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E para quem a gente reclama do CONAR?

18 de março de 2014

Escrevi no mês passado pela primeira vez para o Conar, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. Minha reclamação era contra a campanha das garrafinhas da Coca-Cola.  Os postos de troca em São Paulo estavam sem os brindes havia quase quinze dias e a marca de refrigerante continuava bombardeando as crianças com a publicidade na TV e na internet.  Achei que era caso de propaganda enganosa das feias. Foi aí que resolvi testar como funcionava o Conar. De cara, recebi uma mensagem dizendo que “suas considerações/sugestões/dúvidas serão analisadas por nossa equipe”.  Que beleza, pensei!  Alguns dias depois, recebo um e-mail do SAC da Coca-Cola, com cópia para três diferentes endereços eletrônicos do Conar, a respeito da minha reclamação. O e-mail vinha assinado por “Coca-Cola do Brasil”.  Tudo anônimo, como sempre. Já reparou que nos comunicados das empresas ninguém mais tem nome? Imagino que é, no caso de dar algum problema depois, ficar mais fácil de jogar a culpa num “estagiário”. O que recebi foi uma daquelas repugnantes resposta-padrão.  A da Coca-Cola começa com a ridícula frase  “agradecemos o seu engajamento junto à promoção” e termina com um patético “abra a felicidade”.

Na mensagem, a Coca-Cola chama de sucesso o que, na minha opinião, foi a promoção mais furada de todos os tempos. A campanha deveria durar 45 dias e só teve brindes suficientes para 25. Para conseguir as tais garrafinhas, o que alguns parcos felizardos me disseram, é que era preciso juntar tampinhas, pagar uma quantia em dinheiro e ser amigo do pessoal dos postos de troca (aliás, a Coca-Cola colocou cada biboca desta vez como posto de troca! Sem falar no ineficiente site, que tinha endereços errados). Fico imaginando se os estrategistas da promoção continuam empregados a uma altura dessas.

Bem, mas voltemos ao Conar. Fiz uma réplica na mesma hora para o sr. Coca-Cola do Brasil e copiei de volta os três endereços do Conar. Naquela altura, eu já tinha falado sobre essa enganação em meu boletim na rádio BandNews FM e a repórter Aiana Freitas, do UOL Economia, publicou uma reportagem mostrando que a Coca-Cola continuava fazendo a campanha nacionalmente, mas os brindes só estavam disponíveis em quatro Estados do Nordeste. Quando a coisa já estava escancarada demais, a empresa alterou apenas o off de seu comercial, dizendo que as garrafinhas haviam terminado.  As latinhas anunciando a promoção continuam à venda em supermercados, bares, padarias e restaurantes.

O Conar não deu mais as caras. Não agradeceu a minha reclamação, não disse se era algo procedente (ou se serei o “Palhaço Peteleco” na próxima campanha para ridicularizar consumidores), não explicou se tomou alguma atitude (além de ter encaminhado a minha reclamação para o SAC da empresa, o que eu poderia ter feito sozinho e ter recebido a mesma resposta-padrão). É assim mesmo? Vou ficar sem feedback? Desculpe fazer essas perguntas, mas, como escrevi no comecinho, foi a primeira vez que entrei em contato com  o Conar. E é bem provável que tenha sido a última também. Da Coca-Cola, não esperava nada mesmo. Do Conar, para ser sincero, esperava uma resposta. Nem que fosse: “Pode ser uma Pepsi?”

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4 Comentários

4 Comentários

  1. André Beretta

    Marcelo, o CONAR é, quase sempre patético. Já tive inúmeros casos onde havia descumprimento claro de normas autorregulatórias (por exemplo: cursos superiores destacando o baixo custo de suas mensalidades, o que é vedado nesse tipo de mercado), mas nada é feito.
    Havia o caso das lâmpadas FLC, que se anunciavam como brasileiras, mas são fabricadas na China (F = fábrica; L = lâmpadas; e C = China). Reclamei para que isso fosse coibido e nada. Apenas mais recentemente eles passaram a trocar o bordão.

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  2. Isabel Dauer

    Concordo com você! Há muito tempo deixei de acreditar e participar dessas promoções. Mesmo porque, pagar por um brinde não acho coerente.

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  3. lincon

    Concordo com você! Muito bom seu blog

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  4. Amilton

    No meu tempo só as tampinhas já eram o suficiente hehe.

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