Tem uma moeda nova circulando na Alemanha. Neste mês, a marca Paisley criou um dinheiro especial para mulheres utilizarem em suas lojas: o FEM. As notas valem exatamente 121% do valor de um euro e são parte de uma campanha para promover a primeira linha de roupa feminina da marca e, simultaneamente, chamar atenção para a desigualdade salarial que ainda existe no país europeu. O valor do FEM foi escolhido justamente para “devolver” esse poder de compra às mulheres, que faturam 21% a menos do que os homens no mercado de trabalho.

Dinheiro lançado para mulheres chama a atenção para desigualdade salarial

São seis cédulas diferentes, cada uma com uma mulher influente na história em uma área diferente: Ada Lovelace, inglesa pioneira na programação de computadores, foi escolhida para ilustrar a nota de 1 FEM; a revolucionária alemã Rosa Luxemburgo está na nota de 5 FEM; a britânica Florence Nightingale, cujas técnicas de tratamento para feridas de batalha durante a Guerra da Crimeia foram essenciais para os avanços na área de enfermagem, aparece na nota de 10 FEM. Amelia Earhart, americana que foi primeira mulher a pilotar um avião sozinha sobre o Oceano Atlântico, aparece na de 20 FEM; e a célebre autora inglesa Jane Austen figura na de 50 FEM. Na nota mais alta, a homenageada foi a cientista polonesa Marie Curie, primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel e a única pessoa a repetir o feito em duas categorias diferentes (Física, em 1903 e Química, em 1911).

 

Dinheiro lançado para mulheres chama a atenção para desigualdade salarial 2

Dinheiro lançado para mulheres chama a atenção para desigualdade salarial 3

Na campanha, a questão central é a desigualdade salarial, mas ela também chama atenção para outro ponto de desequilíbrio de gênero no mundo do dinheiro: a quantidade de mulheres estampadas em cédulas. Uma pesquisa de 2016 apontou que apenas 9% de todas as notas em circulação em 180 países são ilustradas por mulheres. E mais: em 74 das 120 notas existentes, a mulher em questão é a Rainha Elizabeth II, que apareceu pela primeira vez nas verdinhas quando tinha apenas 8 anos.

A primeira vez da Rainha Elizabeth II: aos 8 anos, numa nota de 20 dólares canadenses, em 1934

De acordo com uma descoberta arqueológica de 2007, a primeira mulher representada no dinheiro foi ninguém menos que Cleópatra, cuja face foi cravada em uma moeda de prata. Na Síria, uma das notas retrata a Rainha Zenobia, conhecida por lutar contra o exército romano, no ano de 200. No México, o casal Frida Kahlo e Diego Rivera divide a nota de 500 pesos. Ele aparece na frente (anverso) e ela estampa as costas (reverso) da cédula.  Já na Argentina, Evita Perón está representada na nota de 100 pesos.  No anos 1990, duas mulheres importantes foram homenageadas por seus países: a cientista Marie Curie na cédula de 20 mil zloty poloneses e Golda Meir, única mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra em Israel até hoje, na nota de 10 shequel.

O dólar, considerada a moeda mais influente do mundo, nunca colocou uma mulher em suas notas. Em 2016, o então presidente Barack Obama aprovou a substituição do ex-presidente Andrew Jackson pela abolicionista negra Harriet Tubman na nota de 20 dólares. Mas, com a entrada de Donald Trump na presidência, a promessa ainda não se cumpriu. O Reino Unido, por sua vez, deu espaço para mais uma mulher além de sua rainha: a nota de 10 libras da escritora Jane Austen, que também foi homenageada pela FEM, entrou em circulação em setembro do ano passado.

Atualmente, dá para dizer que todas as seis notas brasileiras possuem uma mulher. A efígie simbólica, originada durante a Revolução Francesa como representante da República, foi batizada de Marianne. Seu rosto é o mesmo da Estátua da Liberdade, um dos principais pontos turísticos norte-americanos. Mas essa não vale! Na história da moeda brasileira, três mulheres foram representadas na cédula.

A primeira foi a Princesa Isabel, em 1967, numa cédula de 50 cruzeiros, que circulou por cinco anos. Ela voltou a figurar na moeda depois de nove anos, de 1981 a 1987, quando estampou a nota de 200 cruzeiros. Entre 1989 e 1992, a poeta Cecília Meireles foi homenageada nas notas de 100 cruzados novos. A última cédula brasileira que recebeu uma mulher foi a de 50 mil cruzeiros reais, conhecida como “A Baiana”, que circulou entre março e setembro de 1994, a última nota antes da criação do Real.

CÉDULA COM A PRINCESA ISABEL

CÉDULA DE CR$ 200 COM A PRINCESA ISABEL

CECÍLIA MEIRELES NA CÉDULA DE CRUZEIROS NOVOS

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