PAULINHO PAIAKÃ

O cacique caiapó Paulo Paiakan poderia ser lembrado pela medalha de honra que recebeu na 4ª Reunião Anual da Better World Society (Sociedade para um Mundo Melhor) das mãos do ex-presidente Jimmy Carter. Foi uma honraria que nenhum ecologista brasileiro recebera até então. Mas Paiakan é lembrado mesmo por um incidente ocorrido em maio de 1992.

Ele foi condenado a seis anos de prisão em regime fechado, acusado de torturar e estuprar a estudante Silvia Letícia da Luz Ferreira, à época com 18 anos. A mulher do cacique, Irekran, que participou dos atos de violência, foi condenada a quatro anos. O casal estava embriagado quando o crime ocorreu.

Os índios, por não serem emancipados, não são alcançados pela lei dos brancos. Mas a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Pará, que condenou Paiakan por unanimidade, considerou que o cacique já estava aculturado. Tinha, portanto, discernimento de que praticava um crime. Paiakan e Irekran já haviam sido julgados e inocentados em 1994.