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Pelé só marcou “gol de placa” por causa de Joelmir Beting

29 de novembro de 2012

Joelmir Beting nos deixou nesta madrugada. Ele estava internado desde outubro para o tratamento de uma doença auto-imune, e há quatro dias sofrera um acidente vascular cerebral. Quem fez o anúncio foi um de seus filhos, o jornalista Mauro Beting, pelo Twitter: “Um minuto de barulho por Joelmir Beting. 21/12/1936 – 0h55 de 29/11 /2012”. Convivi pouco com Joelmir nos corredores da Rádio Bandeirantes. E o assunto era sempre o mesmo: futebol. Torcedor do Palmeiras, Joelmir Beting deixou a paixão pelo time determinar escolhas decisivas de sua vida.

Típico garoto do interior paulista, Joelmir era uma criança gaga e religiosa, curada do mal que poderia dificultar sua carreira jornalística com uma sopa de quiabo. Seu primeiro emprego foi como boia-fria, nas lavouras de café de Tambaú, sua cidade natal. Com 19 anos de idade, mudou-se para a capital para estudar jornalismo e sociologia, por incentivo do famoso Padre Donizete, que enxergava no jovem um talento para a comunicação.

Joelmir Beting começou a carreira no jornalismo esportivo. Apesar de não ter seguido adiante nessa área, ele deixou uma marca que vai ficar para sempre: foi por causa dele que surgiu a expressão “gol de placa”. Na partida pelo Torneio Rio – São Paulo de 5 de março de 1961, Pelé, do Santos, fez um gol extraordinário contra o Fluminense de Telê Santana. O rei do futebol carregou a bola desde o campo de defesa, driblou seis jogadores tricolores até balançar a rede do adversário. O gol foi tão bonito que ambas as torcidas se levantaram para aplaudir, protagonizando um momento raro na história do futebol brasileiro. O time santista venceu a partida por 3 x 1. Joelmir Beting mandou colocar uma placa de bronze comemorativa no estádio do Maracanã para eternizar o feito de Pelé.

Na época, Joelmir Beting era um jovem e entusiasmado repórter de 25 anos, que trabalhava no jornal O Esporte. Foi ele que bancou, por conta própria, a confecção da placa do gol de Pelé. A imprensa costuma confundir os fatos e atribuir a Joelmir Beting a criação da expressão. Mas ele mesmo explica: “Eu sou o autor da placa que gerou a expressão ‘gol de placa’”. A expressão foi criada depois, por comentaristas de futebol: sempre que um jogador fazia um gol digno de uma placa comemorativa, o feito era chamado de “gol de placa”. Hoje, “gol de placa” está no vocabulário da língua portuguesa falada no Brasil. No ano passado, no aniversário de 50 anos do gol, Pelé retribuiu a homenagem e entregou a Joelmir uma placa em acrílico: “Gratidão eterna ao Joelmir Beting. Gratidão eterna do autor do gol de placa ao autor da placa do gol”.

Mas, com toda essa paixão pelo futebol, por que Joelmir Beting deixou o emprego na publicação esportiva para investir na carreira como jornalista econômico? A resposta vem justamente de seu fanatismo. O palmeirense roxo não se conteve durante a transmissão de um clássico Corinthians 3 x  3 Palmeiras no Pacaembu, em 24 de março de 1959, pela Rádio Jovem Pan, que ainda se chamava Rádio Pan-Americana. Quando Romero marcou o gol de empate para o Palmeiras, aos 42 minutos do segundo tempo, o jornalista se empolgou tanto que não conseguiu segurar sua comemoração na tribuna de imprensa. E começou a fazer sinais de “banana” para os rivais. Isso provocou a ira da torcida corintiana, que ameaçou bater no jornalista. Colegas de trabalho também recriminaram a atitude de Joelmir.

A confusão foi determinante na decisão de Joelmir Beting de manter o futebol apenas em sua vida pessoal. Em 1962, abandonou o jornalismo esportivo e, em 1968, lançou a editoria de Economia do jornal Folha de S. Paulo, primeira investida na área que consagrou sua carreira. Ele ficou conhecido por ter desenvolvido uma forma clara de enunciar assuntos econômicos para o público. Até 2012, Joelmir Beting deixou sua marca nos principais veículos de comunicação do país, como O Estado de S. Paulo, Rede Globo e, atualmente, no Grupo Bandeirantes.

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2 Comentários

2 Comentários

  1. edson terto

    grande jornalista,pena que não torcia pelo “Sport Recife”.
    Sou de Caruaru, mas…
    GRAAAAAAAAAAAAANNNNNNNNNNDE “FÃ de JOELMIR BETING”.

    Responder
  2. Suricato

    “Houve tempo que o motorista brasileiro andava a 80km/h menos por segurança que pelo combustível caro.” (Joelmir Beting)

    Responder

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