O primeiro debate entre candidatos na TV aconteceu nos Estados Unidos, em 26 de setembro de 1960, entre John Fitzgerald Kennedy (Partido Democrata) e Richard Nixon (Partido Republicano), que disputavam a presidência. Outros dois debates foram apresentados na sequência, em 7 e 13 de outubro (o último foi remoto, com os candidatos separados a quase 5 000 quilômetros de distância). JFK venceu as eleições naquele ano. No Brasil, a novidade chegou em 9 de setembro de 1974. O debate foi entre candidatos ao Senado, Nestor Jost (Arena) e Paulo Brossard (MDB), e foi ao ar pela TV Gaúcha, atual RBS. Antes disso, em 15 de setembro de 1960, o programa “Pinga-Fogo”, da TV Tupi, propôs um debate entre os candidatos à presidência. Ademar de Barros e Henrique Teixeira Lott aceitaram o convite. Jânio Quadros pulou fora e foi fazer um comício em Recife. O fujão acabou sendo eleito na última eleição presidencial antes do golpe militar de 1964. Ou seja: o Brasil teve que esperar 29 anos para votar novamente para presidente.

Por que os debates foram proibidos no Brasil logo depois?
Os candidatos governistas não se saíram bem na eleição de 1974. A solução encontrada foi bem antidemocrática. Em 1976, o então ministro da Justiça do Brasil, Armando Falcão, criou uma lei que recebeu o nome dele, a Lei Falcão, que restringia a propaganda eleitoral na TV. Era permitido apenas divulgar a foto do candidato, sua legenda, o currículo e o número de registro na Justiça Eleitoral. Mas nada de abrir a boca. Os debates ficaram de fora. A Lei Falcão foi revogada em 1984, mas apenas em 1985 os debates foram regulamentados. Em 1982, alguns debates driblaram a Lei Falcão. Reynaldo de Barros (PDS) e Franco Montoro (PMDB), candidatos ao governo de São Paulo, debateram no SBT e na Bandeirantes, por exemplo.