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Museu do Futebol recebe 1º Encontro Nacional de Mulheres de Arquibancada

6 de junho de 2017

Levantamento feito no ano passado pela revista Época mostrou que as mulheres representam apenas 10% dos sócios-torcedores dos 12 maiores clubes do Brasil. O número é apenas um dos muitos sintomas de que o público feminino precisa lutar por mais espaço nas arquibancadas dos estádios brasileiros. Por isso, um grupo de 350 mulheres de 50 torcidas organizadas e coletivos se reunirá neste sábado no Museu do Futebol, em São Paulo, para o 1º Encontro Nacional de Mulheres de Arquibancada.
O encontro acontecerá das 9h às 18h e contará com alas femininas de torcidas bastante tradicionais, como Raça Rubro Negra (Flamengo), Gaviões da Fiel (Corinthians), Dragões da Real (São Paulo), Mancha Alviverde (Palmeiras), Torcida Jovem (Santos), Camisa 12 (Internacional), Torcida Jovem Chape (Chapecoense) e Bamor (Bahia). Além disso, estarão presentes representantes das torcidas Feministas do Galo (Atlético Mineiro) e RAP Feminista (Cruzeiro), criadas especialmente para as mulheres.

Torcida Jovem Chape será uma das 50 organizadas presentes no evento

“Eu e mais três mulheres criamos um grupo no Whatsapp para conversar sobre a presença feminina nos jogos de futebol. Partindo daí, decidimos criar um evento nacional para todas as torcedoras participarem e debaterem sobre o assunto”, explica a corintiana Adla Ganan, chefe de cozinha, que se juntou a Kiti Abreu (massoterapeuta), Penélope Toledo (jornalista) e Natália Moreira (consultora de vendas) na organização.
Para Penélope, também corintiana, o evento pode ser uma grande oportunidade para desenvolver ações que de fato tornem o ambiente dos estádios e arenas mais receptivo para o público feminino: “Sempre me senti incomodada com o machismo e vi que muitas torcedoras não o percebiam. No começo, muitas não se interessaram em falar sobre o assunto, mas depois a nossa ideia deslanchou”, recorda. Já Natália Moreira, torcedora do Guarani, acredita que é preciso derrubar as barreiras e criar uma diversidade maior dentro das torcidas: “O que se faz mais presente é o tal do ‘você não pode porque é mulher’. Isso acontece, por exemplo, quando queremos tocar na bateria da torcida”, lamenta.

Torcedoras do Atlético Mineiro lutam por maior representatividade nos estádios

O encontro já pode ser considerado um sucesso. Depois de três meses de negociação com as torcidas organizadas, o auditório do Museu do Futebol ficou pequeno para atender toda a demanda de visitantes. Por isso, o Museu irá transmitir o encontro ao vivo pelo YouTube e também em uma sala anexa ao auditório. “A luta diária de uma mulher também é a luta da outra”, pontua a flamenguista Kiti, que fala em “deixar de lado a rivalidade em prol do respeito”. O Museu trabalhou em parceria com os coletivos “Torcedores pela Democracia”, “Arquibancada, Ampla, Geral e Irrestrita”, “Respeito FC e Futebol”, “Mídia e Democracia e com a Associação Nacional de Torcidas Organizadas.
1º Encontro Nacional de Mulheres de Arquibancada
Museu do Futebol – Estádio do Pacaembu – Praça Charles Miller, s/nº, São Paulo
10 de junho, sábado, 9h/18h

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