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Por que e onde são descobertas ainda novas espécies de animais?

8 de novembro de 2013

Em tempos de discussões acaloradas sobre a ação do homem na natureza, é muito comum ouvirmos que várias espécies de animais correm risco de extinção. Mas existe, felizmente, um outro lado nessa história: em apenas uma expedição realizada na Floresta Amazônica por uma ONG americana, em 2009, foram descobertos de uma só vez quatro novos anfíbios, um réptil e sete insetos. Todos os anos, cientistas descobrem novos animais ao redor do mundo. Insetos, anfíbios, répteis e aves são descobertos em maior quantidade. Difícil mesmo é encontrar novos mamíferos. E, dentro dos mamíferos, existe uma dificuldade ainda maior: mamíferos carnívoros. “Na maioria das vezes, os mamíferos carnívoros são caçadores e, por isso, aparecem em menor número por estarem no topo da cadeia alimentar”, explica o biólogo Guilherme Domenichelli, autor do livro Girafa tem Torcicolo? e especialista no assunto. Ele deu a seguinte entrevista ao Blog do Curioso:
Quais foram as descobertas de animais que mais chamaram a atenção recentemente?
Existem duas que merecem destaque. A primeira é respeito um animal que muitos acreditavam ser uma subespécie do chacal dourado, relativamente comum na África. Mas que, por meio de pesquisas genéticas, descobriu-se que o Lobo da África é um tipo de animal mais próximo do Lobo da Etiópia. A outra refere-se ao Olinguito (Bassaricyon neblina), primeiro carnívoro a ser descoberto no Ocidente nos últimos 35 anos. É um bicho bastante próximo dos quatis e dos guaxinins. Pesa em torno de 1 quilo e vive em florestas da Colômbia e do Equador. Alimenta-se de pequenas frutas e animais, prefere ficar acordado durante a noite e vive no alto das árvores. As fêmeas têm um filhote por gestação.

 

Uma nova espécie de mamífero foi descoberta (e é adorável)

Olinguito, o primeiro carnívoro descoberto no Ocidente em 35 anos

 

Lobo africano

O lobo africano

Podem surgir novas espécies de cruzamentos de duas espécies já conhecidas?
Isso não é possível. Quando duas espécies já conhecidas se cruzam, elas dão origem a um novo animal, mas ele não é visto pela Biologia como uma nova espécie, mas como um híbrido, uma mistura feita pelo homem. O exemplo mais famoso de híbrido é o da mula, que é o cruzamento entre o jumento e a égua. Para que surja uma nova espécie, é preciso que exista isolamento geográfico, ou seja, uma espécie é separada por fatores naturais, como um rio ou um vulcão, e a partir daí, em um processo que pode levar milhares de anos, ela dá início a uma série de cruzamentos que pode originar a especiação (surgimento de novas espécies).
Como esses animais são batizados?
Animais recém-descobertos têm seu nome escolhido por um grupo de cientistas. Eles são chamados de “taxonomistas”. São eles que decidem se o nome científico do animal homenageará o pesquisador que o descobriu ou se fará menção ao local em que ele foi encontrado. Quanto aos híbridos, eles não recebem uma nomenclatura científica, pois a ciência não os trata como pertencentes a novas espécies.
Quais foram as últimas espécies descobertas no Brasil?
Em 2013, 15 novos tipos de aves foram encontradas na Floresta Amazônica. Onze vivem exclusivamente no Brasil e foram nomeadas com base nos locais em que foram vistas pela primeira vez, como são os casos da Arapaçu-do-Tapajós, Arapaçu-Barrado-do Xingú e o Cantador-de-Rondon. É a maior descoberta da ornitologia brasileira nos últimos 140 anos.
Em que Estados elas foram encontradas?
Mato Grosso, Rondônia, Amazonas, Pará e Acre.

Amigo da natureza - Jornal Joca

O biólogo Guilherme Domenichelli

A maioria das espécies que você citou são encontradas em florestas. Este é o melhor ambiente para descobertas de novas espécies?
Não, não. O ambiente que mais esconde segredos para nós, biólogos, são os oceanos, principalmente nas profundezas, que ainda são pouco exploradas.
Teve alguma descoberta mais recente e curiosa vinda dos oceanos?
A mais curiosa é um novo tipo de tubarão encontrado na costa leste da Indonésia. O Tubarão Bambu (Hemiscyllium Halmamera) é bem pequeno (80 centímetros de comprimento) e inofensivo para seres humanos. Ele usa as nadadeiras como se fossem pés para se locomover no fundo do mar, dando a impressão de estar caminhando sobre a areia.

Cuidados com a água e o bócio no aquário do Tubarão-bambu ...

O Tubarão Bambu

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