Depois da vitória do democrata Barack Obama nas eleições presidenciais norte-americanas, a população de sete Estados (seis deles de maioria republicana) tomou uma decisão um tanto radical. Anunciaram que querem se separar dos Estados Unidos. Quem comanda a onda separatista é o Texas, que acumula 100 mil assinaturas em uma petição. O governo do Estado, comandado pelo republicano Rick Perry, há tempos tem batido de frente com o governo federal.

INDEPENDÊNCIA DO TEXAS 
O Texas tem histórico separatista. Conseguiu sua independência em 1835, depois de ter sido tomado do México pelos norte-americanos. Mas, uma década depois, devido às condições econômicas precárias em que se viu, o estado voluntariamente decidiu se integrar aos Estados Unidos. Agora, o Texas tenta voltar atrás da decisão. Alabama, Louisiana, Geórgia, Carolina do Norte, Tennessee e Flórida (o único no grupo com população majoritariamente democrata) também têm petições com número de adesões suficiente para levar a causa separatista adiante (a Casa Branca promete responder a qualquer petição que tenha mais de 25 mil assinaturas).

Curiosamente, Porto Rico, território americano não incorporado ao país (é posse norte-americana, mas tem governo independente), passa por situação inversa. Lá, no início deste mês, 65% da população aprovou por plebiscito uma medida que prevê a adesão de Porto Rico aos Estados Unidos. A decisão agora só depende do Congresso norte-americano.
Outras regiões do mundo, geralmente por motivos de ordem econômica, também sonham com a independência. Com as recentes crises nas economias da Europa e dos Estados Unidos, esses movimentos têm ganhado força. Conheça alguns exemplos aqui no Blog do Curioso:

Flandres (Bélgica)

A Bélgica é composta basicamente por dois grupos: os flamengos, que falam holandês, e os valões, que falam francês. Os flamengos, que ocupam a região dos Flandres, correspondem a 59% da população belga, compondo a grande maioria da mão-de-obra ativa do país. O movimento separatista clama que os flamengos não deveriam ser obrigados a sustentar os valões, que participam pouco da força econômica do país.

Catalunha (Espanha)

O movimento separatista que ocorre atualmente na Espanha é um dos mais fortes do mundo. A região da Catalunha, habitada por um povo de língua e cultura próprias, é a mais economicamente ativa do país, mas, ao mesmo tempo, a que acumula a maior dívida. A Espanha está fazendo o possível para que a separação não aconteça: em outubro, o Parlamento votou um referendo para impedir o movimento e no início deste mês uma ajuda de mais de 3 bilhões de euros foi aprovada para suprir as necessidades da região. A cidade de Barcelona é uma das potências catalãs. Já pensou o que iria acontecer com o futebol espanhol se a Catalunha declarasse independência? 

Escócia (Reino Unido)

No início deste ano, um anúncio pegou o Reino Unido de surpresa: a Escócia quer se separar do país. A intenção é tomar a decisão em 2014, por meio de um referendo público. Há 305 anos, a Escócia, que tem 5,2 milhões de habitantes, faz parte do Reino Unido. Em 1990, a nação ganhou o direito de ter um autogoverno limitado, hoje assumido pelo Partido Nacional Escocês, mas ainda responde ao parlamento britânico.

País Basco (Espanha e França)

Desde 1959, o grupo separatista ETA (sigla em basco para “pátria basca e liberdade”) luta pela independência de uma região que engloba parte do norte da Espanha e do sudoeste da França, ocupada pelo povo basco, de língua e cultura próprias. Em 1968, o grupo adotou a violência como forma de chamar a atenção do mundo para sua causa, medida que só foi abolida em 2011. Entre as vítimas, está o ex-primeiro-ministro espanhol Luis Carrero Blanco, morto na explosão de um carro-bomba em 1973.

Caxemira (Índia)

Desde 1947, quando foi declarada a independência da Índia e do Paquistão, as duas nações brigam pela posse da região da Caxemira. Em 1972, depois de um conflito, a Índia ganhou o controle de 45% da região, ficando 33% destinados ao Paquistão e o restante à China. Desde 1989, um movimento separatista islâmico apoiado pelo Paquistão luta pela adesão da porção indiana à parte paquistanesa da Caxemira. Mais de 30 mil pessoas já morreram nas investidas violentas do movimento.

Tamil (Sri Lanka)

Dois grupos étnicos compõem a população do Sri Lanka: os cingaleses, que são maioria absoluta, e os tâmeis, que correspondem a apenas 12% dos habitantes do país. Esta última etnia fundou o LTTE, grupo separatista violento que vem travando uma sangrenta guerra com o governo do Sri Lanka em busca da independência da região nordeste do país.

Chechênia (Rússia)

A Chechênia é uma das repúblicas da Federação da Rússia. Depois do fim da União Soviética, em 1991, a Chechênia se autodeclarou independente, formando um parlamento próprio. No entanto, nenhum país do mundo reconhece essa separação. Por causa disso, desde então um grupo de militantes chechenos luta pela legitimidade de sua independência. O grupo é formado por extremistas islâmicos que consideram o domínio russo um dificultador da expansão da fé muçulmana na região.

Tibete (China)

Apesar de abrigar um povo de cultura própria, a região do Tibete pertence à China. Em 1913, sob o comando do 13º Dalai Lama, os tibetanos conseguiram expulsar as tropas chinesas da região, declarando independência. No entanto, isso nunca foi reconhecido pelos outros países do mundo. Os tibetanos continuam lutando (sem o uso da violência) contra a  falta de liberdade de expressão, a resistência em aceitar a cultura tibetana e o estímulo da migração chinesa para o Tibete impostos pelo governo chinês.  Hoje, eles clamam mais pela liberdade do que pela independência propriamente dita.