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Como se identificam as vozes nas escutas telefônicas?

24 de abril de 2019

Um dos temores dos políticos investigados em casos de corrupção, os grampos telefônicos são considerados uma prova quase irrefutável. Eles são feitos a partir de uma determinação judicial repassada para as operadoras de telefonia, que usam softwares para monitorar todas as ligações feitas com a linha grampeada.

Parece simples, mas não é tão fácil assim identificar as vozes nas escutas. Tanto não é que existe um profissional dedicado exclusivamente a isso: é o foneticista. A tecnologia ajuda na primeira etapa: programas de computador identificam cacoetes de fala como ruídos, pausas ou palavras repetidas muitas vezes. Depois, um filtro também digital elimina a chiadeira da gravação para facilitar a percepção completa do áudio.

Depois, o trabalho passa a ser artesanal. O foneticista, um técnico de áudio e outro especialista em linguística transcrevem todo o áudio. Além das falas, eles destacam ruídos como uma porta se abrindo ou a sirene de uma fábrica: “Esses sons podem nos ajudar a identificar o local da interceptação”, explica Ricardo Molina, foneticista dao Instituto de Pesquisa de Som, Imagem e Texto.

Na etapa seguinte, os técnicos comparam o grampo analisado com os outros interceptados na mesma linha. É uma etapa decisiva: além do tom de voz, aqueles cacoetes de fala citados no início e as expressões repetidas mais vezes podem confirmar a identidade do grampeado. “A palavra perfeita para análise é longa e tem sons diferentes”, conta Molina. Os sotaques regionais são outro ponto importante.

Por fim, na última etapa, a tecnologia volta a entrar em cena: as palavras repetidas em todos os grampos são colocadas em uma espécie de “sonógrafo digital”. Ele divide a palavra em vários fragmentos e detecta a frequência sonora de cada fragmento. Essa frequência é praticamente impossível de se repetir entre pessoas diferentes: “Nem mesmo um bom imitador consegue simulá-la”, garante Molina.

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