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Séries em que os heróis é que precisam fugir

12 de julho de 2021

“Em toda série policial, de aventura ou de ação, o bem é sempre representado pelo mocinho e o mal, pelo vilão”, afirma o especialista em história da TV Magalhães Júnior. “Mas a coisa nem sempre funcionou assim”. No final dos anos 1960, a TV brasileira passou a exibir uma série em que o protagonista era um… ladrão. “O rei dos ladrões” contava a história de um assaltante extremamente esperto e hábil chamado Alexander Mundy, interpretado por Robert Wagner, que anos depois iria fazer a série “Casal 20”. Um dia, Mundy acaba sendo preso. Mas as suas habilidades chamam a atenção da agência secreta governamental, a SIA (Secret Intelligence Agency). Em troca de liberdade, Mundy passa a colaborar em missões secretas da SIA. A série, com 66 episódios divididos em 3 temporadas, estreou no Brasil bem no início de 1969 pela TV Record.

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Esse tipo de situação, em que o vilão passa a ser o “mocinho”, tornou-se recorrente em outras séries, sobretudo a partir dos anos 2000 na TV a cabo. Mas e o inverso? O “mocinho” se tornar vilão… aconteceu isso também? “Foi uma situação que aconteceu em três séries de sucesso, as três em décadas diferentes”, diz Magalhães.

Esquadrão Classe A
A primeira delas é uma série que estreou no Brasil em abril de 1984, pelo SBT: “Esquadrão Classe A” (A-Team). Com um total de 98 episódios em cinco temporadas, o Esquadrão Classe A fez enorme sucesso nas noites de sexta-feira, contando as aventuras de um grupo de ex-combatentes da guerra do Vietnã, preso por um crime que não havia cometido: um roubo a banco. O grupo fugiu da cadeia e vivia fugindo da caça do exército. No Brasil, a narração da abertura era dublada por Carlos Campanille.
Pelo caminho, ajudavam quem precisasse  – ou quem pudesse pagar por este serviço. Daí a fama de mercenários que ganharam. O Esquadrão Classe A tinha quatro integrantes. O comandante Hanibal (dublado por Chico Borges), estrategista do grupo, adorava charutos. Tinha um bordão: “Eu adoro quando um plano dá certo”. O Tenente Templeton (Ézio Ramos), mais conhecido como Cara de Pau, era mestre em disfarces e tinha facilidade em arrumar suprimentos e equipamentos para as missões. O terceiro membro era o Sargento Bosco Barracus (Antônio Moreno). Negro, forte, apelidado de “B.A”., tinha habilidade com mecânica e direção de veículos em terra. O último era o Capitão Murdock (Hélio Porto), o mais maluco de todos, pilotava aviões. Na maioria dos episódios, era preciso resgatá-lo do hospício em que vivia internado.

O Incrível Hulk

“O Incrível Hulk” estreou no Brasil em 1978. Em seus 82 episódios, a série narrava a história do Dr David Banner, que tinha visto a sua esposa morrer debaixo de uma tonelada de aço em um acidente. Por não conseguir salvá-la, Banner se dedica à pesquisa da força sobre-humana e, para isso, recorre a fortes doses de radiação. Para encontrar o resultado, ele mesmo acaba se submetendo a esses testes. Alguma coisa dá errado e um excesso de carga de radiação gama desencadeia, em certas situações de tensão, uma metamorfose, liberando de dentro dele uma figura de fúria sobre a qual ele não tem controle. Esse “monstro verde” passa a ser objeto de busca e perseguição de um jornalista investigativo, chamado Jack Mcgee, que tenta provar a todo custo que ele e Banner são a mesma pessoa.

O Fugitivo
“O Fugitivo” estreou no Brasil em 11 de maio de 1964 pela TV Tupi. O protagonista é o médico Richard Kimble, interpretado pelo ator David Janssen (dublado por Carlos Alberto Mendonça). Ele é acusado de matar a mulher e, por isso, passa a ser perseguido pelo policial Tenente Gerard (Allan Lima). A vida de Richard Kimble se resume a fugir da polícia e, ao mesmo tempo, tentar encontrar o “homem de uma braço só”, que ele viu saindo de sua casa na noite do assassinato.

Nos 120 capítulos, Kimble vive fugindo. No final de cada episódio, o médico era ajudado por alguém a se safar da perseguição de Gerard. Na última cena, ele aparecia quase sempre mudando de cidade, à espera de encontrar o homem de um braço só, provar que ele era o verdadeiro assassino e se ver livre da Justiça.

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