Charlie Chan
Chang Apana nasceu no Havaí em 1871. Passou parte da infância na China e retornou ao arquipélago aos dez anos. Em 1898, tornou-se o único chinês do departamento de polícia da capital Honolulu. O detetive nunca aprendeu a ler, mas era fluente em havaiano, crioulo havaiano e chinês. Investigou casos de jogatina ilegal e tráfico de ópio.
Em 1924, o escritor americano Earl Derr Biggers lia jornais de Honolulu na biblioteca de Nova York. Gostou dos feitos de Chang Apana e decidiu usá-lo como inspiração para um dos personagens de seu livro The house without a key (“A casa sem chave”), lançado no ano seguinte. Assim nasceu Charlie Chan, um dos personagens mais populares do cinema nos anos 1930, 1940 e 1950.
Em 2010, o escritor chinês Yunte Huang lançou o livro Charlie Chan: The untold story of the honorable detective and his rendezvous with american history, que mostra Charlie Chan sob quatro pontos de vista: a carreira de Chang Apana, a vida do autor Biggers, os filmes e seu impacto na sociedade americana e, finalmente, a trajetória do próprio Huang, que é membro da comunidade chinesa vivendo nos Estados Unidos.

Charlie Chan 2

A primeira adaptação do personagem para as telas saiu em 1926. The house without a key era uma série de dez episódios com o japonês George Kuwa. Depois, outro japonês e um coreano interpretaram o detetive, mas o sucesso só veio com Charlie Chan carries on (1931), quando o papel chegou ao sueco Warner Oland. Ele fez mais quinze filmes do personagem, até morrer em 1938.

Enquanto o Charlie Chan de Warner Oland era sempre acompanhado por seu “filho número 1”, Lee Chan (Keye Luke), a versão do substituto Sidney Toler era seguida pelo irritante “filho número 2”, Jimmy Chan (Sem Yung). Depois de 11 filmes com Toler, a Fox decidiu não produzir mais episódios e o ator comprou os direitos do personagem e continou interpretando-o. Com a morte de Sidney Toler, em 1947, o ator Roland Winters fez os últimos seis filmes da série.
O personagem fez tanto sucesso que houve versões de suas histórias em chinês e espanhol. Eran Trece (1931), com o ator Manuel Arbó, foi filmado ao mesmo tempo que o americano Charlie Chan carries on. Cada cena era filmada duas vezes por dia: uma em inglês, outra em espanhol.

Também estrelou quatro radionovelas, duas séries de televisão, uma revista em quadrinhos e um desenho animado de Hanna-Barbera chamado As aventuras de Charlie Chan. Nele, o detetive desvenda mistérios com a ajuda de seus dez filhos e o cachorro Chu Chu. Veja a abertura brasileira do desenho: