DR. ZERBINIO brasileiro Euryclides de Jesus Zerbini poderia ter sido o primeiro cirurgião a realizar um transplante cardíaco em seres humanos. A partir de 1960, oito equipes ao redor do planeta treinavam em cães para a façanha. O acordo era de só transplantar humanos quem tivesse na mesa de operação um paciente condenado e encontrasse, em poucas horas, um doador com morte cerebral.

A oportunidade surgiu, em fevereiro de 1967, no Hospital das Clínicas, em São Paulo, onde Zerbini trabalhava. Mas ele foi proibido de fazer a cirurgia pela direção do hospital que, cautelosa, não se contentava com os 125 cachorros transplantados por sua equipe. Dez meses mais tarde, o médico sul-africano Christiaan Barnard foi o pioneiro. Tendo realizado menos cirurgias caninas que Zerbini, ele operou Lois Washkansky, que não era um paciente condenado.

Graças a Zerbini, o Brasil acabou sendo o terceiro país do mundo a realizar um transplante cardíaco, 26 de maio de 1968. No Hospital das Clínicas, em São Paulo, o boiadeiro mato-grossense João Ferreira da Cunha recebeu o coração e sobreviveu por mais 27 dias.

Em 3 de junho de 1985, ao operar Manuel Amorim da Silva, Zerbini fez também o primeiro transplante cardíaco do mundo em portador de Doença de Chagas.