Três pagantes foi o recorde de público do Tabajara Futebol Clube, time fictício criado pela turma do Casseta & Planeta. Detalhe: uma das presentes ao estádio era a mãe de Marrentinho Carioca, principal jogador da equipe. O que era para ser apenas uma grande piada virou a realidade de alguns campeonatos do país. Embora seja difícil de acreditar, o país do futebol chegou a ter vários jogos com um ou sem nenhum pagante – nem mesmo parentes dos atletas!  E não se trata de jogos realizados com portões fechados por causa de algum tipo de punição, é bom ficar claro.

O mais recente caso de “partida-fantasma” aconteceu em jogo válido pela terceira divisão do Campeonato Paranaense de 2013, em duelo entre o São José dos Pinhais e o Sport Campo Mourão. Foram colocados 600 ingressos à venda, ao preço de 10 reais cada um, mas todos ficaram encalhados nas bilheterias. A falta de interesse pela partida, nesse caso, tem explicação: como o seu estádio estava sem o laudo necessário para a realização da partida, o São José teve que atuar na cidade de Prudentópolis, a 600 km de São José dos Pinhais. Se dentro de campo a equipe se deu bem (venceu por 1 x 0), fora dele o prejuízo foi grande: 3349 reais a menos nos cofres do clube. Na quarta-feira da semana passada, dia 23 de outubro, o Sport Campo Mourão quase passou pela mesma situação: enfrentando a Portuguesa Londrinense, foi goleado por 4 x 1, em jogo realizado no Estádio do Café, em Londrina, com a presença de apenas 3 pagantes.

Mas o caso mais emblemático de jogos sem público pertence ao Maga Esporte Clube, time da cidade de Indaial (SC), fundado em 2008. No dia 5 de novembro de 2011, a equipe catarinense enfrentou o Inter de Lages pela terceira divisão do estadual e viu as arquibancadas do estádio Gigante do Vale (capacidade para 1000 pessoas) totalmente desertas – mesmo cobrando 10 reais por ingresso e 2,50 reais para crianças. Vale dizer que as campanhas do Maga têm contribuído para a falta de torcida. Disputando campeonatos oficiais há 4 anos, o clube conquistou apenas três vitórias, duas delas por W.O.. Virou um grande saco de pancadas e já está querendo roubar o título do Íbis, de Pernambuco, de pior time do Brasil. Procurado pelo Blog do Curioso, o presidente do Maga, Lúcio Rodrigues, não quis dar declarações. O que se sabe é que cada partida da agremiação tem sido disputada em uma cidade diferente, e não somente em Indaial, o que dificulta ainda mais a atração de torcedores ao campo.

Apesar de mais recentes, os casos citados não são únicos no Brasil. Em 22 de junho de 1996, a partida entre Rio Negro x Progresso, válida pelo Campeonato Roraimense, foi vista por um único pagante, o motorista do Ministério da Agricultura de Boavista na época, Abraão Pereira de Souza. A renda foi de 5 reais, e cada equipe ficou com 1 real. E essa não foi a primeira vez que os dois clubes protagonizaram um vexame de público. Um mês antes, apenas 4 pessoas compareceram ao estádio para assistir a um jogo dos mesmos times, o que gerou uma receita de 20 reais. Histórias curiosas também aconteceram  no Ceará em 2011, quando o Jardim goleou o Paracuru por 5 x 1 diante de apenas um torcedor. Como se não bastasse a falta de gente, o torcedor solitário comprou meia-entrada (3 reais), e o Jardim bancou os 937,28 reais de prejuízo da partida.
Em 1980, nenhum torcedor assistiu à vitória do Taguatinga sobre a Desportiva Bandeirante por 2 x 0, no Campeonato Brasiliense daquele ano, superando o recorde estabelecido quase 10 anos antes no próprio Distrito Federal no jogo Gama x Jaguar, que teve apenas um torcedor nas arquibancadas.