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Quatro caubóis curiosos dos faroeste da TV

17 de agosto de 2021

As séries de faroeste marcaram a TV brasileira nos anos 1950, 1960 e 1970. O especialista em televisão Magalhães Júnior escolheu quatro delas, todas elas com o nome do protagonista como título.

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Maverick

Estreou no Brasil em novembro de 1961 pela TV Paulista Canal 5. Foram 124 episódios no total. Maverick tinha um diferencial em relação às outras séries de faroeste: trabalhava com uma boa dose de humor. Maverick era o sobrenome do personagem Bret, interpretado por James Garner. Maverick tenha sido talvez a primeira série de caubói a apresentar o anti-herói, uma vez que Bret, se pudesse escolher, iria preferir sempre enganar seu adversário do que enfrentá-lo. Bret Maverick era cínico, irônico. Na dublagem brasileira, a voz de Bret foi dublada por Milton Rangel.

No início, os produtores pensaram apenas em Bret Maverick. Mas, como as filmagens começaram a atrasar, eles resolveram criar um irmão para Bret. Foi assim que surgiu Bart Maverick, irmão mais novo de Bret, interpretado pelo ator Jack Kelly. Uma semana o episódio era estrelado por Bret e na outra, por Bart. Eventualmente os dois irmãos participavam do mesmo episódio. Isso dava muito certo porque havia muita química entre os dois atores. Bart Maverick era dublado por Paulo Gonçalves. Os episódios da série tinham sempre a característica de serem narrados pelo próprio personagem, em forma de pensamento.

Antes da quarta temporada, James Garner abandonou a série. Para que Bart não levasse sozinho os episódios, os produtores criaram um primo inglês chamado Beau Maverick, interpretado pelo britânico Roger Moore (que anos mais tarde viria a ser um dos mais famosos James Bond do cinema). Para a quinta e última temporada, no lugar de Beau, surgiria ainda o irmão caçula dos Maverick, Brent, interpretado por Robert Colbert (que fez “O Túnel do Tempo”). Desse modo, os irmãos Bart e Brent levaram a série até o final.Em 1994, no longa-metragem “Maverick”, que teve Mel Gibson no papel de Bret, James Garner fez uma pequena ponta, como o delegado Zane Cooper, que seria anunciado como pai de Bret.

Paladino do Oeste

O título da série em português nada tem a ver com o original: “Have Gun – Will Travel”. Aqui ganhou o nome de “Paladino do Oeste”, em 1961, patrocinada pela Ford e, por isso mesmo, apresentada dentro do programa “Ford Na TV”. Em São Paulo, seus 225 episódios foram apresentados pela TV Record. No Rio, a exibição ficou por conta da TV Rio. O personagem foi interpretado pelo ator Richard Boone. A abertura da série não mostrava a figura do paladino. Via-se apenas a mão empunhando a arma, a roupa preta e o coldre com a figura do cavalo do jogo de xadrez. Também era bom no carteado. Era culto, recitava Shakespeare, apreciava um bom vinho, gostava de comer bem. Morava na suíte de luxo do Hotel Carlton, em São Francisco, na Califórnia. Ali, no hotel, ele usava o oriental Hey Boy como uma espécie de funcionário de luxo. Na dublagem da Cinecastro, quem dava a voz ao Paladino era Amaury Costa e a Hey Boy, Ézio Ramos.

Jamais se soube o nome verdadeiro do personagem. Ele era chamado de Paladino e só. Ele foi o único caubói a ter um cartão de visita. Ganhava sempre 1.000 dólares por trabalho.

Matt Dillon Sheriff (Gunsmoke)

A série tinha um nome pomposo: “Matt Dillon Sheriff”.  Estreou em 1960 na TV Record, em São Paulo, e na TV Rio, no Rio de Janeiro. No ano seguinte, assim como o “Paladino do Oeste”, “Matt Dillon Sheriff” seria apresentada dentro do programa “Ford na TV”. O ator James Arness fez o xerife Matt Dillon durante os 635 episódios, divididos em 20 temporadas. Matt Dillon fez tanto sucesso que, a partir de 1965, se tornou tira no jornal “Folha de S. Paulo”. Só um detalhe: o nome original da série era “Gunsmoke”.

O público brasileiro só foi começar a saber disso a partir de 1968 quando a série passou a ser reapresentada pelas TVs Tupi. Excelsior e Globo, sempre com muito sucesso. Matt Dillon era xerife da cidade de Dodge City, em Kansas, na segunda metade dos anos 1800. Vivia rodeado pelos ajudantes Chester e Festus, e também por Doc, o médico da cidade. Os quatro sempre se reuniam no saloon Long Branch, de propriedade de Kitty, por quem Matt Dillon tinha uma leve paixão. Na dublagem brasileira, do Estúdio Dublasom, Matt Dillon tinha a voz de Ribeiro Santos; Kitty, Neyda Rodrigues; Festus, Jayme Monjardim; e Doc, Artur Costa Filho.

Roy Rogers

Roy Rogers já era conhecido do público brasileiro por causa dos filmes de faroeste de longa-metragem. Os 95 episódios se passavam na fictícia cidade de Mineral City, onde Roy Rogers tinha uma fazenda. Ele frequentava o Eureka Café, que pertencia a Dale Evans, amiga e parceira de aventuras. Adorava cavalgar com seu cavalo, Trigger.

O cozinheiro do Eureka Café era Pat Brad, responsável pelas cenas mais engraçadas. Como série, Roy Rogers estreou na TV brasileira no início de 1958. Os primeiros episódios ainda eram legendados. Para alegria geral, logo vieram os episódios dublados, quando se podia ouvir a locução de Carlos Alberto Vaccari anunciando um a um dos personagens da série.

Roy Rogers, Dale Evans e Pat Brady usavam seus próprios nomes artísticos nos personagens. Roy Rogers era dublado por Gervásio Marques; Dale Evans, por Lucy Guimarães; e Pat Brady, por José Soares.

Na maioria das vezes, os capítulos terminavam com Roy e Dale andando a cavalo e cantando a canção “Happy Trail”. Outra curiosidade era o jipe de Pat Brady, que era chamado de Nellybelle.

Apesar de ser um jipe, Nellybelle era tratada no feminino, como se fosse uma picape. Nellybelle tinha vida própria, em geral, deixando o Pat Brady na mão.

 

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