Luiz Trozzi era conhecido pelos amigos como “Gijo” (apelido italiano para Luigi). Mas os paulistanos o elegeram “O Rei da Linguiça”. Numa pequena loja na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, ele comercializava cerca de 20 tipos de linguiças artesanais, todas criadas por ele. Gijo morreu ontem, às 9 da manhã, no Hospital Presidente, no Tucuruvi, na zona norte, e foi enterrado esta manhã no Cemitério São Paulo, em Pinheiros, numa cerimônia que só teve a presença de familiares. Ele tinha 84 anos, estava internado desde a segunda-feira passada e morreu em decorrência de complicações causadas por uma pneumonia.

ADEUS AO REI DA LINGUIÇA

Ícone da região, Trozzi, criado no Bixiga, herdou o açougue do pai italiano em 1949, quando tinha 17 anos. De lá para cá, acompanhou as mudanças do bairro no momento em que a cidade se expandia em direção ao sul. Quadros nas paredes do açougue mostram as transformações sofridas pela Vila Mariana no último século. Imagens da família, dos santos de adoração e uma balança antiga completavam a decoração.
Atento a todos os detalhes na produção das linguiças (trabalhava doze horas por dia e jurava jamais ter tirado férias), Trozzi tinha muita segurança quanto à qualidade dos seus produtos: “É uma coisa ímpar, não existe igual. São as melhores do mundo”, declarou em 2012 ao meu livro “Os Endereços Curiosos de São Paulo”, publicado pela Panda Books. Na fachada, o toldo nas cores da bandeira da Itália anunciava justamente “A melhor linguiça do mundo”.
O sucesso chegou a famosos como Hebe Camargo, Fausto Silva e até mesmo o Papa João Paulo II, que em 1980 provou um molho feito com a calabresa de Gijo e gostou. Além disso, Trozzi foi personagem frequente de programas gastronômicos na televisão, nos quais fortalecia a imagem de “Rei da Linguiça”.  Dirigia também um reluzente Landau 1980.

Palmeirense, foi hospitalizado pouco mais de uma semana depois de ver o time do coração quebrar um jejum de 22 anos e se sagrar campeão brasileiro. Apreciador também de pesca e corridas de cavalos, Gijo era viúvo e deixa duas filhas, Giselle e Gina, três netos e dois bisnetos. A loja, na Rua Dr. Pinto Ferraz, 16, permanecerá fechada até a próxima quinta-feira. O irmão mais novo (tinha ainda outra irmã, falecida há dois anos), Francisco Roberto, cuidará do negócio por enquanto.