Nenhum outro programa na história da televisão provocou tanto impacto quanto “The Twilight Zone” (ou “Além da Imaginação”, como ficou conhecido no Brasil). “A série se tornou a maior referência na TV em termos de narrativas do fantástico”, afirma o especialista Sílvio Alexandre. “Ela abriu caminho e estabeleceu fórmulas para diversas séries que vieram depois”.

Foram 196 episódios ao longo das cinco temporadas (1959 a 1964) – 92 deles escritos por Rod Serling, o criador e produtor da série. Serling serviu como paraquedista do Exército americano, durante a Segunda Guerra Mundial. Recebeu condecorações como o Coração Púrpuro, a Estrela de Bronze, a Medalha de Libertação das Filipinas, entre outros. Serling foi ferido várias vezes, enfrentou o pavor das emboscadas noturnas, a brutalidade dos combates e as atrocidades da guerra. Essa experiência influenciou muito de seus escritos.

Diversos atores que trabalharam em “Além da Imaginação” ficariam bem famosos. Quatro dos principais atores de “Star Trek – Série Clássica”, por exemplo, apareceram na série. William Shatner, o capitão Kirk, fez dois episódios. Os outros foram Leonard Nimoy, o icônico Sr. Spock; James Doohan, o engenheiro milagreiro Scotty; e George Takei, que dois anos depois seria o piloto da Entreprise. Antes de aparecer como Dr. Smith, em “Perdidos no Espaço”, Jonathan Harris atuou em “Além da Imaginação”, assim como Bill Mummy (o garoto Will Robinson) e Elizabeth Montgomery (a Samantha, protagonista de “A Feiticeira”. Elizabeth luta contra Charles Bronson em um episódio.

Dois detetives de sucesso da TV também estiveram em “Além da Imaginação”. Peter Falk, que uma década depois seria o detetive amarrotado e distraído Columbo, e Telly Savalas, o detetive careca e devorador de pirulitos Kojak. Antes de encantar o mundo em “O Planeta dos Macacos”, Roddy McDowall teve um papel de destaque na série de Sterling.

“Além da Imaginação” foi uma série provocativa. Suas histórias colocavam pessoas comuns em situações extraordinárias para discutir questões morais e políticas de seu tempo. A série teve a virtude de fazer o telespectador pensar numa época em que a TV estava mais interessada em entreter o público com programas inofensivos.