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Nova cédula de 5000 pesos trará ex-ministro da Saúde argentino, acusado de ser admirador do Nazismo

3 de junho de 2020

O desenho da nova nota de 5 000 pesos argentinos foi apresentado na semana passada debaixo de muita discórdia. A comunidade judaica argentina condenou a pretendida homenagem ao neurologista e sanitarista Ramón Carrillo, ministro da Saúde entre 1949 e 1954, no governo de Juan Domingo Perón. Carrillo é considerado o grande arquiteto do serviço de saúde do país. Ao mesmo tempo, ele é apontado pelo Centro Simon Wiesenthal, que tem por missão encontrar criminosos da Segunda Guerra Mundial, de ser “um admirador de Hitler” e responsável pela entrada de nazistas na Argentina.

Carrillo é acusado, por exemplo, de ter assinado em 1947 um contrato de cinco anos para empregar o médico dinamarquês Carl Vaernet, ex-oficial da SS. Vaernet foi um dos responsáveis pelas experiências de Josef Mengele em prisioneiros judeus no campo de concentração de Auschwitz. Uma delas incluía a injeção de hormônios sintéticos nos testículos de prisioneiros homossexuais para saber como aquilo afetaria a sexualidade. Carrillo morreu em 1956, aos 50 anos, exilado em Belém do Pará, no Brasil.

“Carrillo deve ser fonte de orgulho”

A embaixadora de Israel na Argentina, Galit Ronen, foi uma das primeiras a registrar sua indignação. “Quando dizemos ‘nunca mais’ em referência ao Holocausto, não faz sentido comemorar alguém que ao menos simpatiza com essa ideologia”, escreveu Ronen no Twitter. O neto de Carrillo, também chamado Ramon Carrillo, rebateu os comentários da embaixadora, compartilhando no Twitter uma foto de um presente dado a seu avô em 1954 pelo então ministro da Saúde de Israel, Yosef Serlin. “Eu adoraria saber o que você tem a dizer sobre isso”, escreveu o jovem Carillo. O atual ministro da Saúde, o médico Ginés González García, declarou que não há nenhum documento que prove esses ataques: “Carrillo deve ser uma fonte de orgulho para o povo argentino”.

Ao lado de Carrillo na nota de 5 000 pesos, e longe de toda essa polêmica, aparece Cecília Grierson (1859-1934), a primeira mulher a receber um diploma de Medicina na Argentina, em 1889.

No verso, haverá uma homenagem ao Instituto Malbrán, que tem sido muito importante no atual momento de combate ao coronavírus.

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