O Homem das Cavernas
Sanduíche de brontossauro, bife de tiranossauro à milanesa ou braquiossauro assado? Nada disso. Para começar, quando os homens surgiram na Terra, os dinossauros já tinham desaparecido fazia mais de 60 milhões de anos. O homem da Idade da Pedra (50000 a.C.) comia frutos, raízes, ovos de vários bichos, peixes e alguns tipos de insetos, tudo cru. Carne era um prato raro, pois ficava difícil caçar os animais com suas armas primitivas. As coisas só melhoraram quando o homem descobriu o fogo. No começo, em todas as refeições, punha-se o alimento em contato direto com o fogo, como se faz com o churrasco hoje em dia. Foi sobre as pedras que os homens assaram os primeiros pães. Na Idade da Pedra Lascada (10000 a.C.), eles aprenderam a moldar panelas de barro e incluíram as sopas em seus cardápios. Depois disso, na Idade da Pedra Polida (8000 a.C.), o homem aprendeu a domesticar animais, criar gado, plantar cereais, usar o mel das abelhas e temperar a comida com sal.
No Egito Antigo
Os egípcios de 3000 a.C. já usavam temperos como alho, salsa e cebola. A cebola era apreciada também como alimento e, diziam, mantinha os espíritos maus bem longe (será que é por causa do hálito que deixam?). Plantavam ceva- da, cultivavam trigo e uvas, e faziam pão, vinho, hidromel e um tipo de cerveja. Mil anos depois, eles comiam carne de caça, aves, peixes, ostras e ovos. Em sua mesa havia também leguminosas como ervilhas, favas, lentilhas, e frutas: azei- tonas, figos e tâmaras, maçãs, romãs, abricós e amêndoas. Nos banquetes dos faraós, sempre acompanhados de jogos, música e danças, costumava haver trufas, um cogumelo subterrâneo ainda hoje disputadíssimo.
Na Grécia Antiga
Por volta de 1150 a.C., o povo comia peixe, frutos do mar, legumes e frutas. A carne ficava para os ricos. Para melhorar o gosto da comida, usava-se alho-poró, cebolinha, sálvia, orégano e coentro. As cebolas também eram bastante apreciadas. Em Esparta, preparava-se um guisado de carnes diversas com muita gordura e vinagre. Tempos depois, esse cardápio foi enriquecido com o centeio, o arroz e a aveia, que acompanhavam as aves e as carnes de caça. De todas as aves, a mais disputada era o ganso, por sua carne, fígado e ovos. O contato com povos asiáticos foi sofisticando a comida grega.
Na Roma Antiga
A comida era muito simples: vegetais e frutas. Os romanos gostavam de alho, cebola, nabo, figos, romãs, laranjas, peras, maçãs e uvas. O prato do dia a dia era um mingau de água e cevada. Uma versão mais sofisticada levava vinho e miolos de animais. Outra, a puls punica, continha queijo, mel e uma gema de ovo. Só os ricos comiam carne, geralmente de carneiro, burro, porco, ganso, frango, pato ou pombo. Alimentavam os porcos com figos para que sua carne ficasse perfumada e criavam gansos de maneira especial para com eles preparar patês. Faziam o mesmo com os frangos, alimentando-os com anis e outras especiarias. Pensou que os romanos primitivos já eram vidrados em macarronada? Quando Roma foi fundada, no século VIII a.C., o povo não conhecia o trigo, cereal indispensável para a feitura da massa.
Idade Média
O cristianismo começou a mudar os hábitos. Os conventos incentivavam o uso de frutas e legumes em refeições muito simples. Nos séculos VIII e IX d.C., a comida se sofisticou, passando a incluir massas, ovos recheados, carne e peixe. As Cruzadas, entre os séculos XI e XIII, permitiram aos europeus entrar em contato com produtos do Oriente, logo incorporados à culinária: trigo-sarraceno, açúcar, anis, cominho, canela, gengibre, noz-moscada, açafrão, cebolinha e ameixa. Esses novos ingredientes possibilitaram o desenvolvimento da salsicharia e das técnicas de preparação de vinagre, mostarda e molhos especiais.
Renascimento
Servir refeições criativas e bonitas passou a ser uma obrigação. Tanto que começaram a aparecer os livros de culinária. A carne de caça era coberta com molhos finos, e as sopas, que podiam ser de cebola, de favas, peixe ou mostarda, viraram moda. Em fins do século XVI, cozinheiros e masseiros italianos espalharam-se pelo mundo, divulgando essa arte.
Cortes Francesas
O luxo e o requinte eram as marcas registradas das refeições da nobreza francesa nos séculos XVII e XVIII. Os pratos eram levados à mesa separadamente, nesta ordem: a sopa, a entrada, a salada, o assado e a sobremesa. Cada prato vinha acompanhado pelo tipo de vinho mais adequado a seu paladar. Na carta que escreveu ao rei de Portugal, em 1500, Pero Vaz de Caminha já elogiava o palmito brasileiro.
