Depois de 24 anos sem levantar o glorioso troféu, a Alemanha foi recebida por meio milhão de torcedores no Portão de Brandemburgo, em Berlim, na terça-feira passada. Na comemoração, os jogadores extravasaram tanta alegria que acabaram danificando a cópia da Taça Fifa que ficou em poder do país. O autor da proeza não foi revelado. “Em algum momento, uma pequena peça de nosso troféu da Copa se desprendeu”, afirmou o presidente da Federação Alemã de Futebol, Wolfgang Niersbach. “Mas não se preocupem. Temos especialistas para consertá-la.” Se serve de consolação para os alemães, essa não foi a primeira vez que isso aconteceu. Confira outros momentos de comemoração que foram parar na “assistência técnica”.

Em 2004, a zebra colombiana Once Caldas chegou ao título da Libertadores da América ao vencer o Boca Juniors, da Argentina, nos pênaltis.  O capitão do time, Samuel Vanegas, levantou a taça. Durante a volta olímpica, todos jogadores queriam sentir o “gostinho” do troféu. Até que ele chegou às mãos de Herly Alcázar. “Eu quebrei a taça”, contou o atacante. “Pensei que era compacta, porém o boneco de cima estava sustentado por apenas um cabo e as ‘orelhas’ do troféu estavam coladas. Quando me dei conta, passei o troféu e continuei celebrando'”. O jogadorzinho de bronze e as “orelhas” da taça sumiram. Os dirigentes da equipe colombiana pediram que os torcedores devolvessem as peças, mas não tiveram êxito.
Segundo o livro “Libertadores – paixão que nos une”, do jornalista brasileiro Nicholas Vital, a taça quebrada passou por um processo de restauração na Plateria Alzaimagem, em Santiago, no Chile. O trabalho foi realizado durante um mês pela equipe de Juan Pablo Rosel, seguindo o projeto original de Alberto de Gasperi, da joalheria peruana Camusso. ​O trabalho só não foi perfeito por causa de um detalhe: o pequeno jogador de bronze, que fica no alto da taça, era destro e passou a ser canhoto.

Oito anos depois, Corinthians e Boca Juniors disputaram  a final da Libertadores de 2012. O clube paulista, com dois gols de Emerson Sheik, sagrou-se campeão e finalmente levou a taça para o clube. Antes de ser colocado numa redoma dentro do museu, no entanto, o sonhado troféu fez um longo périplo. Em uma dessas viagens, o jogadorzinho que aparece em cima foi arrancado. Sem tempo de consertá-la, a taça foi mostrada, mesmo quebrada, na visita feita ao ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Antes que você pensa que isso só acontece com os latinos, vamos voltar a  2011. O Real Madrid foi campeão da Copa do Rei. Para festejar o título, o elenco circulou num ônibus conversível. Sergio Ramos era um deles. Quando o troféu chegou às mãos do animado defensor, ele tentou mostrá-lo aos madrilistas e deixou a taça cair de uma altura aproximada de 3 metros. O motorista, sem culpa, passou por cima dela.

Dias depois de Sergio Ramos ter destruído o troféu, o goleiro holandês Maarten Stekelenburg fez bobagem parecida. O Ajax festejava a conquista do campeonato nacional num ônibus fechado. O goleiro teve a brilhante ideia de sair pelo teto solar do ônibus para mostrar a taça em formato de prato. No melhor estilo vídeo-cassetada, ele perdeu o equilíbrio e fez a taça ficar girando pelo asfalto de Amsterdã (acompanhe a partir de 30 segundos):

Calma, calma. Isso não é privilégio de jogadores de futebol. Ao se tornar campeão do Aberto de Barcelona em 2000, o tenista russo Marat Safin levantou a taça com toda a sua força. Metade do troféu ficou em suas mãos. A outra metade despencou.  A feição do russo não chegou nem perto da reação do senhor engravatado ao lado direito do tenista, claramente chocado com a situação.

Todos pilotos são bons com as mãos? Talvez. A temporada 2013 da Formula Indy não estava sendo boa para Sébastien Bourdais. O 11º lugar havia sido sua melhor posição no ano. O grande resultado da vida do piloto francês na categoria veio em Toronto, no Canadá. Depois de ficar em 2º lugar e conseguir uma conquista inédita em sua carreira na Indy – subir ao pódio, recebeu o troféu e, na hora de levantá-lo, viu o objeto rolar pelo chão.


“O capitão Chris Burton receberá o troféu”, anunciou o locutor. Empolgado, o camisa 12 do Spokane Chiefs, clube que acabava de ser campeão canadense de hóquei, dirigia-se para receber a taça. Depois de posar para fotos, ele tentou entregá-lo a um companheiro. Na hora de passar o bastão, no entanto, o troféu escapou das mãos do capitão e despedaçou-se no piso de gelo. Sob vaias, ele tentou consertar a taça – e provou que a emenda pode ser pior que o soneto.

Por fim, em maio de 2011, Finlândia e Suécia se enfrentariam na final da Copa do Mundo de hóquei. O título foi conquistado pelos finlandeses. A volta para casa foi em um voo da Finnair, saindo da Eslováquia até Helsinque, a capital finlandesa. Na chegada, o cambaleante treinador de goleiros Pasi Nurminen (no voo, a comemoração foi regada a muita cerveja) escorregou no final da escada e deu uma bela cabeçada no troféu de campeão do mundo. Nesse caso, o estrago foi maior na testa dele do que na taça.