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Curiosidades para relembrar os 100 anos do início da Primeira Guerra Mundial

28 de julho de 2014

Em homenagem ao centenário do histórico conflito, o Blog do Curioso preparou um post cheio de curiosidades. Confira:

Historicamente, a Primeira Guerra Mundial foi dividida em três fases. A primeira delas caracterizou-se por batalhas entre grandes exércitos e por ações rápidas. Os blocos achavam que a guerra não duraria muito. A Alemanha invadiu a Bélgica e conseguiu avançar sobre a França até as proximidades de Paris. O contra-ataque francês ocorreu com a Primeira Batalha do Marne, em setembro de 1914.


A segunda fase foi chamada de Guerra das Trincheiras. Os soldados ficavam dias escondidos em fossos esperando um possível ataque inimigo. Novas armas foram inventadas nesse período, entre elas o canhão de tiro rápido, o gás venenoso, o lança-chamas, o avião e o submarino. A Alemanha se aproveitou dessa falta de mobilidade das frentes aliadas e avançou sobre os russos.


O bombardeio de um barco norte-americano pelos alemães, que levou os EUA a entrarem no conflito, marcou o início da terceira fase da guerra. Na verdade, os americanos já vendiam armas e ofereciam crédito para a Tríplice Aliança havia algum tempo. A chegada das forças do Tio Sam mudou o cenário da guerra e assegurou a vitória do grupo formado por Inglaterra e França.


A Itália foi a única a mudar de lado: antes de estourar o conflito, pertencia à Tríplice Aliança; ficou neutra até 1915 e depois se tornou aliada da Tríplice Entente.


As Olimpíadas de 1916, que aconteceriam em Berlim (Alemanha), foram canceladas por causa da Primeira Guerra Mundial.


Durante a Primeira Guerra, o piloto francês Roland Garros percebeu que poderia se dar bem nas batalhas aéreas se encontrasse um jeito de atirar de maneira automática. Juntou pratos defletores a lâminas do motor de um avião. Em 1915, aproximou-se de uma aeronave alemã, pegou o inimigo de surpresa e atirou. Mais tarde, atingido e capturado, Garros viu sua invenção ser usada pelos alemães. Morreu em 1918, cinco semanas antes do fim do cessar-fogo. Hoje, o piloto batiza o mais importante torneio de tênis.


O tanque de guerra moderno, com suas lagartas e sua blindagem pesada, surgiu como uma arma secreta dos ingleses durante a Primeira Guerra Mundial. O projeto, de 1915, foi de William Tritton e W.G. Wilson. Ao andar, ele sacudia tão violentamente que os soldados eram obrigados a usar roupas com estofamentos. Sua primeira aparição em batalha foi em 1917. Os tanques foram assim chamados porque os primeiros enviados para a França apresentavam a etiqueta “tanque de água” em suas embalagens, por motivo de segurança.


Charles August Lindbergh, membro do Congresso dos EUA entre 1907 e 1917, ficou famoso por defender a não-entrada do país na Primeira Guerra Mundial. Seu nome, no entanto, remete mais à aviação do que à política: é que ele é pai de Charles Lindbergh, pioneiro da aviação estadunidense.


Durante a Primeira Guerra Mundial, o governo americano encomendou 3,5 milhões de aparelhos e 36 milhões de lâminas Gillette para seus soldados. Nessa época, a empresa já vendia um milhão de aparelhos e 120 milhões de lâminas por ano.


Para a Primeira Guerra Mundial, a Harley-Davidson recebeu do exército americano a encomenda de 20 mil unidades, algumas equipadas com metralhadoras.


O sonar, aparelho que emite ondas ultra-sônicas capazes de localizar objetos na água, foi utilizado largamente na Primeira Guerra Mundial para detectar submarinos em combate.


Devido à falta de algodão no mercado durante a Primeira Guerra Mundial, a fabricante de papel Kimberly-Clark criou o substituto cellucotton. O produto macio e absorvente foi bastante usado como filtro para máscaras de gás e em hospitais e pronto-socorros dos Estados Unidos e da Europa. Com o fim da guerra e da escassez do algodão, a Kimberly-Clark buscou novas maneiras de vender sua criação. Em 1929, lançaram os lenços de papel Kleenex com a caixa pop up (ao puxar uma folha, parte da próxima sai da caixa).


Durante a Primeira Guerra Mundial, surgiram as toalhinhas higiênicas, faixas de tecido atoalhado que, depois de utilizadas pelas mulheres em período menstrual, eram lavadas. Antes disso, a proteção menstrual era uma faixa de algum material macio e absorvente preso por cordões e cintas.


O detergente foi inventado durante a Primeira Guerra Mundial. O bloqueio dos aliados cortou o suprimento de gorduras naturais, utilizadas para produzir lubrificantes. As gorduras de sabão foram substituídas e o produto tornou-se um artigo raro na Alemanha. Os químicos alemães H. Gunther e M. Hetzer lançaram em 1916 um detergente com fins comerciais, o Nekal, que, acreditavam, seria usado apenas nos tempos de guerra.


A Gripe Espanhola surgiu no final da Primeira Guerra. Matou 20 milhões de pessoas (1,5% da população mundial) em menos de um ano. A doença chegou ao Brasil em 1918. Ficou conhecida como “espanhola” entre os brasileiros porque os primeiros casos ocorreram após a chegada de um navio de imigrantes vindos da Espanha. Aqui, fez 35 mil vítimas, entre elas o ex-presidente Rodrigues Alves.


Por causa da semelhança com a bandeira alemã, a camisa do Flamengo foi modificada durante a Primeira Guerra. A camisa já era listrada, mas tinha um friso branco entre o vermelho e o preto. O branco foi retirado e a camisa assumiu de vez sua composição rubro-negra.


Augusto Vacari, então presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, teve que deixar o cargo ao ser recrutado pela Itália para lutar na Primeira Guerra Mundial.


A Primeira Guerra Mundial incentivou uma onda de imigração de famílias europeias para países que mantinham distância do conflito, como o Brasil. Com passagens subsidiadas pelo governo brasileiro, vinham com a família para trabalhar nas fazendas dos barões do café.


Durante a Primeira Guerra Mundial, Santos Dumont, primeiro homem a realizar um voo de avião, passou uma noite preso numa delegacia francesa, acusado de ser um espião alemão. Ficou em estado de choque. Também se sentia culpado pelas mortes causadas por sua invenção. Ao voltar para casa, o aviador queimou todos os seus arquivos.


Em 27 de outubro de 1917, o então presidente do Brasil Venceslau Brás declarou guerra contra a Alemanha, que afundara três navios brasileiros: o Paraná (no canal da Mancha, em abril), o Tijuca (no litoral francês, em maio) e o Macau (no litoral espanhol, em outubro). Os 46 navios alemães que se encontravam em nossos portos foram aprisionados.


O governo enviou, em agosto de 1918, uma esquadra com o objetivo de patrulhar a costa africana e a região de Gibraltar. Antes mesmo de entrar em combate, a frota perdeu 156 tripulantes, mortos em Dacar, por causa da gripe espanhola. Em meio à viagem, os navios brasileiros abriram fogo contra um cardume de toninhas, que seus artilheiros confundiram com os submarinos alemães.


Um dia depois de haver chegado a Gibraltar, a esquadra brasileira foi notificada do fim do conflito.


A Primeira Guerra Mundial terminou com o armistício concedido à Alemanha, que entrou em vigor às 11h do 11º dia do 11º mês de 1918.

Dos 65 milhões de homens mobilizados nos combates, calcula-se que 8,5 milhões morreram e 21 milhões ficaram feridos.


O tratado mais importante assinado depois da Primeira Guerra Mundial foi o de Versalhes. Nele, a Alemanha era responsabilizada pela guerra e obrigada a pagar reparações e a desmilitarizar seu território. O país também perdeu parte de suas terras (a Alsácia-Lorena) e teve de ceder por 15 anos as minas de carvão do Sarre para a França. Essas imposições acabaram por semear o sentimento de revanchismo nos alemães, que mais tarde levou à Segunda Guerra Mundial.


Além de Versalhes, foram estabelecidos o Tratado de Saint-Germain, que determinou o fim do império Austro-Húngaro, e o de Sévres, que encerrou o império Turco-Otomano. Nos EUA, o presidente Woodrow Wilson criou a Liga das Nações, que depois foi substituída pela Organização das Nações Unidas.


O professor e jornalista italiano Benito Mussolini fundou com outros veteranos da Primeira Guerra Mundial o partido Fasci di Combattimento em 1919. Fasci era o nome dado pelos romanos antigos a feixes de galhos. Eles simbolizavam a força da união, já que os gravetos presos juntos eram mais resistentes do que sozinhos.


O famoso cachorro Rin-tin-tin era um dos filhotes abandonados na estação alemã de cães de guerra na França, no final da Primeira Guerra Mundial. A ninhada foi encontrada pelo sargento Lee Duncan. Com medo de que os animais fossem mortos, Duncan adotou dois cachorrinhos: Rin-tin-tin e uma fêmea, Nannette. Foi ele mesmo que treinou o pastor para atuar em Hollywood. O primeiro filme de Rin-tin-tin, Onde Começa o Norte, foi lançado em 1919. O animal era apenas um coadjuvante, mas seu sucesso foi tão grande que o cachorro logo se tornou personagem principal de uma série de televisão e de diversos longas-metragens. Rin-tin-tin morreu em 1932, aos 14 anos de idade, depois de estrelar 29 filmes.


O “cavallino rampante”, símbolo da montadora Ferrari, foi copiado do amuleto usado no avião do herói italiano da Primeira Guerra Mundial Francesco Barraca.


O livro Nada de Novo no Front, do escritor alemão Erich Maria Remarque, lançado em 1929, foi inspirado pelo conflito. O escritor alemão participou da guerra entre junho e julho de 1917. Ferido no final de julho, passou o resto do conflito em um hospital militar na Alemanha. Depois, foi perseguido pelo nazismo e estabeleceu-se nos EUA em 1939. O filme homônimo, baseado na obra de Remarque, foi lançado em 1930. A produção dirigida por Lewis Milestone acabou levando os prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor na cerimônia do Oscar de 1930.


Em 1917, o escritor norte-americano Ernest Hemingway tentou entrar para o Exército dos EUA como voluntário, mas foi reprovado no exame de vista. Hemingway conseguiu então um posto como motorista da Cruz Vermelha. No dia 8 de julho de 1918, seu veículo foi atingido por um morteiro austríaco e Hemingway foi ferido nas duas pernas. Durante a recuperação em um hospital da Itália, o escritor se apaixonou pela enfermeira Agnes Von Kurowsky, sete anos mais velha do que ele. O romance não sobreviveu à volta de Hemingway para os EUA, mas a experiência inspirou o livro Adeus às Armas, lançado em 1929.


Na Primeira Guerra Mundial, quando outros anti-sépticos falhavam, os médicos usavam uma pasta de alho para tratar de ferimentos infectados.


O primeiro antibiótico moderno, a penicilina, foi uma descoberta casual do bacteriologista escocês Alexander Fleming, em 1928. Fleming havia sido um oficial médico nos hospitais militares da Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial. Notando a séria necessidade de um agente bactericida para tratar dos ferimentos infeccionados, depois da guerra retornou ao St. Mary’s Hospital, em Londres, para pesquisar sobre o problema.


Os gastos com a Primeira Guerra Mundial provocaram abalos econômicos no mundo todo, situação que, em 1929, tornou-se insustentável. O episódio conhecido como a Grande Depressão persistiu ao longo de toda a década de 30, até o estourar da Segunda Guerra Mundial, em 1939, que alavancou a indústria bélica.


Um complexo de galpões construídos no final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) pelo Império Austro-Húngaro foi reutilizado pela Alemanha para a construção de Auschwitz, o mais famoso campo de concentração da Segunda Guerra Mundial.


O beagle Snoopy já assumiu a personalidade de um piloto da Primeira Guerra. Na ocasião, Barão Vermelho era o rival do cachorrinho. Foi daí que veio o nome da banda de rock de Cazuza e Frejat, fundada nos anos 80.


O nome da banda indie escocesa Franz Ferdinand é uma homenagem ao arquiduque assassinado no estopim da Primeira Guerra. Os integrantes da banda disseram em entrevista à revista Is This Music que a escolha foi feita pela afinidade da banda com a sonoridade do nome. Eles também assumiram que pretendem um dia se tornarem famosos a ponto de o nome Franz Ferdinand remeter antes à banda de rock do que ao personagem histórico.


Não há mais veteranos vivos da Primeira Guerra Mundial. A última a morrer foi Florence Green, em 4 de dezembro de 2012, aos 110 anos. Ela serviu ao exército britânico durante dois meses do conflito, como secretária das Forças Aéreas.

Leia também: 
O Brasil na Primeira Guerra – e o ataque a toninhas que entrou para a história
Curiosidades sobre a Primeira Guerra Mundial
A participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial

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4 Comentários

4 Comentários

  1. warde marx

    caramba, Marcelo!
    matou a pau!
    ótimo!

    Responder
  2. warde marx

    caramba, Marcelo!
    matou a pau!
    ótimo!

    Responder
  3. sergio adao iachovik

    historis reais e muito triste mas com rico conhecimento

    Responder
  4. sergio adao iachovik

    historis reais e muito triste mas com rico conhecimento

    Responder

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