Em março deste ano, quando um terremoto e um tsunami atingiram o nordeste do Japão, cerca de 80% dos prédios da cidade de Ishinomaki, que fica na província Miyagi, foram destruídos. Em um caso como esse, sem energia elétrica, seria de se esperar que jornais não sejam impressos por um longo período.

Os funcionários do jornal Ishinomaki Hibi Shinbun não deixaram a população sem notícias naquele momento crítico e confeccionaram seus periódicos à mão durante seis dias. Seis jornalistas iam à rua fazer reportagens e outros três passavam cerca de uma hora e meia por dia escrevendo-as em pôsteres. Depois, os “jornais” eram colados nas portas dos centros de desabrigados.
Habitantes do sudeste da Índia que têm como idioma nativo o urdu – língua oficial do vizinho Paquistão, semelhante ao híndi, mas escrita com alfabeto diferente – também escrevem jornais a mão. Mas eles fazem isso desde 1927. Todos os dias.

Fundado por Syed Azmathullah, o The Musalman é o mais antigo jornal em urdu que existe, além de ser a última publicação do tipo escrita à mão no mundo. Os seis funcionários – quatro deles são copistas dedicados à caligrafia urdu – trabalham em uma sala de cerca de 74 metros quadrados que também comporta uma prensa e um fax, mas nenhum computador.
O jornal tem apenas quatro páginas. Depois que os copistas terminam de montar a edição do vespertino, ele é copiado com a prensa e enviado aos assinantes. Syed Arifullah, neto do fundador e atual editor do Musalman, diz que não pretende usar computadores, já que a identidade do jornal é o uso da caligrafia e, sem isso, eles seriam iguais a outras publicações.

Índia: O Último Jornal Escrito à Mão no Mundo · Global Voices em ...