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Dinheiro lançado para mulheres na Alemanha chama a atenção para desigualdade salarial

3 de abril de 2018

Tem uma moeda nova circulando na Alemanha. Neste mês, a marca Paisley criou um dinheiro especial para mulheres utilizarem em suas lojas: o FEM. As notas valem exatamente 121% do valor de um euro e são parte de uma campanha para promover a primeira linha de roupa feminina da marca e, simultaneamente, chamar atenção para a desigualdade salarial que ainda existe no país europeu. O valor do FEM foi escolhido justamente para “devolver” esse poder de compra às mulheres, que faturam 21% a menos do que os homens no mercado de trabalho.

São seis cédulas diferentes, cada uma com uma mulher influente na história em uma área diferente: Ada Lovelace, inglesa pioneira na programação de computadores, foi escolhida para ilustrar a nota de 1 FEM; a revolucionária alemã Rosa Luxemburgo está na nota de 5 FEM; a britânica Florence Nightingale, cujas técnicas de tratamento para feridas de batalha durante a Guerra da Crimeia foram essenciais para os avanços na área de enfermagem, aparece na nota de 10 FEM. Amelia Earhart, americana que foi primeira mulher a pilotar um avião sozinha sobre o Oceano Atlântico, aparece na de 20 FEM; e a célebre autora inglesa Jane Austen figura na de 50 FEM. Na nota mais alta, a homenageada foi a cientista polonesa Marie Curie, primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel e a única pessoa a repetir o feito em duas categorias diferentes (Física, em 1903 e Química, em 1911).

 

Na campanha, a questão central é a desigualdade salarial, mas ela também chama atenção para outro ponto de desequilíbrio de gênero no mundo do dinheiro: a quantidade de mulheres estampadas em cédulas. Uma pesquisa de 2016 apontou que apenas 9% de todas as notas em circulação em 180 países são ilustradas por mulheres. E mais: em 74 das 120 notas existentes, a mulher em questão é a Rainha Elizabeth II, que apareceu pela primeira vez nas verdinhas quando tinha apenas 8 anos.

A primeira vez da Rainha Elizabeth II: aos 8 anos, numa nota de 20 dólares canadenses, em 1934

De acordo com uma descoberta arqueológica de 2007, a primeira mulher representada no dinheiro foi ninguém menos que Cleópatra, cuja face foi cravada em uma moeda de prata. Na Síria, uma das notas retrata a Rainha Zenobia, conhecida por lutar contra o exército romano, no ano de 200. No México, o casal Frida Kahlo e Diego Rivera divide a nota de 500 pesos. Ele aparece na frente (anverso) e ela estampa as costas (reverso) da cédula.  Já na Argentina, Evita Perón está representada na nota de 100 pesos.  No anos 1990, duas mulheres importantes foram homenageadas por seus países: a cientista Marie Curie na cédula de 20 mil zloty poloneses e Golda Meir, única mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra em Israel até hoje, na nota de 10 shequel.

 

O dólar, considerada a moeda mais influente do mundo, nunca colocou uma mulher em suas notas. Em 2016, o então presidente Barack Obama aprovou a substituição do ex-presidente Andrew Jackson pela abolicionista negra Harriet Tubman na nota de 20 dólares. Mas, com a entrada de Donald Trump na presidência, a promessa ainda não se cumpriu. O Reino Unido, por sua vez, deu espaço para mais uma mulher além de sua rainha: a nota de 10 libras da escritora Jane Austen, que também foi homenageada pela FEM, entrou em circulação em setembro do ano passado.

A nova nota de 10 libras traz a escritora Jane Austen e há também um selo com o rosto da rainha

Atualmente, dá para dizer que todas as seis notas brasileiras possuem uma mulher. A efígie simbólica, originada durante a Revolução Francesa como representante da República, foi batizada de Marianne. Seu rosto é o mesmo da Estátua da Liberdade, um dos principais pontos turísticos norte-americanos. Mas essa não vale! Na história da moeda brasileira, três mulheres foram representadas na cédula.

Princesa Isabel na nota de 50 cruzeiros, que circulou de 1967 a 1972

Nos 200 cruzeiros, a efígie da Princesa Isabel foi usada entre 1981 e 1987

Cédula de 100 cruzados novos com a poeta Cecília Meireles

“A Baiana”, de 50 mil cruzeiros reais, teve vida curta: última nota lançada antes do Real

A primeira foi a Princesa Isabel, em 1967, numa cédula de 50 cruzeiros, que circulou por cinco anos. Ela voltou a figurar na moeda depois de nove anos, de 1981 a 1987, quando estampou a nota de 200 cruzeiros. Entre 1989 e 1992, a poeta Cecília Meireles foi homenageada nas notas de 100 cruzados novos. A última cédula brasileira que recebeu uma mulher foi a de 50 mil cruzeiros reais, conhecida como “A Baiana”, que circulou entre março e setembro de 1994, a última nota antes da criação do Real.

Leia também: As mulheres representadas em cédulas brasileiras e estrangeiras

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