O Diário Oficial oficializou hoje a sanção do presidente Michel Temer ao Projeto de Lei 89/2012 que muda o nome do Aeroporto de Congonhas, na cidade de São Paulo. Agora, o segundo aeroporto mais movimentado do país recebe também o nome de Deputado Freitas Nobre.  A proposta foi apresentada em 2012 pelo então deputado João Bittar (DEM). Na justificativa, Bittar fez uma pequena biografia do homenageado e concluiu: “Emprestar o seu bom nome ao Aeroporto de São Paulo/Congonhas significa o reconhecimento e o resgate da memória de um homem público de bem que nunca teve medo de enfrentar os obstáculos da sua época para promover a igualdade, a liberdade e a fraternidade entre todos os brasileiros, tendo como principal objetivo, a defesa do interesse público e a melhoria das condições de vida de seus semelhantes”.

Deputado Freitas Nobre

A lembrança foi registrada na Câmara dos Deputados mais de duas décadas depois da morte de José Freitas Nobre, cearense nascido em Fortaleza no dia 24 de março de 1921 e falecido em São Paulo, onde morava desde 1948, no dia 19 de novembro de 1990, aos 69 anos. Na capital paulista ele se formou em Direito e iniciou uma carreira de sucesso no Jornalismo, onde chegou inclusive a ser presidente da Federação Nacional dos Jornalistas. Em 1958 elegeu-se pela primeira vez vereador por São Paulo, alcançando em 1961 o cargo de vice-prefeito na chapa de Francisco Prestes Maia. O mandato terminou em 1965, um ano depois do Golpe Militar, que dissolveu os partidos políticos e forçou Freitas Nobre a se mudar para o MDB, a legenda de oposição ao regime.

Novamente eleito para a Câmara dos Vereadores de São Paulo em 1968, ele passou a ter uma atuação de destaque na luta contra a ditadura militar, chegando a se exilar na França, e se tornou deputado federal em 1971. Em 1985, tentou se candidatar à prefeitura de São Paulo, mas não obteve apoio. No ano seguinte, não conseguiu se eleger deputado. Mudou-se para o PSDB em 1988. Foi autor de 14 livros sobre História, Jornalismo e Direito e membro da Academia de Letras de São Paulo.

AEROPORTO DE CONGONHAS

Veja agora quem são outras personalidades que batizam aeroportos brasileiros:

Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos – Governador André Franco Montoro
O aeroporto mais movimentado do Brasil foi inaugurado em 20 de janeiro de 1985, mas só passou a homenagear um dos mais famosos políticos paulistas no dia 28 de novembro de 2001, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou o projeto de lei 2508/2000, do deputado Silvio Torres (PSDB-SP). André Franco Montoro começou sua carreira pública como deputado estadual em 1941. Foi deputado federal, ministro do Trabalho durante o governo João Goulart (1961-1962), Senador em dois mandatos e primeiro governador de São Paulo eleito pelo povo após 20 anos sem eleições em 1982. Após os apoios bem-sucedidos às campanhas de Jânio Quadros para a prefeitura em 1985 e Orestes Quércia para o governo em 1986, deixou o PMDB e ajudou a fundar o PSDB em 1988. Não se elegeu senador em 1990, mas depois emendou dois mandatos como deputado federal até falecer vítima de um infarto fulminante em 16 de julho de 1999, dois dias depois de completar 83 anos. Apesar da homenagem, quase ninguém chama o local pelo nome do ex-governador – “Aeroporto de Guarulhos” e “Aeroporto de Cumbica”, em referência ao bairro, são os nomes mais utilizados. É o mesmo que acontecerá com o Aeroporto de Congonhas.

Aeroporto Internacional de Brasília – Juscelino Kubitschek
O aeroporto de Brasília recebe o nome do presidente que levantou a bandeira da criação de uma nova capital e se notabilizou pela promessa de que o Brasil cresceria 50 anos em cinco. O aeroporto foi inaugurado em 2 de maio de 1957, três anos antes da própria criação oficial da capital federal. O primeiro voo trouxe justamente o presidente JK de uma viagem aos Estados Unidos. Ele despachou dentro do avião e participou de uma missa para a nova capital.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE BRASÍLIA

Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro-Galeão – Antônio Carlos Jobim
Ainda que Vinicius de Moraes tenha passado toda sua infância na Ilha do Governador, é Tom Jobim quem batiza o aeroporto construído no bairro para abrigar os voos internacionais que chegam e partem todos os dias do Rio de Janeiro. O local foi inaugurado no dia 1º de fevereiro de 1952. Em 1995, um ano depois da morte do cantor e compositor, o senador Julio Campos (PFL-MT) apresentou o projeto de lei que batizou o aeroporto com o nome de Tom Jobim, que morria de medo de viajar de avião. O projeto foi sancionado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 5 de janeiro de 1999. Ícone da Bossa Nova, Tom Jobim cantou a cidade do Rio de Janeiro muitas vezes ao longo da carreira, consagrando também a Cidade Maravilhosa através de canções como “Garota de Ipanema” e “Samba do Avião”. Ainda que “Aeroporto do Galeão” seja o nome usado com mais frequência, o aeroporto também é bastante conhecido pelo nome do homenageado.

Aeroporto Internacional de Belo Horizonte-Confins – Tancredo Neves
Um dos maiores políticos da história de Minas Gerais, Tancredo de Almeida Neves seria o primeiro presidente civil do Brasil depois do Golpe Militar, eleito indiretamente em 1984. No entanto, foi internado em estado delicado no dia 14 de março de 1985, véspera da posse, e morreu no dia 21 de abril de 1985, vítima de uma infecção generalizada, e jamais assumiu o cargo. Um ano antes, em março de 1984, Minas Gerais inaugurou o seu aeroporto internacional na cidade de Confins (o aeroporto de Belo Horizonte não fica em Belo Horizonte em termos geográficos), na região metropolitana. Com a morte de Tancredo, o aeroporto rapidamente foi rebatizado, já em 1986. “Confins”, no entanto, ainda é o nome pelo qual o local é chamado com mais frequência.

Aeroporto Santos Dumont (Rio de Janeiro)
O Pai da Aviação não poderia ficar de fora dessa lista. Se por um lado batiza apenas o sétimo aeroporto mais movimentado do Brasil, por outro Alberto Santos Dumont é um dos poucos cujo nome “pegou”. O segundo principal aeroporto do Rio de Janeiro, primeiro exclusivamente civil do país, não tem outro nome que não o do inventor do avião.

Aeroporto Internacional Salgado Filho (Porto Alegre)
Assim como o Pai da Aviação, Joaquim Pedro Salgado Filho também batiza um aeroporto que não é conhecido por outro nome. A capital gaúcha inaugurou seu aeroporto em 3 de julho de 1940, quando Salgado Filho ainda era um político recém-saído de seu mandato como deputado federal. Em 1941 ele se tornou o primeiro ministro da Aeronáutica, cargo que ocupou por cinco anos e no qual estimulou a criação de novos aeroportos comerciais. Sua participação na história da aviação se estende ainda à criação do Correio Aéreo Nacional e da Escola de Aeronáutica. Em 30 de julho de 1950 morreu em um acidente aéreo durante a campanha para o governo do Rio Grande do Sul. Já em 27 de maio de 1951 um decreto denominou os aeroportos de Porto Alegre e São Carlos (SP) com o nome do político.

Joaquim Pedro Salgado Filho

Aeroporto Internacional de Salvador – Deputado Luis Eduardo Magalhães
Inaugurado em 1925, o aeroporto de Salvador se chamava Dois de Julho, data em que a Bahia dispensou as tropas portuguesas e se tornou 100% independente de Portugal. Em 1998, porém, o deputado federal Aroldo Cerdaz (PFL-BA) levou à Câmara dos Deputados um projeto de lei que mudaria o nome para “Deputado Luis Eduardo Magalhães”. A homenagem ao filho do então presidente do senado Antônio Carlos Magalhães, político mais influente da Bahia, foi aprovada ainda em 1998. Luís Eduardo já era um deputado federal influente, líder do governo FHC na Câmara, pré-candidato ao governo do Estado e nome forte para uma disputa presidencial futura quando sucumbiu a um infarto fulminante, aos 43 anos. Em 2002, o deputado Luiz Alberto (PT-BA) propôs a retomada do nome original, mas o projeto de lei teve sua votação sucessivamente adiada e atualmente aguarda um parecer do relator da Comissão de Cultura.

Outros dos principais aeroportos brasileiros que batizam personalidades:

Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes – Gilberto Freyre: nascido na capital de Pernambuco, o escritor e sociólogo ficou famoso pelo livro “Casa Grande & Senzala”.

Aeroporto Internacional Afonso Pena (Curitiba): o advogado Afonso Augusto Moreira Pena foi o sexto presidente da República do Brasil, entre 1906 e 1909.

Aeroporto Internacional Pinto Martins (Fortaleza): Euclides Pinto Martins nasceu no interior de Ceará e se notabilizou por participar da tripulação do primeiro voo entre as Américas do Norte e do Sul – foram três meses de viagem entre Nova York e o Rio de Janeiro com muitos problemas enfrentados pelos tripulantes.

Aeroporto Internacional Hercílio Luz (Florianópolis): Hercílio Pedro da Luz foi governador de Santa Catarina em três mandatos e batiza também a ponte que é cartão-postal de Florianópolis.

Aeroporto de Vitória – Eurico de Aguiar Salles: político capixaba de grande influência no governo de Juscelino Kubitschek, sendo inclusive o representante brasileiro no Fundo Monetário Internacional.

Aeroporto Internacional Marechal Rondon (Cuiabá): o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon desbravou o interior e decifrou várias culturas indígenas do país, inspirando inclusive a criação do Serviço de Proteção ao Índio.

Aeroporto Internacional Eduardo Gomes (Manaus): candidato derrotado duas vezes à presidência, Gomes participou do Golpe Militar de 1964. Ao longo dos anos popularizou-se a história de que o doce “brigadeiro” tem esse nome por causa de Eduardo, que era brigadeiro da Força Aérea Brasileira e teria dado projeção à guloseima durante a campanha presidencial de 1950 – o doce era chamado de “docinho do brigadeiro”.

Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves (Natal): além de governador do Rio Grande do Norte por seis anos (1961-1966), o advogado e jornalista foi deputado federal por três mandatos e ministro dos presidentes José Sarney e Fernando Henrique Cardoso.

Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares (Maceió): o aeroporto da capital alagoana presta reverência ao ícone da resistência negra e líder do Quilombo dos Palmares.