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Entrevista: como seria o Brasil se o golpe militar de 64 não tivesse acontecido

27 de fevereiro de 2014

Golpe ou revolução? Às vésperas de completar 50 anos, a tomada do poder pelos militares em 1° de abril de 1964 ainda está cercada de muitas perguntas. Caso o movimento organizado pelos quartéis não tivesse acontecido, o que teria sido do país desde então? João Goulart teria organizado um golpe comunista ou teria sido igualmente deposto, só que por grupos esquerdistas? Como estariam as principais lideranças políticas do país atualmente? O Blog do Curioso entrevistou o professor de História  Warde Marx, novo colaborador do programa “Você é Curioso?”.

 

Mesmo depois de 50 anos, a polêmica ainda existe: a tomada do poder pelos militares em 1964 foi um golpe ou uma revolução? Qual é a diferença entre os dois conceitos?
Foi golpe. Uma revolução, além de derrubar um governo (ou pelo menos pretender isso), altera fundamentalmente a estrutura de um país. Tivemos poucas revoluções:  a francesa, a russa, a cubana e a chinesa, para citar algumas. Foi também um golpe por ter sido baseado  numa mentira. Explico: João Goulart foi apeado do poder por ter abandonado o território nacional sem prévia autorização do Congresso. Era a regra, estava na Constituição. Os primeiros movimentos de tropas ocorreram na madrugada de 31 de março. Porém, isso acabou sendo pouco significativo. Nesse dia e no seguinte, ocorreram marchas e contramarchas, impasses sucessivos e farta comunicação por rádio e telefone. O presidente voou para o Rio Grande do Sul, de onde poderia fugir por terra se a coisa apertasse, pois era amigo, cunhado e aliado do governador local, Leonel Brizola. Se ficasse, teria que se entregar aos militares ou resistir, mergulhando o país numa guerra civil. Não foi preciso. Em 1º de abril de 1964, o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, anunciou que  Jango havia deixado o território brasileiro, dizendo a fatídica frase: “Declaro vaga a Presidência do Brasil”. Imediatamente, empossou o próximo na linha sucessória, o presidente da Câmara, Ranieri Mazzili. Como Jango ainda estava no Brasil, tivemos uma mentira colocada no lugar de um governo eleito pelo povo. E viva o Primeiro de Abril!

Capa do jornal “O Globo” no dia seguinte ao Golpe

O principal argumento usado pelos militares que executaram o golpe era o de que João Goulart implantaria o comunismo. Jango realmente teria organizado um golpe comunista? Se ele não tivesse feito, algum movimento de esquerda teria conseguido?
Quem? João Goulart? O latifundiário? De jeito nenhum. Nem teríamos uma esquerda com tanto poder para isso. Se desenvolvêssemos suficientemente nossa democracia, poderíamos ter no governo um comunista ou socialista, tal como acontece na França, na Espanha. O máximo que alcançaríamos, com o passar do tempo, seria um governo mais à esquerda, com ambições socializantes; mais ou menos o que aconteceu nos Chile de Allende. Para implantar mesmo o comunismo, teríamos que partir para uma revolução. De verdade. Muito sangue, sem garantia de resultados, para nenhuma das partes.

Mas, caso uma ditadura comunista fosse implantada, haveria oposição? De quem? Como seriam as ações dessa oposição?
O Brasil possuía uma classe dominante forte o suficiente para mobilizar uma oposição formidável. Seria formada por todo o capital, mais os donos da terra, do comércio e da indústria, agregados ao imenso poder de que desfrutava a Igreja (embora sejamos um Estado laico desde a Constituição republicana de 1891, ainda hoje, sempre que se escreve igreja com “I” maiúsculo, sem adjetivos, referimo-nos à Católica Apostólica Romana) – essa associação teria força para perturbar, senão impedir, o desenvolvimento de um Estado comunista.  Essa massa de dinheiro e poder (embora parecidos, não são sinônimos…) poderia colocar o povo na rua. Exemplo disso é que, dias antes do golpe, essa classe dominante convocou a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. Resultado: meio milhão de pessoas nas ruas de São Paulo. Isso ratificou a certeza de que os golpistas teriam aprovação popular. Havia outra marcha de mesmo nome marcada para o Rio de Janeiro, na semana seguinte. Quando ocorreu, foi para comemorar o golpe.

“Marcha da Família com Deus pela Liberdade” realizada em São Paulo

Jango poderia disputar as eleições em 1965 ou deveria sair da presidência? Em caso de eleições, quais seriam os possíveis candidatos?
Naquela época não existia reeleição no Brasil. Porém, como João Goulart havia sido eleito vice-presidente (votava-se separadamente no presidente e no vice), a legislação poderia habilitá-lo à disputa. Os outros candidatos provavelmente seriam o ex-presidente Juscelino Kubitschek e o governador da Guanabara, Carlos Lacerda. Esses dois, aliás, ficaram bem contentes com o golpe (Lacerda, inclusive, colaborou muito ativamente para isso), pois tirava Goulart do páreo, facilitando as coisas. Os militares também sabiam das coisas e, assim que possível, cassaram os dois, impedindo-os de perturbar o livre exercício da ditadura com exigências de eleições.

Jango: sem o golpe ele seria candidato à presidência em 1965

Personagens como JK, Carlos Lacerda e o próprio Jango teriam influenciado o cenário político brasileiro de que maneira?
Pouco antes de serem “morridos”, os três articulavam, por instigação de Lacerda, a Frente Ampla. Por meio da mesma, passariam a articular a oposição, exigindo a volta do Estado Democrático de Direito por meio  de, por exemplo, eleições diretas para prefeitos, governadores e presidente. Sim, estariam advogando em causa própria, especialmente Lacerda, que apostou todas as suas fichas no golpe, com a ideia de vir a ser o presidente civil do novo regime. Entretanto, se bem sucedidos, todos sairíamos ganhando. Por isso, tantas mortes “súbitas” em tão curto espaço de tempo…

Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda conversam durante o exílio de JK em Lisboa

E quanto a ex-presidentes, como FHC e Lula, que tiveram suas trajetórias políticas iniciadas durante a ditadura? Se o período de repressão não tivesse acontecido, eles teriam chegado à presidência ou teriam alcançado carreira política tão longa?
Aqui entramos definitivamente no terreno das especulações. FHC talvez não ingressasse na política como candidato, reservando para si o principado do pensamento sociológico do Brasil, pontificando sobre a situação nacional, como mentor, sim de alguma agremiação partidária, desenvolvendo sua imagem de ideólogo e primus inter pares (do latim: primeiro entre iguais). Ou seja, as benesses do poder, sem os perrengues do poder. No caso de Lula, ele poderia ascender dentro do movimento operário e, daí, para a política. Inteligência, liderança e carisma para isso não lhe faltam. Não acredito, porém, que fosse além de, digamos, deputado federal. A falta do ambiente de combate fortíssimo no qual ele apareceu e onde sempre se saiu muito bem, não daria a ele a chance de mostrar alguma grande diferença das demais lideranças da época.

Fernando Henrique Cardoso passa a faixa presidencial para Lula. Sem a ditadura militar, talvez esta cena jamais tivesse acontecido

Então quais líderes políticos teriam recebido destaque no Brasil neste período?
Aqueles que, apesar da mediocridade, da truculência e dos expedientes, no mínimo, suspeitos, cresceram à sombra do poder fardado, talvez (graças a Deus!), não existissem mais politicamente. Embora nossa classe política nunca tenha sido um paraíso, a ditadura a fez decair incrivelmente. Afinal, os militares não procuravam brilhantes cabeças que pensassem muito independentemente sobre as grandes questões nacionais, mas aliados que dissessem “sim, senhor” o mais depressa possível. Isso tem um preço. Grandes nomes como José Maria Alkmin, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Leonel Brizola, Lacerda, JK, Almino Afonso, Miguel Arraes, Hélio Bicudo, Teotônio Vilela, Mario Covas, Eduardo Suplicy, Luís Carlos Prestes, Santiago Dantas e tantos outros teriam brilhado com ou sem ditadura e creio que estariam na luta até hoje. Os próprios FHC e Lula, como disse antes, seriam personagens importantes desse cenário político. Já os oligarcas das famílias Sarney, Magalhães, Maluf, Collor, Maciel, Bornhausen  não iriam além da classificação de “medianos”, pois não teriam como crescer sem o apoio das baionetas. Melhor para todos nós!

Como seriam os principais partidos do país atualmente? Haveria uma polarização entre esquerda e direita? Ainda teríamos partidos pré-ditadura, como a UDN?
Hum… essa não é fácil. Mas, vamos botar a imaginação para funcionar. Em primeiro lugar, nosso desenvolvimento (político, econômico, social, educacional etc.) não teria sido tão traumático. Então, crescendo paulatinamente, num ritmo natural, veríamos os movimentos populares, de esquerda ou direita, agindo de maneira integrada no contexto social. Evidentemente, excessos sempre têm ocasião de existir. A radicalização, porém, não. Por isso, acredito que a maioria dos partidos ficaria espalhada pelo centro, com menos siglas de aluguel e um maior vínculo partidário baseado na fidelidade (antes da ditadura, ao que eu saiba, não se trocava de partido com a desfaçatez de hoje!). Assim como temos ainda um PTB, criado por Getúlio Vargas lá nos anos 1940, poderíamos ter, sim, siglas como  UDN, sempre batendo na tecla da moralidade no trato da coisa pública, ou o PSD (partido ao qual Juscelino Kubitschek pertencia, sem relação com a agremiação partidária fundada por Gilberto Kassab em 2011), fazendo uma ponte entre os poderes do agronegócio e da burguesia urbana. Comunistas e socialistas seriam bem-vindos, desde que não se apresentassem como revolucionários. O mesmo não seria tão fácil para os integralistas, versão tupiniquim do fascismo europeu. Mas, em nome da pluralidade, eu veria lugar para um partido de direita mais radical, como a dos republicanos americanos ou dos conservadores ingleses. Sempre achei melhor ter esses caras extremistas  às claras, sem esconderijos, para ficar mais fácil o controle dos mesmos pela opinião pública. Que é a única que deve dar palpite nisso, aliás.

Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque, o trio que fez barulho durante a ditadura

Saindo um pouco do campo político. Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e tantos outros artistas que ganharam fama por causa do engajamento contra a ditadura teriam hoje o mesmo prestígio?
Prestígio sim, por serem grandes artistas, mas de origem diferente. Não nos lembraríamos de seu engajamento, mas de suas qualidades excepcionais, estas sim, verdadeiramente revolucionárias. É um engano pensar que esses artistas, e logo incluo nessa categoria gente como Maria Della Costa, Cacilda Becker, Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri, Hélio Oiticica, Glauber Rocha, a turma de O Pasquim, Elis Regina e muitos e importantíssimos etcéteras, só foram o que foram porque existiu a ditadura. As artes brasileiras vinham num excelente e inédito momento de desenvolvimento, desde o finalzinho dos anos 1940, crescendo muito nos 1950 e prontas pra explodir nos 1960 – quando tiveram que brecar seu processo natural para enfrentar a mais obscura frente que já houve neste país.  Em compensação, artistas cujo único mérito foi “ser contra a ditadura” mereceriam o que seu talento lhes proporcionara, ou seja, nada.

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28 Comentários

28 Comentários

  1. Aderson

    O caro professor deve acreditar em coelho da Páscoa e Papai Noel! Uma análise soberba como esta acreditando que estaríamos em um pais com uma situação melhor?
    Caro professor, responda então o que fariam os libertadores que estavam recebendo treinamento em Cuba desde 1959? Com certeza, em sua análise, voltariam e nada aconteceria ou de repente se tornariam atores ou artistas…
    Mas, ainda bem que, hoje, o Sr pode dar essa opinião, e eu ter a certeza de estarmos em uma democracia.

    Responder
  2. Aderson

    O caro professor deve acreditar em coelho da Páscoa e Papai Noel! Uma análise soberba como esta acreditando que estaríamos em um pais com uma situação melhor?
    Caro professor, responda então o que fariam os libertadores que estavam recebendo treinamento em Cuba desde 1959? Com certeza, em sua análise, voltariam e nada aconteceria ou de repente se tornariam atores ou artistas…
    Mas, ainda bem que, hoje, o Sr pode dar essa opinião, e eu ter a certeza de estarmos em uma democracia.

    Responder
  3. Amilton

    ANDERSON: Você deve ser desses que ficam olhando Rede Globo o dia inteiro, pra estar falando essas asneiras.

    Responder
  4. Emerson

    O Amilton acusa o Anderson de assistir TV o dia inteiro sem apresentar nenhum contraponto ao fato que José Dirceu e outras biografias conhecidas se orgulham de terem vivido em Cuba. E não foram turistas! O golpe de 64 foi um desastre que só as eleições diretas corrigiu, mas o Jango e seu tabelamento de aluguéis, alta da inflação etc ajudou o país a se iludir por generais falsos patriotas. Um novo presidente civil, por eleição direta, em 1966, teria poupado sacrifícios desnecessários… Em História, sempre é preciso ver ao menos 2 lados de uma mesma questão. Abraço a todos os curiosos, de esquerda e direita(rs

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  5. Júnior

    Olha o nome do “historiador” Warde Marx?!?!?!?!
    É claro q sua conclusão seria esquerdista!

    Responder
  6. Paulo

    Se com a ditadura comunistas já sequestravam, matavam e roubavam… imagine sem ela…

    Responder
  7. Gabriel

    Quem dera tivéssemos tido militares realmente comprometidos em manter manter a soberania nacional em 64, e não apenas preocupados em satisfazer as vontades dos EUA e tomar o poder para si. Por que não propuseram um acordo com o Jango antes de realizar o golpe (sendo que este era realmente um latifundiário acomodado, e não um revolucionário,pois o mesmo sequer tomou alguma providência para resistir ao golpe), teria sido melhor convencê-lo(ameaça-lo com um possível golpe em vez de ter o realizado) a renunciar e convocar novas eleições.É muito provável que o JK seria eleito, desta forma até a direita nacional sairia ganhando, mas com o golpe apenas os EUA e o FMI foram privilegiados,transformando o Brasil novamente em uma colônia.

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  8. vini

    Gabriel, para mim vc foi o único que retratou a realidade!

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  9. luiz

    Minha opiniao é que esse cara é um
    Babaca

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  10. wesley

    nao tinha como manter neutralidade naquele tempo…

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  11. Nicolau

    Esse “Jango” Goulart foi um Grande Latifundiário e o MST deve invadir e confiscar suas terras que hoje são dos seus filhos Capitalistas “democratas”!

    Responder
  12. Arthur

    As fontes foram do material do MEC? Texto mais tendencioso à esquerda e mais lixo que já li… Não tem como desler?

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  13. Aldezir M. Martins

    O que vivemos hoje é resultado do golpe militar. Poderíamos não estar melhor, também poderíamos estar bem pior. A interrupção do desenvolvimento político natural, democrático, sempre foi gerador de mudanças para melhor. Embora democracia como a que conhecemos hoje, é recente na história da humanidade. Mesmo a americana era restritiva até ao fim da segregação de cor. Em nenhuma parte do mundo, na história contemporânea, um país progrediu em regime ditatorial. De direita ou de esquerda. A Coreia do Sul, ao tempo do golpe, era tão pobre e desigual quanto ao Brasil. Hoje é um centro de progresso com renda muito superior à brasileira. A renda per capita anual na Coreia na década de 60: 900 dólares. Brasil em 60, 1.200. Coreia em 2010; 28.000. Brasil em 2010 : 10.100. A Coreia hoje está entre as 10 maiores economias do mundo e no ranking de competição, está entre as trinta maiores nações do mundo. É apenas uma comparação. Há muito mais. Façam um estudo comparativo entre o antes e o depois para poder ter base para avaliar. A maioria dos comentários que li, é opinião desprovida de base de comparação, achismo. Ou faltou conhecimento ou tem orientação político partidária. Não sou contra, nem a favor, muito pelo contrário. Como ensaio, o texto é muito bom e elucidativo, estimulante!

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  14. Aldezir Mendes Martins

    Não tenho opinião. Alguém aí pode me emprestar alguma?

    Responder
  15. Marcelo Souza

    Penso que: se o exercito não tivesse dado o golpe na ocasião, os Comunistas iam tomar o poder. Como dito ali em cima, se com Ditadura, eles já barbarizavam. Os EUA não iam aceitar o Brasil como um país Comunista. Pois aqui é um país de grandes riquezas. Foi mais interessante para o EUA e FMI o golpe sim e termos virado colônia econômica. E outra, teríamos um problema muito maior sendo comunistas na guerra fria e ficando contra nossos nossos vizinhos Americanos, não que goste deles. Talvez estaríamos como Cuba. Ou pior…

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  16. Norberto

    Marcelo, com toda certeza estaríamos ” tão bem como Cuba e Venezuela “.Por exemplo, não teríamos que votar a cada 2 anos. O Governo mudaria a Constituição para se manter no poder por anos. Coisas bem ” democrática ” como ocorre com nossos “hermanos” venezuelanos. E a liberdade do indivíduo então, coisa espetacular. Poderíamos viajar para onde quiséssemos.Também não teríamos desabastecimento de comida e nem enfrentaríamos aquelas longas filas, própria de nações “imperialistas”.
    Marcelo, tenho 75 anos, fui estudante durante a ditadura militar e nunca fui incomodado pelo exército ( talvez porque nunca estive com um fuzil a tira-colo, como nossa ” Presidenta “). Portanto, hoje, quando a esquerda fala em “golpe contra essa Presidente, fico imaginando como deveríamos chamar a tentativa deles em 64 ? Comunismo é tão “bom”, que até onde foi criado, já não acreditam nele. Concordo que no capitalismo existe o lado selvagem, mas também aquele que permite a evolução do ser humano, oferecendo trabalho, renda e desenvolvimento em todos os campos da atividade humana, etc. e principalmente liberdade de você fazer o que bem entender de sua vida.
    Por necessidade comecei a trabalhar com 14 anos, estudei e consegui conquistar uma boa condição financeira para proporcionar aos meus dois filhos curso superior e Mestrado em suas especializações. Meus filhos aprenderam a pescar e não em ganhar o peixe, eles são meus sucessores não meus herdeiros.
    Enfim, Marcelo, falar em comunismo, igualdade para todos, e todas estas besteiras que eles alegam ser necessário para a sociedade, além de utopia, fere a dignidade de quem obtém suas coisas com o trabalho, com a dignidade e o esforço pessoal, sem a “ajudinha” do Estado
    No fundo, a igualdade que eles tanto alardeiam, nada mais é que uma sociedade em que o cidadão seja suprido em tudo ( ou quase tudo ) pelo Estado, tornando este cidadão sem vontade e ideologia próprias, ou seja, “Massa de Manobra”.
    Mas como esperar ser entendido por quem só tem o Tico e o Téco, nada mais ?

    Responder
  17. Matheus

    não sei pq tanto espanto, o nome do “hostoriador” é Warde Marx

    Responder
  18. Fabiano

    Certeza que se os republicanos não tivessem aparecido na era monárquica nada disso teria acontecido e, assim como Inglaterra e Japão, hoje pudéssemos ser vistos com olhos de potencia pelo restante do mundo e não essa vergonha que assola o país com tanta corrupção.

    Responder
  19. Donizete Lourenco

    Norberto, corroboro da sua opinião. Tenho 60 anos e na época do “golpe” cursava o antigo ginásio, que aliás não trocou meus conhecimentos do terceiro ano desta fase escolar pelos diplomas oferecidos por grande parte das “faculdades” existentes nos dias de hoje. Sou de família humilde. Passei fome quando criança. Me criei em Curitiba no bairro do Bacacheri que possui 2 unidades do exército e 1 da aeronáutica. Lembro da época de adolescentes quando nos reuníamos nas esquinas e ficávamos até a madrugada jogando conversa fora: era a nossa “balada”. Nunca fomos intimados por algum militar mesmo sendo qualquer “reunião” proibida nesta época. Somos 6 irmãos e 5 com formação superior. Alguns com pós graduação e doutorado num tempo de poucas instituições e nenhum apoio estatal. Hoje temos um padrão de vida “elevado” pelos critérios do IBGE. Padrão conquistado com muito trabalho e dignidade. Os terroristas que se instalaram no poder a partir de 2003 desejavam ter realizado essa façanha em 1964. Eles não estavam em Cuba a passeio e em meio a Guerra Fria o Brasil seria um prato refinado para os planos soviéticos. Mas enfim política é assim: a direita defendendo os interesses econômicos das elites e a esquerda dizendo que “defende” os interesses do proletariado. É triste vermos que em pleno século XXI ainda existam pessoas que acreditam que os ensaios de Marx possa mudar o mundo. Nenhum país que experimentou ou vive suas propostas tem algo de expressivo para apresentar a humanidade.

    Responder
  20. Hermes Sanchez

    Vivi a época de 1964 como ginasiano, e cursei faculdade no final dos 60, começo dos 70. Em 1961, já os primeiros focos de guerrilha se instalavam perto do Araguaia. Nos anos seguintes, antes de 64, já havia “trainees”em Cuba e China. Havia o movimento das Ligas Camponesas, armadas até os dentes por material vindo de Cuba. Em 1963 o exército debaratou um grupo de guerrilheiros em posse de armas e material de propaganda cubana, e a ordem dada por Jango foi que tudo fosse devolvido ao Fidel, ou seja, só por essa canalhice de lesa-pátria ele já teria sido merecedor da queda. Aliás, há que se dividir 64 em duas vertentes, uma que era inevitável, a queda de Jango, articulada no Congresso e com apoio de Teotônio Vilela, Ulysses Guimarães, JK, e de intelectuais da cepa de Antonio Callado, Carlos Drumond de Andrade, Ariano Suassuna, Rubem Fonseca, Otto Lara Rezende, Carlos Heitor Cony, Alberto Dines, Mino Carta, Otto Maria Carpeaux, e muitos mais. A segunda vertente foi, aí sim, um golpe dado pelos militares a quem o Congresso entregou o poder com o compromisso de eleições em 1965, que nunca aconteceram pois a ânsia pelo poder falou mais alto.
    Mesmo assim, os anos de Emílio Médici na chefia de governo foram de gáudio, fartura, crescimento nunca antes visto, industrialização, implemento de infraestrutura como nunca houve. O presidente Médici era adorado e aclamado onde quer que se apresentasse, e só sofreram nessa época aqueles que perderam a chance de assumir o poder no tempo do Jango e sairam a aterrorizar o país, matando civis, assaltando bancos, cometendo toda a sorte de barbáries contra gente inocente, seqüestrando embaixadores.
    Minha turma de faculdade, talvez a mais concorrida do país, continha no mínimo 70% de egressos de escolas públicas, muitos deles humildes, a demonstrar que é mentira a história de que universidade é só para rico que pode pagar boas instituições de ensino, ensino esse que hoje se encontra dilacerado pelos corruptos de turno.
    Um contemporâneo meu de faculdade foi treinar em Cuba e, ao voltar, ingressou na clandestinidade. Um dia ele, mais um companheiro, cruzaram a Rep do Líbano com a Ibirapuera no sinal vermelho e a 100/km/h. Um carro de polícia saiu no encalço, conseguiu interceptá-los e, quando um dos policiais desceu para averiguar documentação, foi cravejado por tiros de metralhadora; no tiroteio que se seguiu os dois terroristas morreram e descobriu-se um verdadeiro arsenal em seu carro. Hoje, a família desse contemporaneo recebe indenização por ter ele sido “assassinado” pela ditadura militar.
    O que o historiador inquirido fez foi trazer a versão que a esquerda armou sobre a época de 1964, na qual mentirosamente consta que Jango era um grande presidente, apoiado pelo povo, e que a ameaça comunista foi um pretexto para derrubar o governo, a mando dos EUA, e instalou-se um regime de terror durante o qual ninguem se atrevia a sair à rua ou a falar qualquer coisa que fosse minimamente suspeita.

    Responder
  21. Lucas

    Meu Caro Professor, posso afirmar com todas as letras que o senhor deve ser analfabeto, ou ter estudado livros que o PT escreve.
    O senhor nunca entrou na biblioteca da Câmara dos Deputados? O que aconteceu realmente foi intervenção contra os guerrilheiros de Cuba que queriam tomar o poder a força e não golpe de estado por parte dos militares, quem cassou João goulart foi o próprio congresso nacional, da mesma forma que cassarão o mandato de Dilma Rousseff. Esta tudo sintetizado no Diário Oficial da Câmara em 1964. O senhor acha mesmo que os guerrilheiros treinados em Cuba iram simplesmente deixar o Brasil numa boa como se nada tivesse acontecido? Foi contra esses elementos que as forças armadas livraram o Brasil. Então não me venha com suas histórias esquerdistas sobre Ditadura militar e Comunismo, porque essas mentiras não funcionão mais.

    Responder
  22. Laio Nunes

    Se não fosse os militares Brasil seria igual a Cuba,Japão e países da Africa.
    Os melhores presidentes foram militares.
    Em todo o pais foram feitas obras e desenvolvimento, depois disso só robaleira.
    Lula foi um merda que parava o Brasil pra ganhar dinheiro em cima dos trabalhadores, se você não conheceu ele a historia dele pessoal você não elogia.

    Responder
  23. Fernando Mendes

    Fico muito impressionado como pessoas inventam fatos históricos que jamais ocorreram. Este senhor Hermes Sanches fala em guerrilha no araguaia em 61???? Nem nos livros de direita isto é mencionado!Ligas camponesas armadas até os dentes??????? Coitado Do Julião deve estar dando voltas no caixão!!! O Médici era adorado e aclamado, não sei aonde ele viu ou leu sobre isto. É meu caro Warde, este discurso e tantos outros são legados do golpe militar que destruiu e continua destruindo o país até hoje. Esta conversa de comunismo aqui no Brasil para até aquela bobagem que os pais falam para as crianças de Papai Noel.
    A destruição da cultura brasileira, da educação e a saúde são legados que fazem o brasileiro hoje estar totalmente manipulado pela midia e alguns formadores de opinião que ganham espaço para inventar uma infinidade de mentiras.
    Precisamos urgentemente reorganizarmos e resistirmos através da conscientização para para estancarmos esta grande lavagem cerebral
    que até idolatram o país mais cruel e violento do mundo achando maravilhoso ele intervir em todo planeta, aliás ele só é rico por suas intervenções.
    Grande abraço Warde e prosseguimos nossa luta. Não liga muito não principalmente para aqueles que gostam de xingar e denegrir a imagem dos outros pois eles não tem argumentos e nem comprovação do que falam.

    Responder
  24. Glaucia

    O fato é que nessa barbárie toda que foram as consequências desse golpe militar , um verdadeiro abuso de poder, onde muitas pessoas inocentes mesmo foram mortas ou quem fosse contra as leis criadas e impostas pelos militares também sofriam abusos como a tortura e a morte. O que é ser gente de bem ? Como disseram acima. Ser gente de bem é calar a boca quando uma “autoridade” lhe impõe uma ordem. Pra mim pessoas assim são da pior espécie, aquelas que são submissas por inércia.
    Todo esse jogo de poder , de mentiras custaram vidas. Agora brigar por leis anti corruptos de ambos os lados direita ou esquerda eu não vejo. O poder deve beneficiar e não exterminar pessoas. Então não me venham com asneiras, que ditadura militar foi bom ou que guerrilheiro é bom , todos lutam por um poder egóico. E o povo cade ? Os intelectuais fazem o que ? NADA !!Ninguem quer AGIR em pró de algo que desperte uma atitude mais consciente que beneficie todos !!

    Responder
  25. Marcelo

    Bom, creio que fomos salvos do comunismo e do socialismo … não seria um momento melhor do que o atual, nosso país estaria como a Cuba é hj … atrasada (motivo: estaria com toda certeza sofrendo embargos americanos) … sinceramente o capitalismo não é um sistema perfeito, no entanto indubitavelmente melhor que o socialismo e o comunismo, fato!!!

    Responder
  26. Carlos Berçot

    O Jango parecia ser corajoso em nacionalizar empresas, dobrar o salário mínimo em época de crise, porém depois colocou o rabo entre as pernas e fugiu. Lógico que ele não seria capaz de transformar o país em uma Cuba ou Venezuela. Então o golpe foi desnecessário.

    Responder
  27. Vaulber B. Pellegrini

    O Brasil só irá se tornar realmente uma nação com o expurgo de tudo o que deveria ter sido expurgado em 1964. Fizeram o serviço pela metade e a conta continua chegando.

    Responder

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