A história dos nomes próprios

26 de junho de 2020

O estudo do nome das pessoas chama-se antroponímia. Apesar de a expressão ter sido usada pela primeira vez em 1887 pelo filólogo português J. Leite de Vasconcelos, na Revista Lusitana, o fato de as pessoas terem um nome “está documentado em todos os povos, em todas as línguas, em todas as culturas, em todos os tempos, desde os primórdios da humanidade”, conta Rosário Farâni Mansur Guérios, em seu Dicionário etimológico de nomes e sobrenomes (Editora Ave Maria).

Na Antiguidade, alguns povos já acreditavam que o nome exercia um poder sobre a vida da pessoa. Os romanos, por exemplo, chamavam um recém-nascido de fortis para que ele fosse, realmente, um ser valente, robusto.  Há milhares de anos, as pessoas recebiam apenas um nome. Como existiam poucas pessoas no mundo, não havia possibilidade de confusão. Na Grécia, e também pelo que se vê pela Bíblia, era assim: Adão, Sócrates, Moisés, Platão… Aos poucos, com o aumento da população, o nome passou a ser acompanhado de um sobrenome, definido da seguinte forma:

  1. Ligação com o nome do progenitor ou da família. Por exemplo, José Bartolomeu significa: José, filho de Tolomeu. O “Bar”, em aramaico, indica a filiação.
  2. Ligação com a terra. É comum personagens históricos terem seu nome unido ao nome de um país, província, cidade, aldeia etc., como é o caso, por exemplo, de Alexandre da Macedônia.
  3. Ligação com a profissão. O sobrenome italiano Cavalcanti, o espanhol Caballero e o francês Chevalier significam a mesma coisa: cavaleiro. Já Taylor, em inglês corresponde, em alemão, a Schneider, ou seja: alfaiate.
  4. Uso de alcunha. Algumas características físicas, capacidades ou virtudes também passaram a integrar os nomes. Assim, temos Filipe, o Belo, e Ricardo Coração de Leão.

Momentos determinantes da história
Depois, por exemplo, de uma conquista esportiva por um país, muitos habitantes costumam batizar seus filhos nascidos naquela época com o nome dos heróis daquele evento. Foi o caso do pentacampeonato mundial de futebol conquistado pela Seleção Brasileira, que ajudou a batizar mui-  tos Ronaldos, Rivaldos e Vitórias. O pai projeta no filho sua euforia e seu desejo de vencer e de alcançar projeção social.

Religião
Em todas as religiões, a criança é colocada sob a proteção de Deus. Entre os católicos sempre houve e haverá os xarás dos santos e entre os evangélicos, principalmente, há uma profusão de nomes extraídos da Bíblia.

Personalidades
Artistas, personagens de novela, pessoas que frequentam o circuito social  e até mesmo o médico ou a enfermeira que fez o parto do bebê podem servir de inspiração para o nome da criança.

Fusão do nome do pai com o da mãe
É uma invenção tipicamente brasileira, em especial no Nordeste. O nome do escritor Ziraldo Alves Pinto, por exemplo, vem da combinação do nome de sua mãe, Zizinha, com o de seu pai, Geraldo.

Estrangeirismos
Muita gente adota nomes próprios típicos de outros países, como Sasha (comum na Rússia) ou Diana (na Inglaterra). Algumas vezes, troca-se uma ou outra letra: Diana por Daiane ou Dayane.

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