campanha feroz contra ela. Sua última apresentação pública foi em 1865, aos 37 anos. Ela morreu em 1892.

Como foi que seu sobrenome virou palavra?
Marietta tinha uma legião de entusiasmados fãs, chamados de “os badernas” ou “badernistas”. Quando ela entrava em cena, os seguidores faziam muito barulho e gritavam seu nome freneticamente. Ao perceberem que Marietta estava sendo boicotada, eles resolveram protestar contra a direção dos teatros também com muita intensidade. O que faziam? Batiam os pés no chão, atrapalhando os espetáculos. Por causa disso, a partir daí, o sobrenome da bailarina deu origem ao termo que significa confusão, bagunça, desordem.