Não existe coisa mais chata que ficar negociando preço na hora de fazer compras em alguns lugares de Pequim. Isso acontece nas feirinhas de artesanato, nas barracas de pontos turísticos e nas grandes galerias de produtos pirateados. Um deles, o Mercado da Seda, é o terceiro local mais visitado de Pequim, perdendo apenas para a Muralha e para a Cidade Proibida. Nada tem preço marcado. O vendedor olha para a sua cara (eles adoram americanos e europeus ocidentais) e chuta um preço lá em cima. Aí começa a negociação. Na verdade, o que começa é uma grande encenação. O comprador diz que está caro e o vendedor pede que ele diga o preço que quer pagar. Ele sempre anda com uma calculadora para você registrar ali os números de sua oferta. Não aceita a sua proposta, mas propõe baixar o preço. Faz de conta que está dando um descontão. Esse vai e volta pode demorar 15, 20 minutos. Tem gente que acha que sai ganhando. Não é assim. Quem sempre sai ganhando é o vendedor, que sabe quanto vale a mercadoria. Ele nunca irá vender nada por menos do que ele deseja. Só que, na negociação, o comprador pode fazer uma proposta maior e ele sairá lucrando ainda mais. Mas, como a encenação é muito bem feita, o comprador pode ficar com a impressão de ter feito um ótimo negócio. Quem tem muita paciência consegue chegar mais próximo ao preço real.
Fui comprar uma peça em gesso da Muralha da China e a vendedora pediu 60 yuans (R$ 15). Disse que não. Ela perguntou quanto eu oferecia. Mandei um “10 yuans” (R$ 2,50). Como ela aceitou na hora, percebi que tinha feito um péssimo negócio. De fato, algumas barracas abaixo, vi outra pessoa comprando por 5 yuans (R$ 1,25).
Nos shoppings, essa história de ficar barganhando não existe. Tudo tem preço e pronto. Mesmo em locais turísticos, alguns vendedores também se cansaram disso e estão colocando avisos de que ali não se pechincha.
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